quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Dependência total de Deus

O discernimento espiritual é a capacidade, concedida pelo Espírito Santo, de perceber realidades ocultas, intenções e influências divinas ou malignas além das aparências. É vital para reconhecer a vontade de Deus, evitar enganos, proteger o coração e tomar decisões sábias. Ele diferencia o homem espiritual, capaz de compreender as coisas de Deus, do natural. O discernimento não é apenas suspeita, mas sensibilidade espiritual para viver em comunhão com Deus, garantindo que as escolhas estejam alinhadas com Seus propósitos. O Senhor escolheu setenta dentre os seus seguidores e os enviou de dois em dois a fim de que fossem adiante dele para cada cidade e lugar aonde ele tinha de ir, preparando-lhe o caminho. Saibam, porém, que eu os estou enviando como ovelhas para o meio de lobos. Por isso, é melhor não levar bolsa de dinheiro, nem alforje com comida, nem sandálias extras. Há momentos em que o cristão necessita depender totalmente em Deus. A ordem de Jesus de não levar bolsa, nem alforje ao enviar os discípulos simboliza a dependência total de Deus e o desapego material. Essa instrução enfatiza a urgência da missão (anunciar o Reino de Deus), o foco no espiritual em vez das preocupações materiais e a confiança na providência divina. esus pedia que os setenta enviados não levassem provisões extras, sacolas de dinheiro ou roupas de troca (alforje era uma mochila ou bolsa de viagem). Representa a necessidade de fé inabalável, sem ansiedades desnecessárias sobre carências físicas, mantendo o foco na missão. Em outros momentos, porém, Jesus instruiu de forma diferente, indicando que as ordens eram situacionais e específicas para aquele contexto de missão rápida (Lc 22.36). Deus é quem decide como e quando iremos!

Caminhos direitos

A Bíblia assegura que Deus é o Juiz de toda a terra e todos os seus caminhos são justos, nunca se igualando à injustiça. Ele é descrito como o único Legislador e Juiz que julga o mundo com justiça, retidão e imparcialidade, diferente dos juízes humanos. A expressão "há um juiz na terra" está fundamentada no conceito bíblico de que Deus é o juiz supremo e justo de toda a humanidade (Gn 18.25). Ele é competente para julgar tanto os vivos quanto os mortos, garantindo que a retribuição (humilhação ou exaltação) ocorra conforme suas ações e, se a justiça falha na terra, Deus é o justo Juiz que corrige, corrige as nações e cuida do seu povo. A justiça de Deus é baseada em sua soberania; Ele estabeleceu seu trono para julgar e é o árbitro final da retidão (Tg 4.11-12; Sl 94). A couraça da justiça, mencionada na Epístola aos Efésios, trata de uma parte da armadura de Deus. Ela é uma proteção espiritual que cobre o coração e os órgãos vitais do cristão. Protege a vida espiritual e a mente contra os "dardos inflamados" (mentiras e acusações) do maligno. Simboliza a justiça imputada por Cristo, que protege contra as acusações do inimigo, e a conduta íntegra do crente (Ef 6.14). Estar com a couraça da justiça firme no lugar é fundamental para a batalha espiritual, garantindo a proteção emocional e moral contra as investidas do diabo. Há situações que o julgamento do Altíssimo vem logo após o desvio como no caso do Jardim do Éden, entretanto a Bíblia fala que em outros casos a sentença será no final, no porvir ou juízo final. Segundo Pedro o Senhor é longânimo, não querendo que muitos se percam, pois há um tempo determinado até para a justiça do Eterno (2 Pd 3.9). O apóstolo acrescenta que o julgamento começa pela casa de Deus, indicando que o juízo divino focando na purificação e disciplina dos filhos de Deus antes da condenação final dos ímpios (1 Pd 4.17). Se há um juiz na terra, o crente deve procurar fazer "veredas direitas", adotando condutas retas, fortalecendo a fé e influenciar positivamente outros, permitindo que os "manquejantes" se curem em vez de se desviarem (Hb 12.13).

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O vosso pecado vos há de achar

A Palavra de Deus diz: “… e sabei que o vosso pecado vos há de achar”. Para Deus não há limite de tempo, para Ele o tempo é sempre presente, eternamente presente. Segundo a Bíblia, se a pessoa cometer pecado abominável, hediondo, hoje, com certeza receberá o retorno em qualquer época de sua vida. Quando tudo parecer tranquilo, esquecido, eis o resultado a porta, e nem sempre em condições de ser resolvido a contento. "O vosso pecado vos há de achar" é uma célebre advertência bíblica encontrada em Números. Significa que ações erradas ou desobediências a Deus não ficarão ocultas e trarão consequências inevitáveis. O texto alerta que o pecado possui poder de retribuição, tornando a responsabilização certeira, mais cedo ou mais tarde. Reforça o princípio bíblico de que se colhe o que se semeia (Gl 6.7-8), sendo a prestação de contas uma certeza. A única forma de escapar das consequências eternas do pecado, segundo a perspectiva teológica, é através do perdão. O pecado de Joabe não tratado por Davi tornou-se herança para Salomão julgar. Mais uma vez aqui há princípio “Estai certos de que o vosso pecado vos há de achar” ( Nm 32.23). Quando soube da ordem de execução, Joabe correu para o altar e se agarrou às pontas do mesmo (1Rs 2.28-29). No Antigo Testamento, o altar era símbolo de refúgio (Êx 21.13-14). Mas havia uma condição: o refúgio não se aplicava ao homicida doloso. Assim, Benaia declarou: “Assim o disse o rei: Mata-o ali e sepulta-o” (1Rs 2.31). Atividades religiosas ou proximidade do sagrado (o “altar”) não podem proteger, mas sem arrependimento verdadeiro não há proteção (Is 1.11-15; Mt 7.22-23). Joabe matou Abner e Amasa à traição; agora, ele mesmo morreu pela espada de outro (1Rs 2.34). É a aplicação literal de Gálatas: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” Jesus confirmou o mesmo princípio: “Todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão” (Mt 26.52). Joabe viveu sob a cobertura de Davi, participou de conquistas, mas não se submeteu ao coração de Deus. Sua morte no altar demonstra a falência da religiosidade sem transformação (Ez 33.31; 2Tm 3.5). Assim como Judas morreu enforcado (At 1.18) e Ananias caiu morto diante do altar da oferta (At 5.1-10), Joabe é lembrança de que nenhum cargo, passado de vitórias ou proximidade do sagrado substitui um coração quebrantado (Sl 51.17).

