sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Como a moinha que o vento espalha

A tese do primeiro Salmo da Bíblia é que os ímpios não têm raízes profundas; são como a palha que o vento leva para qualquer lado, sem direção ou segurança. A frase "como a moinha que o vento espalha" é uma das frases que descreve essa máxima neste texto e a figura da “palha” ou “moinha” que o vento espalha representa a sua transitoriedade. O vento tem valor simbólico de adversidade para os cristãos, representa as provações, tentações, falsas doutrinas ou as próprias circunstâncias da vida. A “palha” ou “moinha” são as partes leves e inúteis do grão (trigo ou cereal) que são separadas na debulha; não têm peso nem valor substancial. Ela descreve os ímpios ou pessoas sem Deus como instáveis, sem propósito duradouro e facilmente dispersas pelas circunstâncias, como a ação do vento que leva a moinha para longe, sem deixar vestígios ou base (Sl 1.4). Como a base da poesia hebraica é o paralelismo ao invés da rima ou métrica ocidental, o salmista agora contrasta essa situação com as do justo. Segundo ele, os justos que são firmes como árvores, mostrando que a vida dos ímpios perece, enquanto a dos justos é abençoada. Diferente da árvore que produz frutos, a vida do ímpio é passageira e sem relevância duradoura. No juízo final, os ímpios não permanecerão, pois seu caminho é incerto e perecerá, ao contrário do caminho dos justos que o Senhor conhece e abençoa. Em suma, a frase simboliza a fragilidade e a falta de substância daqueles que não se firmam em Deus, sendo facilmente desmantelados pelas adversidades. A diferença fundamental é que o justo vive em conformidade com a vontade de Deus, encontrando prazer na Sua lei e sendo guiado pelo Espírito Santo. Já o ímpio vive segundo seus próprios desejos, rejeitando ou ignorando os preceitos divinos, mesmo que possa parecer próspero na vida terrena. Enfim, o justo tem sua segurança e destino eternos em Deus, ao passo que o ímpio perecerá, pois seu caminho é conhecido por Deus como destruição (Ml 3.18).

Foi feito para estar sem pavor

Quando Deus fala com Jó, no final do seu processo de aprendizagem, trata com ele sobre coisas terrenas que não entendia e depois muda para as espirituais. Dentre elas, está o leviatã, uma criatura incomparável, tendo outra característica ser feito " ... para estar sem pavor". Ele é uma criatura marinha poderosa descrita no livro de Jó, mostrando sua invencibilidade e poder (Jó 41.33). O salmista assim o descreve: "Assim é este mar grande e muito espaçoso, onde há seres sem número, animais pequenos e grandes.Ali andam os navios; e o leviatã que formaste para nele folgar" (Sl104.25,26). Deus começa questionando Jó sobre sua capacidade de capturar o leviatã, uma criatura tão poderosa que a ideia de domesticá-la ou usá-la para entretenimento é ridicularizada. Ao buscar entender os motivos de sua desenvoltura e em sua conversa com o Eterno em muitos momentos ele se justifica e o Altíssimo responde de forma didática falando deste grande animal marinho. Já o aprendizado espiritual foi relacionado à soberania de Deus e propósito do sofrimento, ensinando que a verdadeira devoção resiste à dor e perda, sem exigir entendimento imediato das razões divinas, resultando em um conhecimento mais profundo de Deus (Jó 42.5). Relaciona-se ainda à importância de adorar a Deus em todas as circunstâncias, aceitar a Sua vontade, e entender que o sofrimento pode ser um caminho para o amadurecimento e a revelação do caráter, não necessariamente um castigo por pecados pessoais, reforçando a confiança na fidelidade de Deus. É certo que a fé de Jó não dependia de suas bênçãos; ele amava a Deus pelo que Ele É, não pelo que Ele dava, adorando-o mesmo na total desgraça. Mas, ainda aprendeu que Deus está no controle, e Seus caminhos são mais altos que os nossos e que não há a necessidade de se entender tudo para confiar em Sua perfeição. No pano de fundo, Deus permitiu que Satanás testasse Jó para revelar a profundidade de sua fé e caráter, produzindo perseverança e fortalecendo sua relação com Deus. Enfim, a fé verdadeira resiste às maiores provações, sendo um exemplo de integridade e resiliência espiritual.

