sábado, 10 de outubro de 2026

Mudando de roupa

No ritmo acelerado em que vivemos, o cansaço tornou-se uma espécie de sombra constante. Corremos para dar conta do trabalho, da família, dos prazos e das expectativas. Muitas vezes, deitamos a cabeça no travesseiro com o corpo exausto e acordamos com a mente ainda mais fatigada. O pior cansaço não é o físico; é o cansaço da alma — aquele que surge quando sentimos que estamos a lutar sozinhos e que as nossas forças simplesmente não são suficientes. O profeta Isaías traz um choque de realidade com muita empatia: até os jovens mais fortes cansam-se, tropeçam e caem. O texto começa por validar a nossa limitação humana. Não há problema em admitir: "Eu não aguento mais". O erro não está em cansar-se, mas em tentar continuar a caminhar contando apenas com a nossa própria energia. A chave deste texto está na palavra "renovarão". No original em hebraico, o termo usado (chalaph) carrega o sentido de fazer uma troca ou mudar de roupa. Deus não está a dizer que vai apenas dar um "empurrãozinho" para que continues com a tua energia gasta. Ele propõe algo muito mais profundo: Ele pega no teu cansaço e, em troca, dá-te a força d'Ele. Nós entregamos a nossa fraqueza e recebemos a Sua onipotência.

Chegando a velhice

Antigamente os homens viviam centenas de anos. Entretanto, segundo o sexto capítulo do primeiro livro da Bíblia, quando os filhos de Deus – uma geração por parte de Adão, Sete, Enoque - se misturaram com outra que não temia ao Senhor, Ele diminuiu a idade para 120 anos (Gn 6.3). O salmista comentou que a vida de sua época era de setenta anos e que se alguns chegavam a oitenta, o melhor deles é enfado e canseira (Sl 90.10). E hoje com alguns progresso da tecnologia, há uma parcela maior de pessoas atingindo idades avançadas para a nossa época. Voltando ao título, pesquisando nossos dicionários, vemos que “cãs” significam cabelos brancos. É um vocábulo muitas vezes empregado para se referir aqueles que alcançaram a benção da longevidade e segundo o sábio Salomão: “é a beleza dos velhos” (Pv 20.29). Hoje em dia tem até pessoas que tingem seus cabelos de grisalhos. Por quê? Para parecerem mais maduros, experientes, será mesmo? A Palavra diz que elas são coroas de honra, mas quando se acham no caminho da justiça (Pv 16.31). Quando o idoso teme ao Altíssimo e anda nos seus caminhos os seus cabelos brancos significam honra (Pv 20.29). No antigo testamento, no livro dos levitas, existe uma recomendação divina para que honremos a face do ancião e nos levantemos diante das cãs (Lv 19.32). Um jovem chamado Eliú, esperou os de maiores idades para dar o seu conselho a Jó e seus acusadores (Jó 32 a 37). No livro do Eclesiastes, há uma descrição poética da vida física dos idosos: alguém que já não enxerga tão bem como dantes, as pernas tremem, anda encurvado, as portas da rua – os ouvidos já não ouvem direito (Ec 12.1 a 7). Este é o fim de um ciclo natural determinado pelo Eterno, entretanto Ele nos ensina que o fim das coisas é melhor do que o começo. Será que entendemos bem isso? Assim, mesmo no fim, no Salmo 92 existe a promessa que se estivermos plantados na Casa de Oração, ainda daremos frutos, seremos viçosos e florescentes, para anunciarmos que Jeová é reto e nEle não há injustiça. Também tem-se a promessa que se esperarmos no Senhor renovaremos nossas forças, como nos diz o profeta Isaías (Is 40.31). Esperemos, pois nEle quando chegarem as nossas cãs!

Como nos dias de Noé

A expressão "como nos dias de Noé" refere-se a uma passagem bíblica em que Jesus compara o período que antecede a sua segunda vinda ao momento do dilúvio. O cenário espiritual antes do dilúvio era de completa apostasia e corrupção, não sendo diferente dos dias de hoje. Neles, as pessoas viviam o cotidiano normalmente — comendo, bebendo, casando-se e cuidando da vida — sem perceber os avisos sobre o juízo que estava por vir (Mt 24.37-39). O dilúvio chegou de forma inesperada para a maioria, pegando de surpresa aqueles que ignoravam o chamado de Deus, enquanto Noé e sua família foram salvos na arca. O ensinamento serve como um chamado para que os fiéis permaneçam atentos, preparados e fiéis, sem se deixarem anestesiar pela imoralidade ou pela rotina do mundo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Cuidando do corpo e da mente

O cristão não deve idolatrar o corpo, mas também não pode negligenciá-lo, do mesmo modo que deve recorrer aos recursos medicinais disponíveis para tratar a sua saúde, e não apenas esperar um milagre passivamente. O equilíbrio mental e emocional está ligado à confiança e à entrega das preocupações, combatendo diretamente a ansiedade (2 Tm 1.7). Ela não é uma falha, mas uma realidade humana que precisa de ser acolhida e tratada com o redirecionamento da mente. Ter uma mente controlada, equilibrada e autodisciplinada começa com a escolha deliberada daquilo em que decidimos focar a nossa atenção (Fp 4.8; Rm 12.2). Enfim, para o crente, a autodisciplina não é apenas esforço humano, mas um fruto de amadurecimento interior produzido pela companhia do Espírito Santo (Gl 5.22-23). Cuidar do corpo e da mente não é falta de fé, mas sim um ato de mordomia e sabedoria.

Geazi e o dinheiro

A comparação entre Judas Iscariotes e Geazi revela como o amor ao dinheiro opera de forma muito semelhante no coração humano, independentemente da época. Ambos começaram como homens de confiança de grandes líderes espirituais, mas permitiram que a ganância destruísse as suas vidas. Nenhum dos dois começou com um grande crime. Judas começou por desviar pequenas moedas; Geazi começou por cobiçar silenciosamente os bens alheios. O dinheiro de Judas acabou por comprar um cemitério; os bens de Geazi tornaram-se inúteis, pois a lepra afastou-o para sempre do convívio social e das suas riquezas. Ambos conviveram de perto com milagres e ensinamentos profundos, mas o amor ao dinheiro cegou-os a ponto de acharem que podiam esconder os seus atos de Deus. É certo que faltou a ambos o contentamento que nasce quando a pessoa entende que os bens materiais são temporários, mas os valores espirituais são eternos. Enquanto a ganância acumula e retém; o ato de dar quebra o poder que o dinheiro exerce sobre o coração. A generosidade funciona como um exercício de desapego (1 Tm 6.18). Enfim, o sábio assim se expressou: "Não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada; para que, porventura, estando farto, não te negue e diga: Quem é o Senhor? Ou que, empobrecendo, não venha a furtar e profane o nome de Deus" (Pv 30.8-9).