sexta-feira, 7 de abril de 2017

A parábola do semeador.


Iniciamos o nosso estudo das parábolas na lição anterior, na qual vimos os motivos do Mestre falar em parábolas. Ficou claro que o véu sobre os mistérios de Deus é retirado ou colocado conforme a disposição do coração daquele que ouve. Ao quebrantado e contrito é dado conhecer os mistérios de Deus, enquanto àquele que ouve de mau grado eles são encobertos. Seguiremos agora no estudo das diversas parábolas proferidas pelo Mestre, começando pela parábola do semeador.

Jesus contou frequentemente, por parábolas, histórias sobre os acontecimentos do dia-a-dia, que ele usava para ilustrar verdades espirituais. Uma das mais importantes destas parábolas é aquela registrada em Mateus 13.1-23, Marcos 4.1-20 e Lucas 8.4-15. Esta história fala de um lavrador que lançou sementes em vários lugares com diferentes resultados, dependendo do tipo do solo. A importância desta parábola é salientada por Jesus em Marcos 4.13: “Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas?” Jesus está dizendo que esta parábola é fundamental para o entendimento das outras. É também uma das únicas que Jesus explicou especificamente. Precisamos meditar cuidadosamente nesta história.


Nas palavras de Cristo: “Eis que o semeador saiu a semear”, está retratada a função do semeador; cabe a Ele lançar a semente na terra. Sendo a semente a palavra de Deus, podemos entender que o semeador tipifica os discípulos de Cristo, aos quais não cabe escolher o tipo de terra para plantar; eles não sabem onde a semente frutificará, por isso devem plantar em todo tempo e em todo tipo de solo (Ec11.1-6).

Ao semeador não é dado destaque, nem seu nome é citado; apesar de estar fazendo uma tarefa muito importante, não é ele que deve aparecer (1 Co 3.6-7).

A semente é a Palavra de Deus – disse Jesus. Esta semente é de tal natureza que, embora às vezes não produza fruto, sendo como a chuva que cai do céu, sempre produzirá efeito (Is 55.10-11). Não importa quão duros são os corações daqueles que ouvem a Palavra; uma vez que foi enviada por Deus, Ela prosperará. Sempre será manifesto o bom cheiro de Cristo; para alguns, na salvação, e para outros, será na condenação (2 Coo 2.14-17).

Na parábola, o primeiro lugar em que a semente cai é à beira do caminho. Jesus diz que vieram as aves e comeram-na. Isso representa as pessoas que ouvem a Palavra, mas não entendem e por isso o maligno arrebata o que foi semeado. Segundo o contexto da lição anterior, não entendem a Palavra as pessoas que ouvem de mau grado cujos corações estão endurecidos e, por estarem seus corações endurecidos, não examinam, ou examinam superficialmente o que ouvem. Em contraposição, podemos citar os habitantes de Bereia, que examinavam e comparavam as Escrituras, e também uma característica do animal puro citada na lei – aquele que rumina.

O segundo tipo de terreno em que a semente é lançada é entre os pedregais, que nasce logo, mas, por não ter raiz, é secada e queimada pelo sol. Jesus explica que são as pessoas que recebem a Palavra com alegria, mas são de pouca duração e logo se ofendem por causa da perseguição (Mt 13.20-21).

Caracteriza o tipo de pessoa que ingressa na fé com grande entusiasmo, mas não se dedica a crescer na fé, não deseja ardentemente o “leite” capaz de produzir o crescimento, não se compromete; não cria raízes, não se dedica ao estudo da Palavra, à oração e a comunhão dos santos; por isso, é presa fácil para todo tipo de doutrina (Ef 4.14).

Jesus explica que a semente que cai entre os espinhos e é sufocada são aqueles que ouvem a Palavra, mas os cuidados do mundo e a sedução das riquezas a sufocam, ficando infrutífera. Aqui estão representados os de coração dobre, que querem servir a Deus e ao mesmo tempo desfrutar de tudo que o mundo oferece. Conhecem de Deus o suficiente para desejar o céu, mas não o suficiente para abandonar o mundo, querem servir a Deus e Mamom, o que é impossível. O amor às riquezas tem levado muitos a cair em diversas armadilhas e ao suicídio na fé (1 Tm 6.10).

       Por último, diz Jesus que a semente caiu em boa terra e deu fruto: um, a cem, outro, a sessenta, e outro, a trinta. A explicação fala daquele que ouve e compreende a Palavra, e dá fruto. Vemos que o primeiro requisito é que a Palavra seja ouvida e compreendida, o que só é concedido a corações quebrantados, que ouvem de bom grado.

Devemos tomar cuidado com a expressão “boa terra”, para não atribuirmos mérito àquele que é alcançado pela Palavra. O poder da vida está na semente, e não na terra. Não desfrutamos de bênção alguma por obra nossa, tudo é pela graça de Deus (Ef 2.8-10).

Finalmente, vemos que o Senhor Jesus coloca três quantidades que a terra boa produz: cem, sessenta e trinta. Com isso, vemos que há diferenças no frutificar, nem todos produzem na mesma quantidade, mas todos os que são alcançados pela Palavra consequentemente darão frutos. Certamente a árvore boa dá bons frutos, e pelos frutos serão reconhecidos aqueles que são do Senhor.


Na parábola do semeador vimos as diferentes operações da Palavra de Deus quando ela é semeada. Sabemos que ela sempre produzirá efeito; cabe agora a nós nos dedicarmos e pormos o conhecimento em prática. Uma boa medida para começarmos é nos questionarmos sinceramente: Que tipo de solo temos sido ao recebermos a Palavra de Deus? Quais frutos temos produzido?


* Texto cedido por: EBD – 2º. Trimestre de 2017 

ASSEMBLÉIA DE DEUS 
MINISTÉRIO GUARATINGUETÁ-SP
“PARÁBOLAS”

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