terça-feira, 30 de junho de 2026

Forçando a interpretação bíblica

"Forçar" uma interpretação bíblica significa extrair versículos de seu contexto original para justificar pontos de vista pessoais, ideologias ou interesses próprios, ignorando a intenção original do autor. Essa prática é considerada um erro hermenêutico que transforma a mensagem bíblica para encaixar em pensamentos humanos. É certo que Filemom era um cristão com bom exemplo. Até mesmo o apóstolo Paulo enumera, entre outras características, que por ele “as entranhas dos santos foram recreadas”. Ppor isso ele acreditava que, provavelmente, Filemom receberia o novo irmão em Cristo, Onésimo. O apóstolo ou o escravo convertido, Onésimo, pode perfeitamente ter tido uma direção de Deus? Conhecendo um pouco do apóstolo, diria que ele teve uma direção de mandar o escravo para voltar para o seu dono. Agora como cristão, poderia servir como testemunho a ele e aos que o conheciam antes de sua nova crença. Contudo, a epístola a Filemom não deve ser usada como uma orientação geral para os crentes. Nada disso, nem voltarem onde devem algo e pagar, nada e nada e mais nada... Ana lisando o contexto pelos escritos, nem se sabe ao certo se ele devia algo ao seu senhor! Isso acontece muito com certa frequência nos meios religiosos, sendo até uma grande imprudência em certos casos. Supor algo, de forma induzida ou não, que a Bíblia não mostra é colocar pensamentos próprios acima da Palavra. Se continuarmos a fazer essa ação, assim estaremos acrescentando algo que o Livro não expõe, não ensina e nem tão pouco induziu. Muitos tem tomado esse caminho, mas é um caminho totalmente irrecomendável, e, acima de tudo, é desaconselhado de igual modo em Apocalipse.

Jesus é a verdade

A Bíblia revela Jesus Cristo como a personificação da verdade absoluta. O conceito de verdade tem estreita relação com o de fidelidade (Sl 25.4-5,10). A verdade é de extrema importância na relação do homem com Deus: É preciso conhecer a verdade (Jo 8.32), obedecer a verdade (1 Pd 1.22), adorar em verdade (Jo 4.24), andar em verdade (2 Jo 4), amar com a verdade (Ef 6.14) e amar a verdade (2Ts 2.10). Aqueles que se desviam da Verdade estão perdidos (Tg 5.19). Aqueles ainda que não andam segundo a Verdade serão repreendidos por Deus (Rm 1.25). Enfim, aqueles que não estão com a Verdade seguem seu pai o Diabo (Jo 8.44). Jesus assim orou ao Pai: Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade (Jo 17.17). A principal passagem sobre isso está no Evangelho segundo escreveu o apóstolo João: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim". É certo que, na perspectiva bíblica, a verdade não é apenas um conceito, mas uma pessoa. Isso significa que, toda a verdade moral, espiritual e o propósito da existência estão centralizados em Cristo. Além dessa afirmação central, outros textos importantes reforçam esse tema: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 1.14). Segundo a Bíblia Ele veio a nós "cheio de graça e de verdade" (Jo 18.37). Quando questionado por Pilatos sobre o que é a verdade, Jesus afirma que veio ao mundo para "dar testemunho da verdade". A expressão bíblica "a fidelidade [ou verdade] será o cinto dos seus rins" aparece em um texto do profeta Isaías. Há várias facetas, como em todo o toda a Palavra, indicando a justiça e o caráter firme do Messias. Cingir os rins significa amarrar a roupa para trabalhar ou lutar, simbolizando preparação, prontidão, verdade e controle sobre as paixões (Is 11.5-9). Significa a possibilidade de correr, caminhar ou trabalhar sem estorvo. Pois o contexto da mensagem se insere nos tempos bíblicos, em que as pessoas usavam túnicas longas. Assim sendo, cingir os rins (ou lombos) com um cinto ou corda era essencial para prender a roupa, mostando que o Altíssimo se prende à Verdade. Do mesmo modo, Paulo, em Efésios, no capítulo 6, instrui ao cristão a "cingir a cintura com a verdade", como parte da armadura de Deus. Isso simboliza viver com integridade e prontidão para a batalha espiritual. Outra face do ensino é a de que cingir os rins simboliza também o autocontrole das paixões internas (a região dos rins na Bíblia é vista como lugar da sexualidade e emoções) e a prontidão para servir a Deus. Em suma, a verdade e a justiça são o suporte e a prontidão na vida do cristão, assim como o cinto era para o trabalhador antigo e Deus instrui o fiel a se cingir da Verdade, que é a Sua Palavra, pois só assim estará pronto para combater espiritualmente o diabo e seus demônios.

Caminhos de tentação

"Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça [e não por demônios primariamente, porém estes podem influenciar na tentação em segundo plano] sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte"(Tg 1.14-15). Há uma diferença entre os pecados morais citados na Bíblia, que nem sempre é percebida. Por exemplo, a Palavra difere entre adultério e prostiuição: "...os que se dão a prostiuição e aos adúlteros..." A principal diferença é que adultério é a traição dentro do casamento, ou seja, ter relações sexuais com alguém que não é o cônjuge. Já a prostituição se refere à venda de serviços sexuais em troca de dinheiro. Enfim a "fornicação" consiste em sexo fora do casamento (seja antes ou depois).

Tempo de confusão

A Torre de Babel, que significa a "porta do céu" ou a "porta de Deus", é mencionada na Bíblia (Gn 11), como uma das construções mais ambiciosas do homem. Na Bíblia, "Babel" está relacionada a "confusão", especialmente devido a confusão de línguas (Gn 11.1-9). Ao chegarem à planície de Sinar (Mesopotâmia), decidiram construir uma cidade e um topo que alcançasse os céus para tornarem seus nomes famosos e evitar a dispersão como determinado pelo Altíssimo. Após o dilúvio, Deus causou confusão na humanidade estabelecendo diferentes idiomas, o que impediu que a torre fosse construída, obrigando-os a interromper a construção e a se espalharem pela terra. O homem em sua arrogância de querer chegar, por si mesmo ao céu, ou desconsiderar o plano divino para si, incorre em desordem, desentendimento, desunião, confusão.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Uma ponta com aparência firme

O "chifre pequeno" em Daniel, nos capítulos 7 e 8, é uma figura profética que surge de um dos grandes reinos (Roma), o quarto da estátua. Ela representa um poder que cresce, persegue os santos e blasfema, um sistema religioso-político que se desenvolveu a partir de Roma, culminando em um poder que persegue a igreja e se levanta com palavras e ferocidade até contra Deus. A pequena ponta fazia guerra aos santos e os vencia (Vs.21) até o juízo final. Surge entre os 10 chifres de um grande animal (a quarta besta, que representa Roma) e "arranca três deles para abrir caminho", possui olhos como os de um homem, mostrando o seu lado humano e uma "boca que fala com arrogância e blasfêmias". Cresce em direção ao Sul, Oriente e Terra Gloriosa (Palestina), lança alguns do exército dos céus por terra, tira o sacrifício diário e destrói o santuário. As grandes palavras que saíam da ponta chama atenção do profeta Daniel (Vs.11) cuja aparência era mais firme (Vs.20) até que o quarto animal, sem referência anterior, morre, diferente dos outros cujo domínio foi tirado, mas com continuidade de vida. Proferirá palavras contra o Altíssimo e destruirá os santos do Altíssimo, cuidando em mudar os tempos e a lei (Vs. 25), mas o domínio será restabelecido e a pequena ponta será destruída (Vs. 26 e 27).