Um Blog de estudos e comentários bíblicos. Apesar da muita disponibilidade e acesso no mundo virtual, este blogueiro entende que precisamos o mais rápido possível redescobrir a Palavra de Deus! esdrasneemiasdossantos@gmail.com Read it in english: http://thebiblebythebible.blogspot.com.br/
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
O juízo deve ser sob medida
Existe uma tendência humana em atenuar nossas faltas e darmos ênfase às dos outros? Sim.
Ao analisarmos a diferença entre argueiro e trave, certamente a trave deveria conseguir mais atenção? É.
Segundo o ensino do Mestre, damos atenção ao cisco no olho do nosso irmão, entretanto temos problemas maiores que não damos crédito, ou desprezamos.
Igualmente precisamos ter misericórdia de nós mesmos, (pois alguns se cobram muito) e também dos outros.
Se esforçamos para melhorar, não pode faltar o entendimento que dependemos na maior parte da graça divina para alcançarmos melhorias? Obviamente.
E os outros? Bem, como depende identicamente mais de Deus, é indispensável estarmos submissos a Ele nesse quesito? Certamente.
O juízo deve ser sob medida, com misericórdia e direcionados pelo Eterno para que da mesma forma sermos julgados nesse ou outros casos!
Diaconato feminino
O debate contemporâneo sobre o diaconato feminino divide teólogos, historiadores e líderes religiosos.
Existe o receio de que a aprovação do diaconato feminino seja apenas o primeiro passo para exigir a ordenação de mulheres como pastoras ou sacerdotisas,
O Novo Testamento menciona explicitamente mulheres exercendo o diaconato.
As mulheres diaconisas devem ser honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo (Tm 3.11).
O contexto histórico da carta à Timóteo está inserido nas Cartas Pastorais (1 e 2 Timóteo e Tito), escritas por volta de 62-67 d.C. pelo apóstolo Paulo.
O texto reflete um momento de transição e amadurecimento das primeiras comunidades cristãs.
O exemplo mais citado é Febe, descrita por Paulo em Romanos como "diácono" (usando o termo masculino no grego para indicar a função oficial) da igreja de Cencreia (Rm 16.1).
No grego original, a palavra usada é gynaikes (que pode significar tanto "mulheres" quanto "esposas").
Os historiadores e teólogos dividem-se em duas interpretações principais sobre quem eram essas mulheres.
Pensando em esposas dos diáconos, entende-se que , como os diáconos visitavam os lares e cuidavam de finanças, suas esposas precisavam partilhar do mesmo bom testemunho para não comprometer o ministério do marido.
Por outro lado, há muitas evidências históricas apontam que eram mulheres que exerciam o próprio diaconato.
Na cultura da época, os homens não podiam entrar livremente nos quartos das mulheres; por isso, as diaconisas eram essenciais para batizar, instruir e assistir as mulheres doentes ou necessitadas.
Ensinamentos para Timóteo
“Aquele que honra a Deus” acompanhou o apóstolo Paulo em suas caminhadas e por ordem dele, o jovem pastor Ficou em Éfeso com a preocupação de manter a doutrina e se afastasse de fábulas, genealogias, evitando contendas.
Quanto aos cuidados pessoais, exortou ao discípulo que pelejasse a boa milícia pelas profecias houveram para ele, sobre o seu ministério, conservando a fé e a boa consciência.
Recomenda a orar por todos os homens e por aqueles que estão em eminência para que tenhamos uma vida quieta e sossegada.
Ensina como a mulher de Deus deve se vestir: traje honesto, com pudor e modéstia, sem ostentações e com boas obras.
Anima os candidatos ao episcopado, entretanto enumera as qualificações inclusive quanto a casa do presbítero.
O bispo deveria ser casado? Não. Se casado, que fosse de uma mulher, no sentido de não divorciados, separados e pior ainda, sendo casados novamente. Não servem para ser anciãos!
Para o presbitério precisa também ser aptos para ensinar, diferentemente dos diáconos, isso não é cobrado.
As mulheres diaconisas devem ser honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo.
Não significa que as mulheres dos que servem às mesas deveriam ser assim, pois isso não é exigido do episcopado que é mais rígido.
sábado, 15 de agosto de 2026
Despertando do sono
Estagnação é a condição ou estado do que se encontra estagnado; que não flui nem se movimenta, segundo o Dicionário Online de Português.
