terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O vosso pecado vos há de achar

A Palavra de Deus diz: “… e sabei que o vosso pecado vos há de achar”. Para Deus não há limite de tempo, para Ele o tempo é sempre presente, eternamente presente. Segundo a Bíblia, se a pessoa cometer pecado abominável, hediondo, hoje, com certeza receberá o retorno em qualquer época de sua vida. Quando tudo parecer tranquilo, esquecido, eis o resultado a porta, e nem sempre em condições de ser resolvido a contento. "O vosso pecado vos há de achar" é uma célebre advertência bíblica encontrada em Números. Significa que ações erradas ou desobediências a Deus não ficarão ocultas e trarão consequências inevitáveis. O texto alerta que o pecado possui poder de retribuição, tornando a responsabilização certeira, mais cedo ou mais tarde. Reforça o princípio bíblico de que se colhe o que se semeia (Gl 6.7-8), sendo a prestação de contas uma certeza. A única forma de escapar das consequências eternas do pecado, segundo a perspectiva teológica, é através do perdão. O pecado de Joabe não tratado por Davi tornou-se herança para Salomão julgar. Mais uma vez aqui há princípio “Estai certos de que o vosso pecado vos há de achar” ( Nm 32.23). Quando soube da ordem de execução, Joabe correu para o altar e se agarrou às pontas do mesmo (1Rs 2.28-29). No Antigo Testamento, o altar era símbolo de refúgio (Êx 21.13-14). Mas havia uma condição: o refúgio não se aplicava ao homicida doloso. Assim, Benaia declarou: “Assim o disse o rei: Mata-o ali e sepulta-o” (1Rs 2.31). Atividades religiosas ou proximidade do sagrado (o “altar”) não podem proteger, mas sem arrependimento verdadeiro não há proteção (Is 1.11-15; Mt 7.22-23). Joabe matou Abner e Amasa à traição; agora, ele mesmo morreu pela espada de outro (1Rs 2.34). É a aplicação literal de Gálatas: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” Jesus confirmou o mesmo princípio: “Todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão” (Mt 26.52). Joabe viveu sob a cobertura de Davi, participou de conquistas, mas não se submeteu ao coração de Deus. Sua morte no altar demonstra a falência da religiosidade sem transformação (Ez 33.31; 2Tm 3.5). Assim como Judas morreu enforcado (At 1.18) e Ananias caiu morto diante do altar da oferta (At 5.1-10), Joabe é lembrança de que nenhum cargo, passado de vitórias ou proximidade do sagrado substitui um coração quebrantado (Sl 51.17).

Quando a injustiça ganha raízes

A disputa entre Joabe (comandante de Davi) e Abner (comandante de Saul/Isbosete) foi uma vingança de sangue relatada no segundo livro de Samuel. Joabe assassinou traiçoeiramente Abner em Hebrom para vingar a morte de seu irmão, Asael, morto por Abner em combate prévio em Gibeão, gerando luto em Davi e tensão política. Apesar de que Abner matou Asael, isso nunca foi esquecido ou perdoado pelo irmão de Joabe, em autodefesa, durante uma batalha entre as forças de Davi e as de Isbosete (filho de Saul). Após Abner fazer um acordo de paz com Davi, Joabe o chamou à parte no portão de Hebrom e o apunhalou no estômago, agindo por vingança pessoal, não por ordem do rei (2 Sm 2-3). Davi lamentou profundamente a morte de Abner, demonstrando que não foi sua a ordem, e temeu a violência de Joabe e seu irmão Abisai, os "filhos de Zeruia". Asael tinha uma posição de destaque entre os guerreiros durante o reinado de Davi em Judá. O nome Asael significa “Deus fez”. O texto bíblico destaca a coragem e a agilidade de Asael (2 Sm 2.18; 23.24). Ele era um dos trinta homens valentes de Davi, ou seja, ele fazia parte de um grupo de guerreiros de elite que se destacaram por suas proezas em batalhas (2 Sm 23.24; (1 Cr 11.26). O rei considerou o ato um assassinato, profetizando que a casa de Joabe seria manchada por doenças e violência devido ao sangue derramado de um homem superior a ele. Enfim, o relato destaca o conflito entre a lealdade militar (Joabe) e a necessidade de estabilidade política (Davi), mostrando como a vingança pessoal de Joabe quase comprometeu o reinado de Davi. A morte de Asael teve implicações significativas para a ascensão de Davi ao trono, que acabou sendo adiada, e o que se seguiu foi uma longa guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi. Davi reconheceu a injustiça do assassinato de Abner e lamentou publicamente (2Sm 3.28-39). Contudo, não puniu Joabe, seu silêncio abriu espaço para que o general repetisse o mesmo padrão, matando Amasa (2Sm 20.10) e desobedecendo ordens diretas ao matar Absalão (2Sm 18.14). Esse episódio expõe um perigo espiritual: quando a liderança prefere silenciar em vez de disciplinar, a injustiça ganha raízes. Não disciplinar um Joabe é enfraquecer a autoridade, desamparar os Amasas e atrasar a paz do rebanho.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

