quinta-feira, 15 de outubro de 2026

O meu povo não me escuta

O Salmo 81 (escrito por Asafe) é onde o Senhor expressa tristeza porque o Seu povo não quis ouvir a Sua voz nem seguir os Seus caminhos: "Mas o meu povo não quis ouvir a minha voz, e Israel não me quis. [...] Oh! Se o meu povo me tivesse ouvido! Se Israel andasse nos meus caminhos!" O texto vocaliza a advertência de Deus num momento em que Israel, apesar de estar no topo do seu poder político e expansão territorial, começava a flertar perigosamente com o sincretismo religioso — misturando a adoração ao Deus verdadeiro com os altares de deuses pagãos locais. É um lamento divino que aponta para as consequências da teimosia humana e do afastamento dos conselhos do Eterno, mas também mostra o desejo de comunhão, proteção e bênçãos que o povo perdeu por não escutar. Nele há um claro convite à reflexão e à avaliação de como temos respondido à voz de Deus no dia a dia. Quando Deus diz "o meu povo não me escuta", o tom não é de um ditador irado, mas de um pai de coração partido. Ele lembra o Seu povo de como os libertou da escravidão do Egito e como bastava eles abrirem a boca para que Ele a preenchesse com provisão (Sl 81.6,10). Há um perigo constante do cristão se esquecer dos milagres divinos já provados e começar a procurar satisfação e respostas em "deuses estranhos" — como a ansiedade, o controle, o dinheiro ou a aprovação dos outros. O versículo 12 traz uma das advertências mais sérias da Bíblia: "Pelo que eu os entreguei aos desejos dos seus corações, e andaram nos seus próprios conselhos", mostrando que o pior julgamento de Deus não é o castigo visível, mas sim o Seu silêncio permissivo. Assim sendo, quando o crente insiste em fechar os ouvidos, o Altíssimo respeita e afasta-Se, deixando-o colher os frutos de suas próprias escolhas impulsivas. Nos versículos finais, Deus suspira: "Oh! Se o meu povo me tivesse ouvido!". Ele promete que, se o povo apenas mudasse de atitude, Ele faria duas coisas imediatamente: submeteria os seus inimigos e alimentaria o povo com o melhor do trigo e o mel da rocha.

domingo, 11 de outubro de 2026

Não extingais o Espírito

"Não extingais o Espírito" significa não resistir, sufocar, abafar ou ignorar a atuação, a direção e os dons do Espírito Santo. O pecado não confessado e o endurecimento do coração criam uma barreira espiritual invisível, mas profundamente destrutiva. Na perspetiva bíblica, esse estado bloqueia a nossa comunhão com Deus e é uma das principais formas de "apagar o Espírito". O apóstolo Paulo usa o verbo grego sbennumi, que significa apagar ou extinguir uma chama (como apagar uma fogueira ou uma brasa). Nessa passagem o Espírito Santo é comparado a um fogo que deve ser mantido aceso na vida do crente e da comunidade (1 Ts 5.19-22).

Desculpe, Jerônimo

São Jerônimo em sua proposta de debater com Porfírio as interpretações do livro de Daniel se equivoca ao alegar que o anticristo será um homem, a ponta pequena relatada no capítulo sete (Dn 7.8). Já para Martinho Lutero, João Calvino e outros reformadores, a interpretação de São Jerónimo de que a ponta pequena seria um único homem no fim dos tempos era considerada um erro exegético grave. A ponta pequena descrita no capítulo 7 de Daniel tem olhos de homens e fala grandiosamente que surge no império romano e derruba três outras pontas, das dez, sempre é debatida e explorada pelos estudantes da Palavra. As palavras que saíam da ponta chama atenção do profeta Daniel (vs.11) cuja aparência era mais firme (vs.20) até que o quarto animal, sem referência anterior, morre, diferente dos outros cujo domínio foi tirado, mas com continuidade de vida. A ponta fazia guerra aos santos e os vencia (vs.21) até o juízo final. Proferirá palavras contra o Altíssimo e destruirá os santos, cuidando em mudar os tempos e a lei (vs. 25), mas o domínio será restabelecido e a pequena ponta será destruída (vs. 26 e 27). Importante ainda ressaltar o paralelismo deste capítulo 7 com o capítulo 2 do livro do profeta Daniel, o sonho da estátua referenciando os cinco reinos que o eterno determinou sobre a terra, sendo o quinto reino, dos pés representados pelos dez chifres do quarto animal do qual se levanta a pequena ponta. Assim, a pequena ponta se levanta no império romano e vai até o fim, sempre prosperando contra os santos e mudando as leis até a sua destruição final.