terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A piedade perfeita do reino dos céus.

Nas lições anteriores, aprendemos que nossas obras devem corresponder à justiça perfeita revelada na Lei de Deus; e, para tanto, devem proceder de um coração regenerado, renovado pela Sua graça, assim revelando que somos do número dos “bem-aventurados”. 

Desta forma, nosso Pai celestial é glorificado diante dos homens, pois Suas perfeições são contempladas em Seus filhos no trato com seus semelhantes. Agora veremos que, na prática da piedade, ou da nossa devoção para com Deus, não pode ser diferente; mais uma vez, Jesus estabelece um nítido contraste entre os atos de piedade praticados por um súdito, cujo  coração está totalmente voltado para Deus; e os atos religiosos dos “hipócritas”, que visam apenas o aplauso dos homens, parecendo ser muito devotos.

Nesta seção do Sermão do Monte, o Senhor Jesus passa a ensinar o que Ele demanda de Seus discípulos na sua devoção a Deus, aqui exemplificada em três atos considerados dos mais importantes, fazendo-se necessário resguardar-se da hipocrisia. Por sua ordem, o primeiro desses atos é o da caridade para com o próximo (ou “dar esmolas”), um dever tanto prescrito pela Lei (Dt 15.7, 8) como também confirmado sob a dispensação do Evangelho (Lc 3.11), à luz do qual este ato torna-se nada menos que a expressão necessária da obediência ao segundo mandamento mais importante da lei: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (cf. 1 Jo 3.16-18).

Nesta passagem, Jesus não condena o ato de dar esmolas em si, nem mesmo quando feito em público ou reconhecido pelos homens; mas Ele nos alerta contra o pecado da hipocrisia, isto é: quando o homem usa um ato de piedade e devoção a Deus para buscar, não o agradar ao seu Criador, mas sim o reconhecimento dos homens e a exaltação pessoal (cf. At 9.36; Jo 5.44). *Trata-se de um erro sutil, pois se introduz até nos atos de maior espiritualidade; e é fácil de se cometer, pois procede da ambição do coração humano, do seu orgulho e vanglória. Contudo, tal atitude receberá a devida reprovação da parte de Deus (Mt 23.1-7, 12, 28, 33).

A aprovação dos nossos atos de piedade – no caso em questão, dar esmolas – depende não apenas do desinteresse pela atenção e louvor dos homens (“não faças tocar trombeta diante de ti”), mas também de uma renúncia e desapego a toda pretensão quanto ao valor e mérito de nossos atos (“não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita”). Nosso único e legítimo interesse no exercício da piedade deve ser a glória de Deus: praticar esse e qualquer outro ato de natureza devocional porque Ele ordenou e porque isto O agrada, e porque Ele promete recompensá-lo e porque em nós há o amor que provem de Deus (Pv 19.17;  2 Co 9.9; I Jo 4. 20, 21).

O próximo exemplo de piedade prática é o da oração. E, uma vez mais, o que Jesus está aqui condenando não é a oração pública em si, como parte do culto a Deus prestado pelos fieis quando reunidos; mas sim a ostentação com que os escribas e fariseus cumpriam este dever, no desejo de serem reconhecidos como homens de grande piedade e comunhão com Deus. A oração deve ser uma expressão sincera do coração a Deus, por isso o Senhor nos orienta a buscarmos o isolamento e o refúgio das interferências mundanas (“entra no teu aposento”, “fecha a tua porta”, o que se pode entender tanto literalmente, em nossas orações particulares, como também, quando necessário orar em público, fazê-lo com a mesma consciência, de que é a Deus que devemos nos dirigir, no recôndito do nosso coração, não nos importando com a atenção dos homens (At 1.14; 1 Tm 2.8).