O trato do cristão

O rei Davi agradecido ao Senhor pelo livramento de seus inimigos declara que Ele trata o benigno com benignidade, com sinceridade o sincero, com pureza o puro, mas com o perverso Ele se mostra indomável (bravo). Assim, o Espírito Santo fica enfurecido com o maldoso intencional: "... com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomável" (Sl 18.26). O sábio Salomão diz que tratar com pessoas ignorantes necessita discernimento, não é fácil e para ele, o homem sábio que pleiteia com o tolo, quer se zangue, quer se ria, não terá descanso. Orienta que há dois caminhos, se responder segundo a loucura do ignorante não seremos sábios a nossos olhos e também é bom não responder segundo a sua estultícia para não sermos igual a ele. O sábio sabe calar na hora certa, pois às vezes o silêncio é a melhor resposta contra a tolices (Pv 17.28). O apóstolo Paulo a Timóteo em sua primeira epístola instrui o jovem obreiro como deve andar na igreja quanto ao trato de todos os grupos que existem na comunidade local de cada região. O líder da igreja em Jerusalém, o apóstolo Tiago, irmão de Jesus, talvez seja, com a graça de Deus, a referência na bíblia de ensino sobre como deve ser o trato do cristão. O cristão é chamado a promover a paz, semeando justiça por meio de um comportamento guiado pelo alto, e não por motivações egoístas Enfim, no capítulo 3 ele fala sobre a verdadeira sabedoria no trato que entre outras coisas são “pacíficas, moderadas e tratáveis” pois A verdadeira sabedoria não é apenas intelectual, mas se mostra pelo "bom trato" (bom procedimento) e atitudes mansas.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Levando cativo o cativeiro

A expressão "manietar o valente" (ou "amarrar o homem forte") provém das parábolas de Jesus. Ela ilustra que, para libertar os cativos (roubar os bens) de Satanás (o valente), Jesus precisou primeiro subjugá-lo, demonstrando sua Jesus disse isso ao ser acusado de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, explicando que seu poder vinha do Espírito de Deus. Nela o Valente (Homem Forte) representa Satanás, que guarda o seu "território" e mantém os seres humanos cativos (Mc 3.27, Mt 12.29 e Lc 11.21-22). Quanto a ação (Manietar) que significa amarrar, restringir ou subjugar o poder de Satanás. Jesus faz isso através de sua obra expiatória e poder sobre os demônios, levando cativo o que estava em cativeiro e como Paulo diz após a sua conversão: "...sou preso de Cristo" (Ef 3.1). O resultado prático de saquear a casa é a libertação de pessoas da influência do mal e a expansão do Reino de Deus. Dentro de uma pequena análise textual de um dos exemplos citados pelo apóstolo Paulo, agora aos Efésios, em seu capítulo 4 e verso 8: “...subindo ao alto...”, não há outra melhor verossimilhança do que o Altíssimo ao subir glorificado, leva preso (o apóstolo, por exemplo, disse algumas vezes, “ o preso do Senhor”) o que estava aprisionado em uma vida de pecados e delitos , e, agora dá ferramentas para o trabalho no Reino. Assim, os dons são ferramentas espirituais dadas à Igreja para o trabalho na Seara do Mestre. A dedicação ao dom chama-se ministério, os quais são descritos a seguir a partir do verso 11 deste capítulo. Permita-me contribuir com uma discussão frequente e que fui recentemente questionado: “Há ainda apóstolos?” É claro, tanto quanto aos pastores (estrelas), doutores, evangelistas e profetas. E outra pergunta que fizeram: “ o irmão acredita em jubilamento”. Sim acredito, há em muitas denominações, contudo na Bíblia não tem essa referência. Acredito que a tendência é o ministro ficar mais alinhado ao Espírito e assim, a ferramenta fica mais afiada, necessitando de menor força: " ...na velhice darão frutos". Em resumo, a Bíblia ensina que Jesus é o "mais valente" que venceu o valente, tornando a libertação espiritual possível.