Amando os inimigos

Há na Bíblia exemplos de reversão, mudança de quadro ou conversão. Um desses casos está descrito no livro de Jó, quando o Eterno julga a causa do servo orpimido: "Deus virou o cativeiro de Jó". Significa que o Senhor reverteu completamente a sorte de Jó, restaurando sua saúde, bens e família em dobro. Isso aconteceu após ele ter orado por seus amigos que o criticaram, mostrando que a intercessão e a fé em meio ao sofrimento levaram à sua restauração. Mostra claramente uma virada de vida e prosperidade após a provação (Jó 42.10). Após enfrentar perdas inimagináveis, Jó orou pelos seus amigos. Foi nesse ato de intercessão, e não de autocomiseração, que Deus mudou sua situação. O Senhor não apenas restaurou, mas "acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía". Ele ganhou mais posses, mais filhos (sete homens e três mulheres) e viveu mais 140 anos, vendo seus descendentes até a quarta geração. O que aconteceu com Jó é um testemunho de que, mesmo nas maiores tribulações, a fé e a integridade podem levar à restauração. A "virada" veio após Jó reconhecer sua limitação e a grandeza de Deus, e então interceder por aqueles que o julgaram. Assim como Jó, quem está passando por dificuldades e se sente sem esperança pode ver sua situação transformada. A intercessão pelos outros, mesmo por aqueles que nos fizeram mal, é um caminho para a própria bênção e libertação. O próprio Mestre assim diz: "Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus"(Mt 5.44).

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Sendo aceitável a Deus

Segundo a Bíblia, é certo que Deus recebe a oração de uns em detrimento de outros. A frase "deveras a ele aceitarei" vem de Deus para Elifaz, o temanita, onde o Senhor diz que aceitará as ofertas e orações de Jó em favor de seus amigos. Eles falaram o que não era reto sobre o Eterno, contrastando com a retidão de Jó, e, por isso, o Senhor os perdoará por meio de Jó. O ponto principal é que Deus honra e aceita a intercessão e a retidão de Jó, mostrando Seu favor e perdoando os amigos, que precisam se arrepender e pedir a Jó para orar por eles. Jó passou por imenso sofrimento, e seus amigos tentaram consolá-lo, mas acabaram julgando-o e falando mal do Criador e, isso não ficou impune. Assim, Deus manda que os amigos de Jó ofereçam holocaustos (sacrifícios) e peçam a Jó para orar por eles. O contexto da palavra divina é assim: "... porque deveras a ele aceitarei, para que eu vos não trate conforme a vossa loucura; porque vós não falastes de mim o que era reto como o meu servo Jó" (Jo 42.8). A situação destaca a aceitação da oração de Jó que tinha um comportamento que O agradava, mostrando que Ele pesa as ações quando se chega a Ele com ofertas na oração. Isso também aconteceu com o rei Ezequias em um momento difícil de sua vida no qual ele diz ao Senhor em meio a súplicas: "Lembre-se que eu andei em retidão perante ti". Ele estava doente e pede a Deus para lembrar de sua fidelidade e coração íntegro quando Deus lhe enviou a notícia da morte iminente devido a uma doença grave (2 Rs 20.3; Is 38.3). "Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus" (Sl 51.17).

Ele vem como ladrão

A frase "Ele virá como ladrão..." refere-se à vinda de Jesus Cristo, mas deve ser interpretada também quando Ele nos chama. Nela, Ele retornará de forma inesperada e repentina, surpreendendo a todos. Do mesmo modo que um ladrão não avisa sua chegada, pegando as pessoas desprevenidas, assim será a vinda dEle. Mostrando a urgência da vigilância e preparação espiritual (1 Ts 5.2, 2 Pd 3.10) Assim como um ladrão entra de repente, a vinda de Cristo ou a nossa "ida", será sem aviso prévio. Para isso, precisa-se estar vigilantes, como as cinco virgens prudentes (Mt 25.1-13), pois as dez tomaram suas lâmpadas e saíram ao encontro do esposo. A diferença entre as loucas e as prudentes era apenas a questão do azeite? Sim. Ouviu-se um clamor à meia-noite e todas levantaram e prepararam suas lâmpadas. Mas as loucas não tinham azeite e pediram para as prudentes. O sábio já deixou escrito; “sejam alvos os teus vestidos e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça”. Implica aqui que não basta ter vestes limpas, precisamos ter óleo sobre a nossa vida. O reconhecimento é feito pelos frutos? Sim, pois é pelos frutos que somos reconhecidos como discípulos Dele. O esposo chega quando as loucas tinham ido comprar azeite. E fecha-se a porta e quando voltaram o Senhor disse que não as conhecia. Não teve outra chance? Não. Por isso que no Livro está escrito ”se hoje ouvirdes a sua voz...”, “Ele virá como ladrão...”, etc. Lá no princípio bíblico quando Noé entra na arca, no versículo 16 do capítulo 7 de Gênesis, está escrito na parte b, que Noé foi fechado dentro da arca por Deus: ”O Senhor o fechou por dentro.” Conforme Jesus predisse: "(...) como foi nos dias de Noé e de Ló, assim será na vinda do Filho do homem". Por último, disse Jesus: “Eis que venho como um ladrão de noite. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda os seus vestidos, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas” (Ap 16.15).