quarta-feira, 22 de julho de 2026

Por que não pudemos nós expulsá-lo?

Jesus disse que os discípulos não conseguiram expulsar o espírito maligno por causa da pouca fé deles. Sem dúvidas alguma, é certo que o hábito de boas práticas espirituais como oração e jejum aumenta a fé e a devoção ao Altíssimo. A tradição judaica, entre elas o jejum, é muito relevante para o cristianismo, mas a igreja em Jerusalém, com um discernimento sem igual, definiu que ela não era necessária para os gentios que creram no Messias. Segundo o relato bíblico, o Mestre destacou que até mesmo uma fé pequena, como uma semente de mostarda, seria suficiente para realizar grandes feitos. Outrossim, o mundo espiritual é bem organizado e pode ser que o Eterno estava atestando ali uma classe de demônio diferenciada. Imagine um grande anjo, Gabriel tendo uma ordem para levar uma mensagem a Daniel e, é interpelado por outro ser espiritual ( o rei da Pérsia). Foi necessário chamar um dos maiores arcanjos divinos para reslver o impasse! A Nova Versão Internacional de 2023, inclusive, tira, acertadamente, o peso do versículo 21, do capítulo 17 de Mateus de ser uma fala do Eterno, pois foi averiguado que era apenas um comentário dos tradutores.

terça-feira, 21 de julho de 2026

O que a Igreja primitiva decidiu sobre os gentios?

Quando o doutor Paulo é enviado pelo Espírito aos gentios e muitos deles se convertem, havia uma forte discussão se os novos cristãos vindos de outros povos precisavam se circuncidar e seguir todas as leis judaicas de Moisés. Os apóstolos (liderados por Tiago, Pedro e Paulo) decidiram que não era necessário impor toda a lei judaica sobre eles, exigindo apenas esses quatro pontos essenciais para manter a santidade e a comunhão entre cristãos judeus e gentios. É certo que essa é uma das mais importantes decisões da igreja cristã primitiva registrada no Novo Testamento da Bíblia, especificamente no livro de Atos dos Apóstolos no capítulo 15. Trata-se do Decreto Apostólico do Concílio de Jerusalém, onde os apóstolos definiram quais regras da lei de Moisés os cristãos gentios (não judeus) deveriam seguir. Assim concluíram os pais dda Igreja: os crentes deveriam evitar a participação em rituais pagãos e não comer carne que tivesse sido oferecida a deuses falsos. Não comer o sangue de animais nem a carne de animais que morriam por estrangulamento (sufocados), pois o sangue permanecia retido na carne pois o sangue representa a vida e pertence a Deus. Enfim, ainda tinham que abster-se de relações sexuais fora do casamento e de práticas ligadas à prostituição cultual, que era comum nos templos pagãos da época.

Os seus discípulos não jejuam?

O trecho citado relata Jesus explicando que o jejum não era apropriado naquele momento. Ele compara a Sua presença com a de um "noivo" em uma festa de casamento. Como os convidados não jejuam enquanto o esposo está presente, Seus discípulos se alegravam, mas jejuariam quando Ele partisse: “Será que os amigos do noivo têm motivo para ficar de luto enquanto o noivo está com eles? Mas virão dias em que o noivo será tirado deles, e então jejuarão” (Mt 9.14-15). João Batista foi preso algum tempo depois de Jesus celebrar a Páscoa de 30 EC. O profeta queria que seus discípulos se tornassem seguidores de Jesus, mas já faz alguns meses que ele está na prisão, e nem todos fizeram isso. À medida que a Páscoa de 31 EC se aproxima, alguns dos discípulos de João vão até Jesus e perguntam: “Por que nós e os fariseus praticamos o jejum, mas os seus discípulos não jejuam?”. Os fariseus costumam jejuar como um ritual religioso judaico. Mais tarde, Jesus conta uma ilustração sobre um fariseu orgulhoso que faz a seguinte oração: “Ó Deus, eu te agradeço que não sou como todos os outros . . . Jejuo duas vezes por semana” (Lc 18.11, 12). Enfim, Ele quer ajudar os discípulos de João a entender que não devem esperar que os seguidores de Jesus se apeguem a antigas práticas do judaísmo como, por exemplo, jejuar como um ritual. O Mestre não veio remendar uma forma de adoração desgastada nem fazer com que ela seja praticada por mais tempo. Jesus não está incentivando uma forma de adoração que se adapte ao judaísmo da época e às tradições judaicas inventadas por homens. Ele não está tentando colocar um remendo em uma roupa velha ou vinho novo em um odre (um tipo de recipiente de pele) velho e endurecido.

