sexta-feira, 3 de abril de 2026

Examine-se pois o homem a si mesmo

Vivemos em uma época em que a tendência humana é olhar mais para a vida alheia do que para a própria. As mídias sociais é um exemplo disso refletindo uma enorme superficialidade e um comprometimento com a imagem que se quer passar. Julga-se com facilidade as atitudes dos outros, suas falhas, incoerências e não se aplica o mesmo zelo à si próprio. No fundo evidencia um enorme isolamento social, um mundo mentiroso apresentado sem frustações em que os conflitos são incentivados. "Examine-se, pois, o homem a si mesmo" é uma exortação bíblica paulina que convida à autoanálise sincera antes de participar da Santa Ceia. O texto orienta o indivíduo a avaliar sua própria conduta, fé e discernimento sobre o sacrifício de Cristo, evitando participar de forma "indigna" ou negligente, o que traria julgamento. Mais do que uma checagem rápida, é um exercício contínuo de olhar para dentro, reconhecendo falhas e corrigindo-as (1 Co 11.28). O objetivo não é causar medo, mas garantir que a participação no pão e no cálice seja feita com reverência e compreensão, discernindo o "corpo do Senhor" (a igreja e o sacrifício). A Bíblia orienta que a falta de autoexame e o desrespeito ao momento sagrado geram fraqueza espiritual e física. A ordem é clara, examinar a si mesmo, não ao próximo, evitando o julgamento alheio. A frase destaca a necessidade de sinceridade pessoal e arrependimento para manter uma comunhão saudável com Deus e com a comunidade.

Examinando tudo pela Palavra

Em todo o tempo, o cristão necessita discernir o que Deus está falando. A voz divina traz paz, nunca contradiz as Escrituras e requer sensibilidade espiritual para diferenciar sentimentos pessoais da vontade divina. Para isso é necessário buscar entendimento diário para perceber o que Ele espera especificamente de você. Infelizmente em nossa cultura a palavra discriminação carrega uma forte conotação negativa, porque está associada a pessoas que fazem distinções injustas entre raças. Mas, discriminar é o sinônimo de discernir, ou seja, traçar uma linha entre o bem e o mal, o verdadeiro e o falso, o certo e o errado. Por quê? Porque desde o início, Ele se comunica com o ser humano de forma a não somente transmitir mensagens, mas fazendo doação de Si mesmo a nós. O Altíssimo é também o Emanuel, Deus conosco! O Senhor usa de vários meios para nos transmitir Seus desígnios e Sua Pessoa. Há os anjos, que são Seus mensageiros e os dons do Espírito Santo, mas principalmente as Sagradas Escrituras. Entre os dons destaca-se a necessidade do crente desenvolver o dom de discernimento. O discernimento espiritual envolve aprender a silenciar as opiniões passageiras e os ruídos do mundo para focar na voz eterna de Deus e ele não nasce do achismo, mas da intimidade. Em Béreia, Paulo disse que eles eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (At 17.11). Eram fieis que tinham discernimento e não "engoliam" tudo o que lhes eram ensinados, nem mesmo pelo o apóstolo, mostrando uma reverência maior à Palavra. Ela é o único referencial para julgarmos com eficiência as mensagens que nos rodeiam é justamente a palavra de Deus que nos convoca ao discernimento bíblico e ensina como fazê-lo. O apóstolo Paulo, escrevendo à Igreja em Tessalônica nos ensina a como atender ao discernimento bíblico: “Julgai todas as coisas…” (1 Ts 5.21-22). O mesmo discernimento cauteloso que às Escritura exigem de pastores e presbíteros (1Tm 4.6-7, 13,16; Tt 1.9), também é um dever de todo crente. Além disso o cristão deve “…Reter o que é bom” e proteger a verdade e a lutar por ela, atacando a mentira, falando a verdade em amor e firmeza (1 Tm 6.20; 2 Tm 1.13-14). Enfim, o discípulo deve “…abster de toda forma de mal” mostrando pureza na vida e a honra de Cristo.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Deus vai na frente