Espiritualmente também, poderíamos ficar estagnados? Certamente.
O apóstolo Paulo na epístola aos Hebreus, capítulo sexto exorta o crente precisa deixar os rudimentos da doutrina de Cristo, prosseguindo até a perfeição, pois se espera coisas melhores e uma das coisas que acompanham a salvação é o crescimento espiritual, para uma completa certeza da esperança.
Não podemos nos fazer negligentes sem imitar aqueles que pela fé e paciência herdam as promessas.
Abraão cresceu em fé? Sim, como também Isaque, Jacó e seus filhos, Davi e Samuel.
Salomão em sua sabedoria observou que o caminho dos ímpios é como a escuridão; nem sabem em que tropeçam, mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito e que só acham o conhecimento do Eterno aqueles que estão atentos a ouvir e coração inclinados ao entendimento, que clamam por conhecimento e por inteligência alça a sua voz.
Na segunda epístola do apóstolo Pedro, ele nos mostra a importância de crescermos na graça e no conhecimento de Cristo Jesus para que não sejamos arrebatados pelo engano dos homens abomináveis e possamos descair da nossa firmeza.
O profeta Oséias vaticinou que o povo de Israel foi destruído por falta de conhecimento. Por terem rejeitado o conhecimento, Deus os rejeitaria como seus sacerdotes.
Esses dormentes desprezam assim o conhecimento que vem da boca do Senhor!
Crescimento espiritual
Segundo a Palavra, as águas milagrosas de Ezequiel 47, curariam todos os males, entretanto, não curarão a todos, pois o vidente detalha que águas paradas (charcos e os seus pântanos) não tornar-se-ão saudáveis; serão deixados para sal.
Por isso na caminhada é importante estarmos sempre atentos.
O crescimento espiritual tem que ser constante, para podermos experimentar do alimento sólido e não estarmos sempre imaturos e dependentes do leite.
Assim, a referida passagem de Ezequiel , mais especificadamente no capítulo 47 é um convite, a cada cristão de experimentar as profundezas dos mistérios e intimidade com Deus, até chegarmos à profundidade de ter de atravessar à nado, isso é, até chegarmos à estatura de “varão perfeito” (Ef. 4.13).
Assim sendo, o desejo e o comprometimento do cristão deve ser de aprofundamento mais e mais nas coisas de Deus, seja em oração, louvor, na Palavra e na intimidade com o Pai.
Assim como as águas paradas tornar-se-iam não saudáveis na passagem de Ezequiel ou o Sal da Terra quando se torna insípido para nada mais serve a não ser para ser pisado pelos homens (Mt 5.13).
Enfim, o crente ao se estagnar espiritualmente deve tomar cuidado para não se transformar de cheiro suave ao fedor de lodo.
Deus morreu por todos para salvação de muitos?
A lei direciona para a graça
A lei que foi ministrada por Moisés teve o seu importante papel de aio, guia.
Sua função foi cumprida? Sim, claramente, mas não era aperfeiçoar o homem.
Precisava de algo mais, completo - e o novo concerto eterno em Cristo Jesus, em sua morte, pode sim transformar o mais vil pecador.
Ele não precisa de complementos, é suficiente, sublime e tem poder não só de começar a boa obra de aproximação do Eterno, como também de completá-la até aquele grande dia? Sim.
Entretanto se desprezarmos este novo testamento, o que nos restará, condenação? Certamente.
O profeta já mandou a mensagem: “não desprezeis os dias das pequenas coisas”, ou ainda "como escaparemos nós se não atentarmos para tão grande salvação?".
A alma é mortal
A imortalidade é um tema muito discutido e pouco compreendido pela maioria dos cristãos.
Muitas vezes os cristãos ao invés de serem influenciados pela Palavra de Deus, buscam respostas incompletas na filosofia.
Até mesmo os teólogos inconstantes e neófitos se deixam levar por ideias não bíblicas diversas.
Há casos que contrariam a correta interpretação hermenêutica “a Bíblia deve ser interpretada pela Bíblia”.
