sábado, 19 de setembro de 2026

O véu do templo rasgou-se

É certo que, segundo a Bíblia, o único mediador legítimo entre Deus e a humanidade é Jesus Cristo. Diante de Deus, não existe uma categoria espiritual "superior" (o clero) e outra "inferior" (os leigos). Pastores, padres ou líderes exercem uma função ou serviço de organização e ensino, mas não possuem mais santidade ou privilégio de acesso a Deus do que qualquer outro fiel. O apóstolo Paulo à Timóteo afirma que existe um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus (1 Tm 2.5; 1 Pd 2.9; Hb 4.16 e Ap 1.6). Isso significa que, assim como o véu do templo rasgou-se com a morte de Jesus, simbolizando o fim da necessidade de sacerdotes humanos ou rituais burocráticos para se achegar a Deus. Assim sendo, Jesus é o único caminho de reconciliação e salvação, não havendo outro nível de acesso ou necessidade de intermediários terrenos adicionais para a comunhão com o Pai. Por fim, o crente não precisa confessar os seus pecados a um sacerdote humano para ser perdoado por Deus. A confissão e o arrependimento ocorrem diretamente perante o Pai, em nome de Jesus.

A morte dos primogênitos

O contexto histórico por trás desse ritual está profundamente ligado ao Antigo Império Egípcio e ao período de opressão dos hebreus (israelitas), por volta do século XIII a.C. (durante o reinado do faraó, frequentemente identificado como Ramessés II ou Amenófis II). Os descendentes de Jacó haviam migrado para o Egito séculos antes para fugir da fome. Com o tempo, a população cresceu tanto que começou a ser vista como uma ameaça de segurança pelo governo egípcio. Para conter esse crescimento e obter mão de obra barata, o Faraó escravizou os hebreus, forçando-os a trabalhos pesados na construção de cidades-armazéns (como Pitom e Ramessés). O sangue servia como um marco visível de obediência e fé na aliança com Deus, distinguindo as famílias que seriam poupadas da morte dos primogênitos. Com um feixe de hissopo, o sangue do cordeiro era aplicado na viga superior (verga) e nas duas laterais (ombreiras) da porta. O sangue colocado na verga e nas ombreiras da porta era um sinal de proteção divina para que o anjo da morte passasse por cima das casas dos israelitas sem feri-los durante a décima praga no Egito. Era a última praga e naquela noite, as casas com sangue nas ombreiras tornaram-se "território soberano" sob a proteção de Deus, imunes à autoridade e ao castigo que caía sobre o império egípcio. Esse impacto devastador foi o que finalmente forçou o Faraó a libertar o povo.

Prestando contas

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Confiança na paternidade divina

Jesus liberta os Seus ouvintes destas amarras através de duas grandes lições práticas. Ele mostra que estes dois temas estão intimamente ligados: a busca desenfreada por riquezas gera ansiedade, e a ansiedade revela uma falta de confiança na provisão do Pai. Começa por alertar sobre a fragilidade dos investimentos puramente terrenos: acumular tesouros na Terra é arriscado, pois a traça e a ferrugem destroem, e os ladrões minam e roubam. Em contraste, o cidadão do Reino deve "acumular tesouros no céu" através de atos de justiça, amor e generosidade. Lança o diagnóstico do coração: "Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração" (Mt 6.21). é certo que o dinheiro não é apenas uma ferramenta neutra; ele tem o poder de capturar as nossas afeições mais profundas. Para isso Ele personifica a riqueza material usando o termo aramaico Mamom: "Não podeis servir a Deus e às riquezas" (Mt 6.24). É bom esclarecer que não se trata de uma proibição de possuir bens, mas de um aviso claro de que a riqueza exige uma lealdade exclusiva que compete diretamente com Deus. Como consequência direta de escolher a Deus e não às riquezas, Jesus ordena: "Não andeis ansiosos quanto à vossa vida..." (Mt 6.25). Para combater a ansiedade pelas necessidades básicas (comida, bebida e roupa), Ele aponta para a criação: as aves do céu, não semeiam nem colhem, mas o Pai alimenta-as. Um argumento lógico e amoroso: "Não tendes vós muito mais valor do que elas?" Para completar o raciocínio Ele acrescenta os lírios do campo: Eles não trabalham nem fiam, mas são vestidos com uma glória superior à do rei Salomão no seu auge. Se Deus cuida assim da erva que hoje existe e amanhã é lançada no forno, cuidará muito mais dos Seus filhos. Enfim, Jesus afirma que a preocupação excessiva com estas coisas é uma característica daqueles que não conhecem a Deus ("os gentios"). A ansiedade, no fundo, reflete uma crise de confiança na paternidade de Deus.

Refletindo o caráter divino

Para início dessa comparação iremos começar o que foi dito sobre o homicídio: "Não matarás; e quem matar estará sujeito a julgamento" (Mt 5.21-26). O Mestre disse que para o Reino, o assassinato começa no coração. Assim sendo, contradisse o ensinamento da época: o pecado não começa no ato físico de tirar a vida, mas na ira, no ódio e no insulto contra o irmão. Outro assunto muito debatido na época era sobre o adultério: "Não cometerás adultério" (Mt 5.27-30). Já Jesus diz: a fidelidade começa nos olhos e no pensamento. Quem olha com cobiça já adulterou no seu coração. Jesus exige uma postura radical de autodisciplina e pureza. O casamento é uma aliança sagrada. Jesus eleva a dignidade da união e da mulher, protegendo o matrimónio da banalização legalista. Outro ensinamento procedente do Reino é dizer "não" à vingança pessoal. Em vez de revidar, o cidadão do Reino quebra o ciclo de violência respondendo com generosidade e oferecendo a "outra face". Este é o topo da ética cristã, que imita a generosidade do próprio Deus, que faz nascer o sol sobre bons e maus. Jesus encerra esta secção com uma declaração que resume todas as antíteses: "Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus" (Mt 5.48). A palavra grega usada para "perfeito" é teleios, que significa "completo", "maduro" ou "que atingiu o seu objetivo". Enfim, o objetivo do cidadão do Reino não é o cumprimento mecânico de proibições, mas refletir de forma madura o caráter amoroso, íntegro e justo do próprio Pai Celestial.