Quando a injustiça ganha raízes

A disputa entre Joabe (comandante de Davi) e Abner (comandante de Saul/Isbosete) foi uma vingança de sangue relatada no segundo livro de Samuel. Joabe assassinou traiçoeiramente Abner em Hebrom para vingar a morte de seu irmão, Asael, morto por Abner em combate prévio em Gibeão, gerando luto em Davi e tensão política. Apesar de que Abner matou Asael, isso nunca foi esquecido ou perdoado pelo irmão de Joabe, em autodefesa, durante uma batalha entre as forças de Davi e as de Isbosete (filho de Saul). Após Abner fazer um acordo de paz com Davi, Joabe o chamou à parte no portão de Hebrom e o apunhalou no estômago, agindo por vingança pessoal, não por ordem do rei (2 Sm 2-3). Davi lamentou profundamente a morte de Abner, demonstrando que não foi sua a ordem, e temeu a violência de Joabe e seu irmão Abisai, os "filhos de Zeruia". Asael tinha uma posição de destaque entre os guerreiros durante o reinado de Davi em Judá. O nome Asael significa “Deus fez”. O texto bíblico destaca a coragem e a agilidade de Asael (2 Sm 2.18; 23.24). Ele era um dos trinta homens valentes de Davi, ou seja, ele fazia parte de um grupo de guerreiros de elite que se destacaram por suas proezas em batalhas (2 Sm 23.24; (1 Cr 11.26). O rei considerou o ato um assassinato, profetizando que a casa de Joabe seria manchada por doenças e violência devido ao sangue derramado de um homem superior a ele. Enfim, o relato destaca o conflito entre a lealdade militar (Joabe) e a necessidade de estabilidade política (Davi), mostrando como a vingança pessoal de Joabe quase comprometeu o reinado de Davi. A morte de Asael teve implicações significativas para a ascensão de Davi ao trono, que acabou sendo adiada, e o que se seguiu foi uma longa guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi. Davi reconheceu a injustiça do assassinato de Abner e lamentou publicamente (2Sm 3.28-39). Contudo, não puniu Joabe, seu silêncio abriu espaço para que o general repetisse o mesmo padrão, matando Amasa (2Sm 20.10) e desobedecendo ordens diretas ao matar Absalão (2Sm 18.14). Esse episódio expõe um perigo espiritual: quando a liderança prefere silenciar em vez de disciplinar, a injustiça ganha raízes. Não disciplinar um Joabe é enfraquecer a autoridade, desamparar os Amasas e atrasar a paz do rebanho.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

O trato do cristão

O rei Davi agradecido ao Senhor pelo livramento de seus inimigos declara que Ele trata o benigno com benignidade, com sinceridade o sincero, com pureza o puro, mas com o perverso Ele se mostra indomável (bravo). Assim, o Espírito Santo fica enfurecido com o maldoso intencional: "... com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomável" (Sl 18.26). O sábio Salomão diz que tratar com pessoas ignorantes necessita discernimento, não é fácil e para ele, o homem sábio que pleiteia com o tolo, quer se zangue, quer se ria, não terá descanso. Orienta que há dois caminhos, se responder segundo a loucura do ignorante não seremos sábios a nossos olhos e também é bom não responder segundo a sua estultícia para não sermos igual a ele. O sábio sabe calar na hora certa, pois às vezes o silêncio é a melhor resposta contra a tolices (Pv 17.28). O apóstolo Paulo a Timóteo em sua primeira epístola instrui o jovem obreiro como deve andar na igreja quanto ao trato de todos os grupos que existem na comunidade local de cada região. O líder da igreja em Jerusalém, o apóstolo Tiago, irmão de Jesus, talvez seja, com a graça de Deus, a referência na bíblia de ensino sobre como deve ser o trato do cristão. O cristão é chamado a promover a paz, semeando justiça por meio de um comportamento guiado pelo alto, e não por motivações egoístas Enfim, no capítulo 3 ele fala sobre a verdadeira sabedoria no trato que entre outras coisas são “pacíficas, moderadas e tratáveis” pois A verdadeira sabedoria não é apenas intelectual, mas se mostra pelo "bom trato" (bom procedimento) e atitudes mansas.