sexta-feira, 17 de julho de 2026

Desde agora ninguém me inquiete

Paulo escreveu aos cristãos na Galácia porque estava muito preocupado com um conflito dentro da comunidade, uma crise provocada pelos cristãos que tinham vindo do judaísmo e que com seus ensinamentos buscavam “corromper o Evangelho de Cristo”. A frase "...desde agora ninguém me inquiete" é um famoso trecho bíblico do apóstolo Paulo no fim da carta. A expressão marca a convicção e o encerramento das discussões do autor, que considerava as dificuldades superadas e sua dedicação à fé já provada. Ele reafirma sua autoridade e dedicação total a Cristo, indicando que as dificuldades e perseguições físicas que ele sofreu por causa do Evangelho. Sua "marcas" ou cicatrizes são a prova de que ele pertence a Jesus e não precisa ser questionado (Gl 6.17).

Compartilhando os bens

A frase "E o que é instruído na Palavra" refere-se à exortação do apóstolo Paulo aos Gálatas. Didaquê (Διδαχὴ) é uma palavra grega que significa ensino, doutrina ou instrução. O texto orienta que aqueles que são ensinados nos ensinamentos cristãos devem compartilhar seus bens e recursos com os seus mestres e líderes espirituais. O contexto traz dois desdobramentos importantes que merecem destaque. O primeiro, instrui os membros da comunidade a serem generosos e a cuidarem do sustento material de quem dedica a vida ao ensino e à pregação da Palavra. Isso inclui o apoio voluntário com alimentos, recursos ou assistência financeira, fortalecendo o cuidado mútuo dentro da igreja. O segundo, lembra que "tudo o que o homem semear, isso também ceifará", reforçando que o cristão não deve se cansar de fazer o bem, incentivando a solidariedade e a generosidade com todos, especialmente com a comunidade de fé (Gl 6.7-10).

Há um juiz na terra

Assim expresssa a Bíblia sobre Adoni-Bezeque: "... derrotaram a dez mil homens (os perizeus e os cananeus) em Bezeque (Jz 1.4) e acharam o líder Adoni-Bezeque. Pelejaram contra ele (Jz 1.5) que consegue fugir mas foi perseguido, preso e lhe cortaram os dedos polegares das mãos e dos pés (Jz 1.6 B). O próprio Adoni-Bezeque, “o senhor de Bezeque” de acordo com Moody, assim se expressa: “...setenta reis, com os dedos polegares das mãos e dos pés cortados, apanhavam as migalhas debaixo da minha mesa; assim como eu fiz, assim Deus me pagou” (Jz 1.7). Ainda segundo Moody, “a mutilação física desqualificava uma pessoa de ocupar cargo religioso ou civil” (MOODY, p.5). Uma abordagem bíblica a ser defendida diante deste acontecimento é a consideração de Abraão de que o Senhor é “juiz de toda a terra” (Gn 18.25) ao interceder por seu sobrinho diante da destruição que viria sobre a cidade de Sodoma e Gomorra como também destacado a frase de Moisés que o pecado tem consequências (Nm 32.23 B). Nos Salmos há ainda várias referências da justiça divina: “... os céus anunciarão a sua justiça, pois Deus mesmo é o Juiz” (Sl 50.6), “mas Deus é o juiz; a um abate e a outro exalta” (Sl 75.7) e, “... exalta-te, tu, que és juiz da terra; dá o pago aos soberbos” (Sl 94.2). Outra forma possível de análise do ocorrido com o rei de Bezeque e que serve como ensinamento é a lei da semeadura e colheita pela qual se entende como o apóstolo Paulo ensina aos Gálatas no verso 7, parte B do capítulo 5: “...porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 5.7 B). O douto mestre ainda explana de forma mais aprofundada quanto à quantidade a ser colhida na segunda carta aos Coríntios na partir do verso 6 do capítulo 9: “... o que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará” (2 Co 9.6). Enfim, o próprio Messias ensinou que não se deve esperar do próximo um tratamento diferente daquele que oferecemos: “E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira fazei-lhes vós também” (Lc 6.31) e “dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos darão; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo” (Lc 6.38).

Bendito o Deus de Sem

“E disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos seja aos seus irmãos. E disse: Bendito seja o SENHOR Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo” (Gn 9. 25 a 27). Mas, teria Deus "aceitado" aquelas palavras? No texto acima temos três detalhes: a maldição em Cam, a benção material em Jafé e a benção em Sem. É notório que na descendência de Cam, ou mais precisamente em Canaã, temos uma descendência reprovada por Deus, pois eram cananeus os habitantes de Sodoma e Gomorra e os povos que foram desalojados por Josué. Os povos descendentes de Jafé foram os povos que conquistaram a Europa e a Ásia, tendo de fato uma “largueza de terras”. A chamada de Abraão para ser uma benção espiritual responde afirmativamente a esta questão mostrando que Deus "confirmou" aquelas palavras, pois ele é da descendência de Sem (Gn 11.27-28). “... em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.13). A bênção de Sem era conhecer o Deus verdadeiro, “bendito o Deus de Sem...”. É nesta descendência que temos os “homens de Deus ou os homens por quem Deus falava para a humanidade” e por fim Jesus. Sem, Abraão, Isaque, Jacó, Judá, Davi e depois Jesus, esta é a sequência – “... a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22). Assim sendo, há na Terra a distinção hierárquica de bênçãos: primeiramente a espiritual e depois a material - sob as espirituais (habite nas tendas de Sem Vs. 27). É um caminho melhor que se busque a "benção de Sem” ou” a bênção de Abraão" ou que até se desfrute das riquezas materiais, mas desde que seja “nas tendas de Sem”, ou seja, na “cobertura da bênção do Deus de Sem”.

Maus exemplos

No capítulo 11 da epístola aos Hebreus, há vários exemplos de heróis que experimentaram escárnios e açoites, cadeias e prisões, foram apedrejados, cerrados e tentados. Mas, tiveram testemunho de fé e estão guardados em Deus para nosso aperfeiçoamento. Em contraste, na epístola de Judas, o autor usa figuras do Antigo Testamento e da tradição judaica como maus exemplos para alertar a igreja contra falsos mestres e cristãos apóstatas. O texto começa com Caim mostrando que o ódio, o egoísmo são caminhos de morte (v. 11). O primeiro homicídio da história humana foi de um irmão contra seu próprio irmão, causado por um desejo não controlado e uma não aceitação do conselho de Deus (Gn 4.6). Na primeira carta do apóstolo João, ele diz que Caim era do maligno, e que as obras de Abel eram justas e o escritor aos Hebreus diz que pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho que era justo. Balaão é um exemplo claro de ganância, de corrupção e de desvio do povo de Deus por amor ao lucro (v. 11). Corá se rebela contra a liderança e a ordem estabelecida por Deus (v. 11). Os israelitas rebeldes, embora libertos do Egito, foram destruídos no deserto por causa da incredulidade (v. 5). Já os anjos caídos abandonaram sua posição original de autoridade e se rebelaram (v. 6). Por fim, Sodoma e Gomorra que simbolizavam a imoralidade sexual extrema e o desvio da ordem natural foram punidas pelo juízo divino (v. 7).