domingo, 27 de setembro de 2026

Uma ascensão rápida

Perigo, o homem entregue a si mesmo

O homem entregue a si mesmo é um estado em que Deus retira a Sua contenção moral e permite que o ser humano colha as consequências de afastar-se voluntariamente de Seus princípios. Não se trata de uma ação ativa de maldade por parte de Deus, mas de um ato judicial de permissão, onde o Criador respeita a escolha humana de viver sem a Sua direção. Quando o homem rejeita o conhecimento de Deus e troca a verdade pela mentira, o próprio pecado passa a ser a punição, levando a uma desordem nos desejos e nas relações. Enfim, esse abandono resulta em três esferas de entrega descritas pelo apóstolo Paulo: a impureza moral (desonra do corpo), as paixões vergonhosas e, por fim, uma disposição mental reprovável (mente depravada).

Desorientação, vazio, libertinagem

Na transição para o mundo moderno, a promessa era a libertação das amarras das tradições, da religião e do absolutismo. No ambiente digital e nas redes sociais, a linha que separa a liberdade da libertinagem torna-se ainda mais ténue. A arquitetura destas plataformas funciona como um catalisador que amplifica os comportamentos individualistas e a ausência de limites éticos. Com a modernidade, as relações tornaram-se "líquidas", descartáveis e focadas no consumo individual, onde a busca desenfreada pela satisfação pessoal muitas vezes emula a libertinagem. É certo que quando a sociedade perde as suas regras morais comuns em nome de um individualismo extremo, os indivíduos entram num estado de desorientação (anomia), confundindo a ausência de regras com a liberdade. No entanto, essa emancipação que nos libertou de velhas estruturas, de igual modo, deixou-nos num vazio pois os algoritmos são desenhados para reter a atenção do utilizador, entregando-lhe conteúdos que confirmam os seus preconceitos. Enfim, o homem está entregue a si mesmo (Rm 1.24-28)!

Mercado e religião

Há pensadores que definem o sistema econômico não apenas como uma estrutura de mercado, mas como uma prática cultural com dinâmicas estritamente religiosas. Segundo eles o capitalismo funciona por meio de um culto contínuo, manifesto no trabalho e no consumo diário, operando sem uma teologia tradicional explícita, mas exigindo devoção prática. Com isso, o consumo e a acumulação de capital apropriam-se de anseios humanos por felicidade, realização e sentido de vida, atuando como falsas promessas de salvação ou plenitude terrena. O cerne desse argumento é que o capitalismo moderno ocidental não surgiu apenas de condições materiais (como o dinheiro ou a tecnologia), mas sim de uma profunda mudança na mentalidade e nos valores humanos, impulsionada pela Reforma Protestante. Essa ideia transforma o trabalho secular não era uma atividade menor ou inferior à vida monástica, mas uma vocação divina e uma forma de servir a Deus. Enfim, essa combinação única — trabalhar incansavelmente para gerar lucro, mas viver de forma modesta e reinvestir o excedente — gerou a acumulação contínua de riqueza que caracteriza a engrenagem do capitalismo moderno.

Disputa de narrativas

No dia a dia, encontra-se sempre alguém “gritando”, reclamando de algo e frequentemente damos ouvidos a quem grita primeiro porque o barulho atrai a nossa atenção antes da razão. No livro do Gênesis, capítulo 39, conta a história da passagem de José pela casa de Potifar, capitão da guarda do exército de Faraó. Ele administrava os bens do ilustre egípcio, até que sua mulher imputa falsamente a José uma conduta desonesta. Contudo, ele apenas tinha rejeitado mais uma de suas propostas ilícitas. Mas, o interessante é que quem “gritou” foi ela e Potifar a ouviu. O filho de Raquel apenas deixou sua veste na mão dela e fugiu. Entretanto, quem estava com a razão era o jovem hebreu e Deus continuou a estar com ele na prisão. Ela disse: “entrou até mim para deitar-se comigo, e eu gritei com grande voz. ” Ela ganhou essa disputa literalmente no grito e com uma veste como prova, cujo dono trabalhava na casa. O eunuco de Faraó perdeu um grande empregado, pois o Senhor o abençoava em tudo e foi precipitado e injusto no seu julgamento. Enfim, o excesso de ruído emocional faz com que reações imediatas substituam a reflexão profunda.