sábado, 24 de outubro de 2026

A lição de Jacó

A primeira menção de dízimo na Bíblia está registrada no livro de Gênesis, capítulo 14, referindo-se a uma atitude voluntariosa de Abraão, ora Abrão, quando depois de uma guerra, ele deu o dízimo de todo o despojo que levara do oponente a um sacerdote de quem pouco se sabe, chamado Melquisedeque. Não existe qualquer outro relato dos patriarcas dizimando, apenas uma promessa, um voto de Jacó (Gn 28.20-22). A lição de Jacó é que os dízimos devem ser entregues como gratidão pelas bênçãos recebidas e não como condição para se receber bênçãos ou medo do devorador. É certo que o dízimo na Lei era limitado aos alimentos produzidos pelos agricultores e pecuaristas: "Todos os dízimos da terra, seja dos cereais, seja das frutas das árvores, pertencem ao Senhor; são consagrados ao Senhor... O dízimo dos seus rebanhos, um de cada dez animais que passem debaixo da vara do pastor, será consagrado ao Senhor (Lv 27.30-32). O dízimo foi instituído por causa da tribo de Levi, que não recebeu herança de terras, pois Deus disse que Ele próprio seria a herança deles. Deus então fazia as outras tribos de Israel trabalharem para sustentar a tribo de Levi, de onde vinha os levitas e sacerdotes. Então, qual a finalidade de se ter comida, alimento estocado na Casa do Senhor? “Para que os levitas, ...e os estrangeiros, os órfãos e as viúvas (pobres)... venham comer e saciar-se..." (Dt 14.9). Outro texto que trata do dízimo é no livro de Malaquias no qual o profeta falava diretamente aos sacerdotes: "E agora esta advertência é para vocês, ó sacerdotes” (Ml 2.1).

O ídolo nada é

Notório é que tudo o que não for feito para Deus, segundo a retidão da Palavra é oferta a demônios. Esta ideia está baseada no texto bíblico a seguir:"Antes, digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios". A história da palavra demônio remonta ao verbo grego daiesthai (“dividir” ou “distribuir”) e significa “falsa deidade” (I Co 10.20). Assim, qualquer deidade que não seja o Deus verdadeiro é um espírito que se opõe a Ele, logo é um espírito do mal ou um demônio. “Demônio” também significa “divisor” pois ele sempre quer criar divisão, e é isso o que ele se propõe a fazer ao tentar Jesus. Entretanto, há um segredo que os sacrifícios que são oferecidos aos deuses falsos são sacrifícios feitos a demônios, que são os verdadeiros responsáveis por manter os homens nas trevas da idolatria, como diz o profeta Isaías: não vêem, não ouvem, não andam... Os deuses assim chamados pelos homens nada são, mas Satanás e seus anjos são uma realidade que nenhum conhecedor das Escrituras pode negar. Portanto, assim como comer da mesa do Senhor é ter comunhão com o Senhor, comer da mesa dos ídolos – que na verdade é a mesa dos demônios – é ter comunhão com os demônios, o que representa um terrível ato de apostasia por parte de um cristão. Há muitos exemplos na Bíblia e uma grande parte do trabalho de Jesus na terra envolveu a cura de pessoas controladas pelos demônios. Após acalmar ventos e mar, Jesus e seus discípulos chegam à província dos gadarenos e a Bíblia narra que vieram ao seu encontro dois endemoninhados ferozes que chegavam até a impedir o caminho das pessoas ao redor. Enfim, a Bíblia nos conta que Deus tomou os anjos que pecaram contra Ele e os “precipitou no inferno e os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo” (II Pd 2.4) sendo o tempo de mil anos da prisão.

Imposição de um modo de vida não é conversão

Nos primeiros séculos da Era Cristã, o Império Romano via o Cristianismo com suspeita e hostilidade por razões principalmente políticas e sociais. A justificativa era que os cristãos recusavam-se a adorar o Imperador como um deus e a sacrificar aos deuses romanos, o que era visto como traição e deslealdade ao Estado. Na verdade, ao contrário de outras religiões integradas no panteão romano, o Cristianismo rejeitava todas as outras divindades. é notório que sob imperadores como Nero, Domiciano, Decio e Diocleciano, os cristãos enfrentaram execuções brutais, confisco de bens e destruição de escrituras sagradas. Historicamente, o ponto de viragem crucial ocorreu no início do século IV, quando Roma começou a adotar uma postura de tolerância e, posteriormente, de preferência. O imperador Constantino e o seu co-imperador Licínio legalizaram o Cristianismo, garantindo a liberdade religiosa em todo o Império, começou a financiar a Igreja, a construir basílicas e a convocar concílios ecuménicos (como o de Niceia em 325 d.C.) para resolver disputas teológicas. Para piorar, a transformação completou-se poucas décadas depois quando o imperador Teodósio I declarou o Cristianismo católico como a única religião oficial do Império Romano, proibindo os cultos pagãos tradicionais. Por fim, Roma fez o maior mal a Cristo, sendo a principal difusora do Cristianismo desviado do Criador, impondo um modo de vida sem transformação que é a mola mestra no Evangelho. Essa sim, foi a maior maldade!

