domingo, 4 de outubro de 2026

Crescendo perante Deus e os homens

Há a necessidade do cristão crescer de forma íntegra, moderada e completa. Significa desenvolver o caráter de Cristo no dia a dia através da manifestação de frutos. Isso aconteceu na vida de Samuel pois a Bíblia diz: "E o jovem Samuel ia crescendo, e fazia-se agradável, assim para com o Senhor, como também para com os homens" (1 Sm 2.26). O texto mostra que o menino se desenvolvia não apenas em estatura física, mas também no favor e na graça diante de Deus e das pessoas ao seu redor que notavam o seu desenvolvimento (1 Tm 4.15). O amadurecimento e a evolução pessoal não devem ser ocultos; eles precisam se tornar visíveis e evidentes para as pessoas ao redor, servindo de testemunho e inspiração. O próprio Jesus, ao assumir a natureza humana, passou pelo processo natural de amadurecimento físico, intelectual e espiritual: "E o menino crescia, e era fortalecido em espírito, e cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele" (Lc 2.40). Todos os anos, a família de Jesus viajava de Nazaré a Jerusalém para a festa da Páscoa, cumprindo a Lei de Moisés. Aos 12 anos, de acordo com a tradição judaica da época, o jovem estava na idade de transição para se tornar formalmente responsável pelos seus atos religiosos perante a comunidade (um prelúdio do que viria a ser o Bar Mitzvah). No final das festividades, Maria e José iniciaram a viagem de regresso a Nazaré em uma grande caravana de parentes e conhecidos. Pensando que o menino estava entre o grupo, caminharam um dia inteiro antes de dar pela sua falta. Ao notar a ausência de Jesus, voltaram a Jerusalém para procurá-lo. Jesus estava sentado no meio dos doutores da lei — os maiores teólogos, rabinos e mestres do judaísmo da época. Ele não estava a pregar com arrogância, mas a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas, demonstrando profundo respeito e interesse pelas Escrituras. O versículo 47 destaca que "todos os que o ouviam admiravam-se da sua inteligência e das suas respostas". A sua sabedoria não era mero acúmulo de regras, mas uma compreensão espiritual viva e profunda dos textos sagrados. Quando Maria o questionou, angustiada ("Filho, por que fizeste isto conosco?"), Jesus respondeu com as suas primeiras palavras registadas nos Evangelhos:"Por que é que me procuráveis? Não sabíeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?" (Lc 2.49).

Remindo o tempo

As distrações modernas são o equivalente contemporâneo ao "sono espiritual" de que a Bíblia tanto avisa. Remir o tempo significa resgatá-lo ativamente das mãos das distrações banais. Hoje, o perigo raramente se apresenta como um convite explícito para abandonar a fé; ele surge na forma de uma sobrecarga de estímulos diários que anestesiam a nossa mente e roubam o nosso tempo com Deus. As redes sociais, o entretenimento em streaming, as notificações constantes e o ativismo frenético funcionam como uma espécie de "ruído branco" que nos distrai sem percebermos. O apóstolo exorta aos crentes em Éfeso : "Vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus" (Ef 5.15-16). A Escritura usa o "dormir" de forma metafórica para alertar sobre a apatia, a negligência e a falta de vigilância espiritual. Quem está "a dormir" espiritualmente vive de forma descuidada, misturando-se com os caminhos do mundo e esquecendo-se da urgência do Reino. No texto, o apóstolo Paulo repreende a igreja de Corinto por causa da maneira desrespeitosa e dividida como celebravam a Ceia do Senhor. Alguns participavam de forma indigna, sem discernir o significado espiritual do sacrifício de Cristo e desprezando os irmãos necessitados. Por essa razão disciplinar e espiritual, Paulo afirma: "Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem [morreram]" (1 Co 11.30). O alerta de Paulo permanece: "E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitámos a fé" (Rm 13.11) e, ainda, aos tessalonicenses: "Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios" (1 Ts 5.6).

Quebrantado e contrito de espírito

Maria permaneceu firme até o fim

Mulher, que tenho eu contigo?

A mãe de Jesus é a catalisadora do primeiro milagre de Jesus. Ao perceber que o vinho da festa de casamento tinha acabado, ela intercede junto a Ele. Quando Jesus responde "Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora", Ele estabelece uma distância necessária: a partir dali, Ele não age mais sob a autoridade materna, mas sob o cronograma de Deus (Jo 2.1-11). Maria demonstra total confiança e diz aos servos a famosa frase: "Fazei tudo quanto ele vos disser". Após a ressurreição e ascensão de Jesus ao céu, a última menção histórica a Maria no Novo Testamento situa-a no Cenáculo, em Jerusalém. Ela está reunida em oração com os apóstolos e com os irmãos de Jesus (que agora já acreditavam nEle). Maria já não é vista apenas como a mãe do Mestre, mas como parte integrante da primeira comunidade cristã que aguardava a descida do Espírito Santo (At 1.13-14). Mesmo na agonia da morte, Jesus olha para ela e para o discípulo amado (João) e diz: "Mulher, eis aí o teu filho" e, ao discípulo, "Eis aí a tua mãe". Culturalmente, como viúva (José já não é mencionado e presume-se que tenha morrido antes), Maria ficaria desamparada. Jesus garante o sustento dela, mas também redefine formalmente a comunidade de fé como a nova família protetora (Jo 19.25-27). O papel de Maria durante o ministério público de Jesus é marcado por uma transição profunda e, por vezes, dolorosa. Ela precisa deixar de ser apenas a mãe biológica para se tornar uma discípula daquele que ela mesma gerou. Diferente dos irmãos de Jesus, os textos nunca atribuem a Maria palavras de incredulidade. No entanto, ela vivenciava o cumprimento da profecia que recebera na infância de Jesus: "uma espada traspassará também a tua própria alma", vendo o seu filho ser constantemente perseguido e caluniado pelas autoridades religiosas (Lc 2.35). Enfim, os Evangelhos mostram que Maria esteve presente em momentos-chave, funcionando como um elo entre o início, o ápice e a continuidade da missão de Jesus.