A frase "Deus vai na frente" é fundamentada em passagens bíblicas que prometem a presença e o preparo divino. O texto bíblico mostra que o Senhor precede, acompanha e jamais abandona o cristão: "O Senhor passará adiante de ti e destruirá nações para que possas possuir a terra". Ele o encoraja a não ter medo nem perder a coragem diante de desafios ou do futuro (Dt 31.3). Isso significa que "O próprio Senhor irá à sua frente e estará com você; ele nunca o deixará, nunca o abandonará. Não tenha medo! Não desanime!" (Dt 31.8). O profeta Isaías relata a promessa do Altíssimo dando sempre uma direção divina atrás de você, dizendo "Este é o caminho", indicando a condução de Deus (Is 30.21). Ele ir na frente, de igual modo, significa que Ele prepara o caminho e luta por seus filhos. Isso traz a certeza de que não é preciso ter medo de circunstâncias difíceis ou do desconhecido. Mesmo sem ver a saída, o fial cuida que a fé permite descansar no cuidado de Deus. Por outro lado, um dia todos nós vamos estaremos diante de Deus para sermos julgados, e Ele, estará à nossa frente. Todos os seres humanos comparecerão diante de Deus para prestar contas de suas vidas. Esse evento é descrito como um momento de prestação de contas individual e um julgamento de obras. No Antigo Testamento, já se ensinava que "Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mau" (Ec 12.14). O apóstolo Paulo afirma que "todos compareceremos diante do tribunal de Deus" e que "cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus" (Rm 14.10-12). Explica que todos devemos comparecer perante o tribunal de Cristo para que cada um receba a retribuição pelo que fez enquanto estava no corpo, seja o bem ou o mal (2 Co 5.10). Estabelece a ordem natural dos eventos espirituais: "aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo" (Hb 9.27). Enfim, no último livro da Bíblia, há a visão do Grande Trono Branco, onde os mortos, "grandes e pequenos", são julgados de acordo com o que está escrito nos livros (Ap 20.11-15).

domingo, 29 de março de 2026

Intolerância religiosa

João disse a Jesus que tentaram impedir alguém de expulsar demônios porque não o seguia. Jesus respondeu: "Não o impeçam... pois quem não é contra nós está a nosso favor". A frase "quem não é contra nós, é por nós" é uma resposta de Jesus aos discípulos relatada pelo evangelista Marcos. Nela há uma indicação de tolerância e unidade no serviço a Deus, repreendendo o exclusivismo. Isso vai ao contrário de muitas comunidades religiosas que trabalham com essa ideia. Exclusivismo é a tendência ou prática de excluir sistematicamente outras pessoas, ideias ou grupos, privilegiando apenas um círculo, crença ou sistema específico. Caracteriza-se pela intolerância, restrição de acesso e valorização de um único aspecto em detrimento de outros, muitas vezes associado a egoísmo ou elitismo. Nesses grupos há uma mentalidade de rejeição ao que é diferente, valorizando apenas o próprio grupo ou convicção. Os elitistas creem que apenas o ponto de vista bíblico deles é verdadeiro, considerando todas os outros falsos ou inválidos. Ao contrário deste cenário, o Mestre ensina que, se alguém realiza boas obras em seu nome, deve ser aceito, mesmo não sendo do grupo principal (Mc 9.38-40). Esta passagem destaca a necessidade de não impedir ações bondosas realizadas em nome de Cristo. Ela combate o ciúme ministerial e a visão estreita de que apenas um grupo específico tem a "autoridade" de agir.

Entrando no Reino dos céus

A frase "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus. Quem entra então? Segundo Jesus, "aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus" (Mt 7.21). Isso denota que a salvação exige ações práticas e obediência à vontade de Deus, não a filiação religiosa. O Mestre enfatiza que realizar milagres ou pregar em seu nome não garante a entrada no Reino; a transformação de vida e a obediência são essenciais (Mt 7.21-23). Então, a verdadeira fé é demonstrada ao colocar em prática a vontade de Deus, agindo com sinceridade e não com falsidade ou palavras vazias. Muitos que dizem ser seguidores ("Senhor, Senhor") podem ser rejeitados se não viverem de acordo com os ensinamentos, mostrando que a fé exige compromisso real. A essência da mensagem é que o Reino dos Céus é para aqueles que constroem suas vidas sobre a rocha da obediência à palavra de Deus, tornando-se verdadeiros discípulos. É importante e fundamental o conhecimento da doutrina da Igreja, pois o profeta Oseias adverte em seu livro: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento”. Deus quer que todos O conheçam: "Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade" (1 Tm 2.3,4). O verdadeiro fundamento para construir nossa vida é o próprio Deus. Quem se apoia n´Ele, este é que permanece inabalável apesar de tudo. Não haverá nada nem ninguém que o faça sucumbir. Porém, apoiar-se em Deus sempre implica fazer sua vontade com seriedade e sinceridade sem ficar-se nas meras aparências, pois “Nem todo aquele que diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”.