Logo, estão livre os filhos

A frase "Logo, estão isentos os filhos" faz parte de um episódio em Cafarnaum relatado na Bíblia. Nela Jesus explica a Pedro que, assim como os reis da terra não cobram impostos de seus próprios filhos, Ele e seus discípulos, sendo filhos de Deus, estariam livres do imposto do templo. No entanto, para não causar escândalos, Jesus instruiu Pedro a pescar e pagar o tributo com a moeda encontrada na boca do peixe. Essa passagem é frequentemente citada para ilustrar a liberdade dos filhos de Deus e o princípio de vivermos com sabedoria, evitando conflitos desnecessários. Há, ainda, outros ensinamentos sobre a postura proposta por Jesus em relação às autoridades civis e religiosas da época, além de demonstrar seu controle sobre a criação. Trata-se do imposto do Templo (de duas dracmas), cobrado anualmente de todos os judeus homens adultos para a manutenção do Tabernáculo/Templo. Jesus argumenta com Pedro que, como Ele é o Filho de Deus (o dono do Templo), Ele e Seus discípulos estariam isentos de pagar a taxa. Filhos de reis não pagam tributos aos próprios pais! Mesmo tendo o direito legal e divino de não pagar, Jesus opta por fazê-lo. A palavra grega usada para "escândalo" (skandalizo) refere-se a colocar um tropeço no caminho de alguém. Jesus não queria que Sua recusa fosse interpretada como rebeldia, falta de piedade ou desrespeito ao Templo, o que desviaria o foco de Sua verdadeira missão messiânica. Jesus ordena que Pedro vá ao mar e lance o anzol: o primeiro peixe fisgado traria na boca um estater (uma moeda de prata equivalente a quatro dracmas). O valor cobriu exatamente a taxa de duas pessoas: a de Jesus e a de Pedro.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Utopia na Bíblia

O termo utopia foi cunhado pelo escritor inglês Thomas More em seu livro Utopia. A palavra deriva do grego ou (que significa "não" ou "nenhum") e topos (que significa "lugar"), resultando em "lugar nenhum" ou "lugar inexistente" A utopia é também entendida como a busca por uma sociedade ideal e encontra sua expressão na Bíblia no conceito do Reino de Deus. Longe de ser um mero sonho inalcançável, esse ideal motiva os cristãos a buscarem justiça, amor ao próximo e paz, transformando a realidade presente. Na Bíblia, essa visão é materializada em diferentes momentos. Um deles é o jardim do Éden como uma harmonia total entre o Criador, a humanidade e a natureza (Gn 2). Isaías descreve uma utopia presente onde lobos e cordeiros (pessoas transformadas no Reino) convivem e a justiça reina para os oprimidos (Is 11.1-9). Enfim, Jesus proclama a utopia como uma realidade presente e ativa, exigindo mudança de vida e compaixão pelos marginalizados (Mc 1.15). Para além dessa existência ainda há a nova Jerusalém, a consumação da utopia divina, onde não haverá mais dor, morte ou pranto (Ap 21). De maneira geral, o Reino de Deus refere-se ao governo de Deus sobre a criação, sendo um tema central na pregação de Jesus e na Bíblia como um todo, abrangendo aspectos como a soberania de Deus, a salvação através de Jesus Cristo e a vida eterna. Daniel passou por vários reinos e acessorou vários reis e reinos. No final de sua vida tinha deixado um legado de luz e comunhão com o Criador, testificado pela rainha mãe de Belzazar filho de Nabucodonozor e amigo de Dario, o medo. Ele testifica sobre a pedra como um reino, mas, em contraste com os reinos terrestres e humanos, esse reino jamais será destruído, e não passará a outro povo. A pedra não entra na sucessão dos reinos representados pela estátua, mas se estabelece de forma independente “nos dias desses reis”, ou seja, no tempo em que estes governos estão se sucedendo na terra. A glória desse reino começa pequena e de forma simples como uma pedra, mas no fim se torna como um monte que enche toda a terra. É o reino de Deus que, embora presente entre os homens, não é deste mundo e nada tem de terreno (Mt 4.17; Jo 18.36). Nele só entram os que são trazidos por Deus (Cl 1.13; Ap 1.6, 9). O reino de Deus embora sem aparência exterior (Lc 17.20- 21), é um reino cuja grandeza e glória aumentarão mais e mais até a sua plena manifestação na vinda de Cristo e na destruição final dos reinos deste mundo (1 Co 15.24-28). A base deste reino é a pessoa do seu próprio Rei, Cristo Jesus, identificado como a pedra eleita por Deus (1 Pe 2.4-6).