terça-feira, 8 de novembro de 2016

Jacó e a procura de uma bênção.

      Estando já avançado em idade, Isaque dá instruções ao seu filho Esaú para abençoá-lo. 

O primogênito sucedia naturalmente ao pai como chefe da família e tinha autoridade patriarcal sobre seus irmãos. A ele era atribuída uma bênção especial da parte do pai.

O direito da primogenitura era mais importante que toda a herança do pai, porque significava assumir a própria autoridade deste.

Tendo ouvido as palavras de Isaque, Rebeca, sua mulher, chamou a Jacó e deu ordens para que este tomasse dois bons cabritos do rebanho, vestisse as roupas de seu irmão Esaú e cobrisse as mãos e o pescoço com a pele dos cabritos como se fosse o próprio Esaú, porque Isaque, por ser muito velho, não podia enxergar.

Obedecendo à sua mãe, Jacó apresentou-se diante do pai, dizendo ser Esaú.

Apesar de apalpar e cheirar o seu filho, Isaque não conseguiu notar que era Jacó, e concedeu-lhe a bênção da primogenitura.

Vale destacar que ele já a havia comprado do seu irmão, que a trocou por um prato de lentilhas. 

Cumpre-se, então, a palavra do Senhor dada a Rebeca quando ainda estava grávida – o maior serviria ao menor. “Sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos de tua mãe se encurvem a ti”. Quando Esaú retorna ao seu pai, com o guisado que este pedira, ambos descobrem que Jacó, com sutileza, já havia recebido o direito de primogenitura.

Esaú ainda tentou herdar a bênção, mas foi rejeitado (Hb 12.16- 17). Esta é a mensagem que fica: é impossível desfrutar dos apetites da carne e também da bênção celestial.

Acerca da atitude de Jacó podemos considerar: a) ele seguia as ordens de sua mãe (obediência); b) ele valorizava e desejava muito o direito de primogenitura, porque sabia o que isto significava (fé); c) já havia a palavra de Deus, antes que ele nascesse (promessa); d) ele já havia comprado a bênção do seu irmão e tomado posse dela (amar e priorizar o que vem de Deus); e) não há nenhuma reprovação de Deus, nem mesmo de Isaque seu pai (justificação); f) era a vontade soberana de Deus que Jacó fosse abençoado – Deus cumpre suas palavras (Rm 9.11-13).

Rebeca, em última análise, ajudava ao esposo Isaque para que este não errasse; ela, sim, tinha uma palavra dada por Deus (Gn 25.22, 23). 

    Isaque deve ter compreendido tudo, pois não recriminou, nem à sua esposa Rebeca, nem a seu filho Jacó. E ainda, depois de tudo isso, abençoa conscientemente a Jacó com mais palavras (28.1-4).

Agora Esaú percebe o que perdeu e lança a culpa em seu irmão Jacó, como se este o tivesse enganado – nisto se assemelhando a Caim.

Com receio da vingança de Esaú contra Jacó, Rebeca convence Isaque a mandar este a Padã-Arã. A orientação era para que ele tomasse esposa dentre a sua parentela e não se casasse com mulher Cananeia, como Esaú havia feito.

Na viagem para Padã-Arã, Deus começa a se manifestar a Jacó – é mostrada a ele uma escada cujo topo tocava nos céus e anjos de Deus subiam e desciam por ela. A revelação em sonho é tão forte que leva Jacó a ter consciência da presença de Deus – o Senhor estava naquele lugar. A exemplo de seu pai Isaque e de seu avô Abraão, Jacó é levado a adorar ao único Deus verdadeiro e a ter compromisso com Ele (“de tudo quanto me deres certamente de darei o dízimo”).

E observemos que Deus, Deus mesmo, o abençoa confirmando a Sua eleição em Jacó e se compromete de acompanha-lo em toda a sua vida.

O nome Jacó significa suplantador – aquele que terá a preeminência; não podemos censurar a Jacó e nem dizer que é mentiroso, pois isso ele rejeitava (Gn 27.11, 12).




* Texto cedido por: EBD – 4º. Trimestre de 2016 ASSEMBLÉIA DE DEUS MINISTÉRIO GUARATINGUETÁ-SP


“Os Patriarcas, de Abraão a José”.

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