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Ele será destruído com um sopro

As "hostes espirituais da maldade" referem-se ao exército organizado de forças malignas e entidades espirituais. A expressão aparece na carta do apóstolo Paulo aos Efésios, onde ele afirma que a luta dos cristãos não é contra seres humanos ("carne e sangue"), mas contra principados, potestades, príncipes das trevas e as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais. Para resistir a esses ataques e permanecer firme no "dia mau", a Bíblia orienta o crente a revestir-se da armadura espiritual, que inclui a verdade, a justiça, o evangelho da paz, a fé, a salvação e a palavra de Deus, além da oração constante. A Palavra diz que essas forças operam no mundo atual e já sofreu um golpe decisivo com a morte e ressurreição de Jesus Cristo quando Ele disse: "Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago" (Lc 10.18). Disse ainda que chegou a hora de expulsar o príncipe deste mundo: "o príncipe deste mundo já está julgado" (Jo 16.11). Após a aplicação da justiça de Deus sobre os seus inimigos na batalha do Armagedom, há ainda as hostes espirituais da maldade, segundo o apóstolo Paulo que serão destruídas com o assopro da boca dEle, dando assim fim a todos os inimigos de Deus: de ordem material/terrena e/ou espiritual. O período de mil anos harmoniza também com os reinos deste mundo, como descrito no livro do profeta Daniel. No verso 7 ao 10, do capítulo 20 de Apocalipse, há o relato sucinto da destruição de Satanás junto com os anjos que “caíram” com ele na terra e presos espiritualmente em trevas. A Escritura diz que eles serão soltos e subirão contra a cidade amada, entretanto, descerá fogo do céu e os devorará, como descrito também no livro do profeta Ezequiel. A antiga serpente, que rasteja no pó, sem entender as coisas espirituais, pois está preso em cadeias de escuridão, por um tempo de mil anos, desde que ele se rebelou contra Deus. Esse período de mil anos é semelhante ao tempo daqueles que aceitaram a Jesus como Senhor, vivendo e reinando com Ele – os santos participam da glória divina, vencem a besta, não recebendo o sinal dela em suas testas nem em suas mãos. Enfim, o Senhor fala que colocará anzóis no queixo e será destruído com um sopro.

Reino sacerdotal e povo santo

A frase "E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo" encontra-se primeiramente em Êxodo capítulo 19 e verso 6 da Bíblia Sagrada. Isso ocorre no deserto do Sinai, logo após a saída do Egito, quando Deus se prepara para estabelecer a Aliança com o povo de Israel no monte Sinai. No versículo anterior, Deus impõe uma condição: "se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos" (Ex 19.5). Reino sacerdotal significa que Israel teria o papel de intermediário — assim como o sacerdote representa Deus diante do povo e o povo diante de Deus, aquela nação deveria refletir o caráter e a vontade de Deus para todas as outras nações da terra. Já povo santo indica que o povo foi separado (kodesh) do estilo de vida das nações vizinhas para ser dedicado exclusivamente a Deus. No Novo Testamento, essa identidade é estendida à Igreja, onde os cristãos são descritos como "geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (1 Pd 2.9-10). Assim, o conceito anterior de "reino sacerdotal e povo santo" sofre uma transição profunda: ele deixa de ser uma identidade ligada a uma nação étnica e geográfica (Israel) e passa a ser uma identidade espiritual aplicada a todos os seguidores de Jesus Cristo (a Igreja). Com isso, se antigamente, somente os descendentes de Arão (da tribo de Levi) podiam atuar como sacerdotes e entrar no Tabernáculo, hoje, Jesus é o Sumo Sacerdote definitivo, e o Seu sacrifício aboliu a necessidade de intermediários humanos. Então, todos os cristãos agora têm livre acesso à presença de Deus (simbolizado pelo rasgar do véu do Templo). O crente não oferece mais animais, mas sim a sua própria vida, orações, louvores e atos de caridade como "sacrifícios espirituais" a Deus, tendo a responsabilidade e o privilégio de interceder pelo próximo e pregar o Evangelho, agindo como ponte entre o mundo e o Eterno. Enfim, se o sumo sacerdote judeu entrava todos os anos no santuário com sangue que não era seu. Jesus, contudo, manifestou-se uma única vez para abolir o pecado (Hb 9.24-28).