Babilônia: até o céu não chegará

Depois de Jerusalém, Babilônia é a cidade mais citada na Bíblia e fisicamente se localiza onde hoje está o Iraque. Quando se fala de Babilônia não chegar ao céu refere-se à independência do Altíssimo (insubmissão). A história começa na Torre de Babel com a construção de uma torre que alcançaria os céus, uma maneira de se livrar do juízo divino, uma união rebelde e soberba das nações contra Eterno. Deus causa confusão na humanidade estabelecendo diferentes idiomas, o que impediu que a torre fosse concluída (Gn 11.1-9). Não há armas nessa guerra divina, nem a sua soberba não a salvará: "Mesmo que a Babilônia pudesse subir até o céu e construir ali uma fortaleza, ainda assim eu mandaria gente para destruí-la", diz o Senhor. A queda de Babilônia será tão súbita e inesperada quanto foi a da Babilônia de Nabucodonosor. Olhando para as ruínas de Babilônia hoje, é difícil acreditar que aquilo já foi uma potência mundial. A Babilônia de Nabucodonosor sobrepujou muitas nações. Humilhava reinos, levava embora cativos lhes negava a esperança de liberdade (Jr 50.33). Nem mesmo que a Babilônia subisse ao céu ou fortalecesse sua altura, o juízo de Deus a derrubaria, transformando-a em ruínas (Jr 51.9,53). O julgamento sobre a Babilônia é descrito como tão grande que chega até os céus, indicando a magnitude da sua queda. Profetizada como uma destruição total, onde a cidade nunca mais seria habitada (Is 13.19-20). No livro do profeta Daniel, o rei Nabucodonosor exalta sua própria glória ao construir a Babilônia com seu poder, o que imediatamente atrai a sentença divina de humilhação, resultando em sua perda do reino e loucura, para que reconhecesse o domínio do Altíssimo. Nabucodonosor diz: "Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder e para glória da minha magnificência?". Antes mesmo de terminar a frase, uma voz do céu decretou a perda de seu reino. O rei foi expulso do convívio humano e viveu como animal por sete tempos até reconhecer que Deus domina sobre os reinos humanos (Dn 4.31-33). No contexto de Apocalipse, Babilônia representa a humanidade desviada de Deus, representando o orgulho humano que se opõe a Deus, e a Bíblia afirma que esse poder não subsistirá perante o juízo divino. É comparada com uma mulher prostituta, pois se desencaminhou da orientação do seu Senhor, desde o Gênesis até o Apocalipse. Esta mulher, como mostrada ao apóstolo João, estava trazida pela besta, já relatada no capítulo 13 do Apocalipse, com sete cabeças e dez chifres (vem do império romano). Mostra uma relação íntima entre ela e a besta (estrutura coloca pelo dragão), obviamente, que é o sistema de poder globalizado deste mundo. E, ainda mais, sustentada pelo dragão, embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus. A besta é um retalho, com domínios mundiais que existiram, outros deixaram de existir e ainda outros que voltariam a emergir. Entretanto, os próprios chifres que a queimarão no fogo, isto é, esses poderes globais iriam julgar e condenar a própria Babilônia (Ap 8). O apóstolo se admira e o anjo lhe disse que lhe mostraria o segredo da mulher e da besta que a traz. Os sete montes, que são os impérios mundiais, que sempre perseguiram a igreja, é bom sempre lembrar disso, determinados pelo Altíssimo desde Egito, Assíria, Caldéia, Medo-Persa, Grego, Romano e o governo globalizado atual. Na época do apóstolo amado, estava no sexto, o romano e ainda um último viria que são os pés e dedos da revelação já dada ao profeta Daniel no capítulo 2 de seu livro, e entregarão o seu poder e autoridade à besta. Em síntese, de maneira bem simplificada e retornando à antiga Babel, Babilônia significa confusão e rebelião contra Deus e ela é apoiada pelos governos no mundo atual. Não é só uma instituição que se desviou dos princípios bíblicos e sim, claramente, toda a humanidade desviada (Ap 14.8 e 18).