quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Saindo das comparações

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Líder em duas palavra: posição e posicionamento

Muitos líderes naufragam por tentarem imitar o brilho ou a posição de outros. O chamado de Deus é individual. Assim como as estrelas ocupam seus lugares no céu, os dons e posições na igreja são distribuídos por Deus conforme a utilidade na Sua obra. O servo será cobrado pela mordomia do talento que ele recebeu, não pelo do vizinho (Mt 25). O brilho pessoal é secundário. O mais importante é permanecer na posição determinada por Deus. O brilho sem posição (sem submissão a Deus e ao Seu corpo) leva inevitavelmente à escuridão do orgulho e da ruína. Ficar na posição que Deus colocou garante não apenas o brilho correto, mas a perseverança até o fim (Hb 10.25). As estrelas cadentes têm um brilho intenso, porém efêmero e descontrolado podendo aqui ser útil a passagem de Judas para falsos mestres: "são... estrelas errantes, para as quais está reservada a negrura das trevas para sempre" (Jd 1.13). Ao líder é necessário manter a "firmeza que há em Cristo", rejeitando modismos que tentam tornar a cruz mais "palatável" ou "moderna", esvaziando-a do seu poder transformador (2 Co 11.3). Enfim, a fidelidade é mais importante que o sucesso e a obediência é mais preciosa que o reconhecimento. O verdadeiro líder é aquele que, como João Batista, entende que "convém que Ele cresça e que eu diminua" (Jo 3.30), e, contentando-se em ser uma estrela cuja única função é apontar para o Sol da Justiça (Ml 4.2).

A justificação pela fé

No Sermão do Monte, Jesus afirma que a nossa justiça deve exceder a dos escribas e fariseus. Como o homem não consegue fazer isso por si mesmo, essa justiça precisa vir de fora. Esta declaração de Jesus foi revolucionária e chocante para os ouvintes da época. Para o judeu comum, os escribas (especialistas na Lei) e os fariseus (guardiões zelosos da tradição) eram o padrão máximo de santidade e retidão. Se a justiça deles não bastava para entrar no Reino, a de quem bastaria? Na verdade, o Mestre ensinava que os líderes da nação israelita não tinham justiça nenhuma, uma vez que ao homem natural é impossível ser justo diante de Deus: "Não há nenhum justo, nem um sequer" (Rm 3.10). Suas obras são manchadas e inutilizadas pela parcialidade, motivações impróprias e pecaminosas, pela aparência e exterioridade vazia. Mesmo as boas obras são vistas como imperfeitas porque nascem de corações com motivações mistas, parcialidade ou pecado (Pv 21.2, 27). A religiosidade puramente externa (regras, rituais e aparências) funciona frequentemente como uma máscara, ao que a religiosidade apenas acrescenta o pretexto para se enganarem em sua justiça própria. Um exemplo claro disso é que Jesus condena exatamente o comportamento dos escribas e fariseus, que limpavam o exterior para parecerem santos diante dos homens, mas mantinham o coração longe de Deus (Mt 15.7-9; Lc 16.15). Por outro lado, a justiça do reino de Deus, que excede a dos escribas e fariseus, porque é a única justiça verdadeira e perfeita, só pode ser alcançada por obra da graça de Deus, e isto é chamado nas Escrituras de “justificação pela fé” (Rm 3.21-24).

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Conseguindo bons resultados

Segundo a Bíblia, honestidade não é vista apenas como uma regra moral, mas sim como a expressão prática da própria sabedoria e do temor a Deus. Assim, a verdadeira sabedoria não é apenas acumular conhecimento, mas viver com integridade, prudência e retidão: "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é a prudência" (Pv 9.10). A honestidade e a integridade de uma pessoa de bem a guiarão e a protegerão, enquanto a falsidade e a desonestidade a levarão à ruína: "...a sinceridade dos justos o encaminhará" (Pv 11.3). Por isso, a integridade e a retidão são qualidades que levam a bons resultados, enquanto a desonestidade, a traição e a falsidade são caminhos que levam à destruição. Enfim, a honestidade funciona como um escudo protetor para a vida. Quem anda retamente caminha seguro, enquanto a mentira e a trapaça criam caminhos instáveis (Pv 13.11, 21.6).

Se o meu senhor estivesse junto ao profeta

A história da menina israelita cativa constitui um dos contrastes mais comoventes e profundos de toda a Escritura, dialogando diretamente com tudo o que temos ponderado sobre a verdadeira fé, o egoísmo e o verdadeiro serviço a Deus. Enquanto nesta mesma narrativa acompanhamos a tragédia de Geazi — que, tendo todas as vantagens, privilégios e proximidade física com o profeta Eliseu, deixou-se corromper pela avareza e terminou leproso —, vemos no extremo oposto esta jovem anônima, desprovida de tudo. Esta única frase proferida pela menina exemplifica perfeitamente a máxima de Provérbios sobre a palavra dita a seu tempo: "...se o meu senhor estivesse junto ao profeta...". Enquanto muitos líderes religiosos buscavam construir reinos próprios, operar prodígios por vaidade ou negociar o sagrado (como vimos em Balaão e nos rejeitados pelo “nunca vos conheci”), esta menina israelita — sem título de profetisa, sem estrado ou púlpito — realizou uma obra de profundo impacto espiritual através de um ato genuíno de bondade e altruísmo. A trajetória dela nos recorda que o verdadeiro testemunho de Deus não floresce nos palcos do espetáculo religioso, mas na integridade secreta do caráter, na pureza dos motivos e na capacidade de refletir a misericórdia do Altíssimo mesmo nos lugares mais improváveis e dolorosos do cativeiro terreno. Ela não buscava holofotes, recompensa material, reconhecimento eclesiástico ou poder político. Ela simplesmente manifestou, com naturalidade e pureza, a realidade do Deus a quem pertencia. Sua palavra funcionou como uma semente providencial que cruzou fronteiras geopolíticas e religiosas, alcançando um general orgulhoso e desconstruindo a autossuficiência síria através da simplicidade da graça. Raptada de sua terra natal por bandos sírios, a menina foi reduzida à condição de escrava, servindo na casa de Naamã, o general inimigo. Sob uma perspectiva humana e mundana, ela tinha todos os motivos para nutrir o ódio, o ressentimento ou o desejo de ruína para com o seu opressor. No entanto, ao ver o sofrimento de seu senhor acometido pela lepra, ela não demonstra amargura, mas uma profunda compaixão e fidelidade ao Deus de Israel (2Rs 5. 2-3).