Outro erro comum na prática da oração, e ainda mais grave que o primeiro, pois caracteriza a atitude religiosa de pessoas que ignoram o poder e a sabedoria de Deus (os “gentios”), é o uso de vãs repetições, ou seja, confiar no poder persuasivo de nossas palavras em oração, como se Deus pudesse ser convencido pela força, beleza e insistência de nossos argumentos. Em primeiro lugar, nenhum de nossos atos de devoção a Deus são meritórios, e nada do que façamos para Ele, mesmo que em obediência à Sua vontade, pode obriga-lO a nos abençoar. Esses atos são apenas meios pelos quais Deus se propõe conceder a glória eterna, que é devida exclusivamente pelos méritos infinitos do sacrifício de Seu Filho Jesus. Em segundo lugar, Deus não precisa ser informado acerca do nosso estado, porque Ele sabe todas as coisas e, melhor do que nós, como e quando responder nossas súplicas com a provisão mais adequada. Por outro lado, Jesus não está condenando a perseverança e insistência em buscar ou pedir uma mesma coisa a Deus, até que alcancemos uma resposta desde que isto seja uma sincera expressão da nossa dependência e confiança nEle (Jo 15.7; Mt 26.39-44; 2 Co 12.8).

Tendo em vista nossas limitações para compreendermos o sábio conselho de Deus sobre todas as coisas, e mesmo a nossa incapacidade de nos dirigirmos ao nosso Pai celestial como convém, o Senhor Jesus nos ensina a orar, fornecendo não apenas os princípios gerais, mas as próprias palavras que podemos empregar em nossas súplicas a Deus para externar diante dEle os anseios do nosso coração (Ec 5.1, 2; Rm 8.26; cf. Lc 11.1, 2).  *Mas, como cada frase desta oração apresenta grande riqueza de ensinamentos, e considerando que esta porção do texto representa um “parêntese” dentro do assunto geral abordado nesta seção, reservaremos o estudo da “Oração do Senhor” para a próxima lição.

Passando à correção dos erros e à exposição da verdade acerca da prática dos jejuns, o Senhor Jesus condena mais uma vez a atitude afetada e hipócrita daqueles que faziam de tudo para que o abatimento físico causado pelos seus jejuns fosse visto pelos homens, e assim fossem louvados como homens de grande abnegação. Mas o verdadeiro jejum procede de um senso da nossa dependência de Deus, ou do nosso arrependimento e pesar por tê-lO ofendido, (Ed 8.21; Jl 1.13, 14). *Quando não, o jejum é apenas um meio para uma dedicação maior à oração, por um propósito especial e nessa ocasião, abstendo-nos temporariamente de suprir uma necessidade básica do nosso corpo – a alimentação – priorizamos nos dedicar exclusivamente aos interesses de Deus. Em ambos os casos, porém, a prática do jejum é incompatível com o desejo de vanglória do ser humano (At 13.3; Lc 2.37).

A instrução aqui oferecida por nosso Senhor no que diz respeito ao jejum não é diferente dos demais casos: como as esmolas e a oração, o jejum visa a Deus, mesmo sendo apenas um meio para a oração, ou uma forma de santificação. Há que se considerar também que, embora seja um ato de contrição e abatimento para a carne, o verdadeiro discípulo de Cristo não negligencia seu corpo, entregando-se a sacrifícios que pouco beneficiam a alma (), pois sabe que Deus prefere antes a humilhação e contrição sincera do coração a um corpo abatido em que não haja a devida correspondência no interior (Cl 2.20-23; Jl 2.13-16).


Nossa relação pessoal com Deus é tão importante quanto o nosso relacionamento com o próximo. Mas, assim como o pecado está pronto a se insinuar em cada ato e palavra dirigida aos nossos semelhantes, do mesmo modo nossas intenções e sentimentos mais sinceros para com Deus podem ser facilmente pervertidos, e nossa adoração pode ser completamente inutilizada pelo sutil pecado da hipocrisia. Que Deus nos dê graça para nos guardarmos do fermento dos fariseus, e desejarmos o “secreto” de um relacionamento sincero e exclusivo com nosso Pai celestial.

* Texto cedido por: EBD – 1º. Trimestre de 2017 

ASSEMBLÉIA DE DEUS 
MINISTERIO GUARATINGUETÁ-SP
“AS BEM-AVENTURANÇAS DO REINO”

Nenhum comentário:

Postar um comentário