é certo que a Bíblia afirma que Deus é "o único que possui imortalidade" inerente em Si mesmo (1 Tm 6.16).
Como a única Fonte da vida, Deus concedeu originalmente o dom da imortalidade a todas as Suas criaturas, na condição de que estas continuassem vivendo em plena comunhão com Ele.
Assim, a imortalidade é algo só de Deus? Sim.
Segundo a carta de Paulo a Timóteo diz que só Ele tem a imortalidade.
O profeta Isaías nos alerta que toda a carne é erva, isso é, passa rápido e logo seca (Is 40.6-8).
O profeta é corroborado por Salomão que disse que nenhum homem tem domínio sobre a vida (Ec 8.8).
Enfim, a alma ser imortal é uma fábula que muito contada parece verdade.
Morando com Deus
A Bíblia mostra desde seu início que Ele sempre quis habitar entre os homens. Mandou Moisés construir o Tabernáculo, que seria a sua morada.
O profeta Isaías em um de seus oráculos disse que o seu nome seria Emanuel – Deus conosco. O Alto e Sublime que habita na eternidade também demonstra o seu interesse de habitar entre os humanos.
Salomão, a quem Ele deu sabedoria, riqueza e paz para construir um templo para adoração dEle, disse “...habitará Deus com homens na terra? Eis que os céus dos céus não te podem conter , quanto menos esta casa que tenho edificado?”
Na volta do cativeiro disse por Ageu, um profeta daquele tempo, que apesar daquele templo ser simples, naquele lugar viria o Desejado das Nações. O Criador que se fez carne foi ali apresentado por Simeão, que ainda disse que ele era posto para sinal contraditado.
O salmista diz, no Salmo 84, que são amáveis os seus tabernáculos. A alma dele anelava pelos seus átrios. Até os pássaros encontram abrigo lá – Deus as alimenta e protege como diz o evangelista Mateus?
Diante de tudo isso exposto, descortina-se um dos maiores segredos da humanidade: Ele quer habitar em nós, no nosso coração, ser o centro de nossa vida, quer o nosso melhor, a nossa companhia.
Seguindo a Paz
Vivemos em um mundo no qual se incentiva a disputa, as competições são enaltecidas e grande parte das guerras é por motivo nada ético ou bom.
Muitos estudiosos comentam que uma das características do mundo moderno ou pós-moderno é a individualização, ganha-se em conhecimento, entretanto perde-se em singeleza, aumentam-se os riscos.
No entanto, em contradição a tudo isso, no Salmo 119 e verso 165, tem uma interessante frase: “muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço.”
A Palavra não é de particular entendimento, como bem disse o apóstolo, mas aqui vemos claramente uma condição para termos muita paz. Qual é? É amar a lei de Deus. Contudo, o que é isso? Não seria amá-lo?Sim.
O apóstolo João disse que no princípio era o verbo e Ele estava com Deus e Ele era Deus. O próprio Senhor se apresenta como sendo Ele a Palavra.
Em outro lugar do texto sagrado diz que aqueles que o amam, guardam os seus mandamentos.
Em se guardar os mandamentos teremos paz? Sim. E para nós não haverá tropeço, armadilha.
No livro do profeta Isaías está escrito: “Ele será chamado Príncipe da Paz” e ”nenhuma ferramenta preparada contra ti prosperará.”
O salmista disse: “mil cairão ao teu lado e dez mil a tua direita, mas tu não serás atingido” e “o Senhor abençoará o seu povo com paz”.
Há muitas recompensas para aqueles que amam a lei dEle, mas ao ímpio, diz o Senhor, ele não tem paz!
Indo à casa dos recabitas
No capítulo 35 do livro do profeta Jeremias é relatado um fato interessante.
Uma ordem divina para o profeta: “Vai à casa dos recabitas...".
E acrescenta ainda, "... fala com eles, e leva-os à casa do SENHOR, a uma das câmaras e dá-lhes vinho a beber.”
A resposta deles: “Não beberemos vinho, porque Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, nos ordenou, dizendo: nunca bebereis vinho, nem vós nem vossos filhos.”
O nazireu não podia beber vinho ou bebida forte e Deus disse para Arão “Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais.”
Estas recomendações encontraram na lei mosaica quanto ao vinho. Com isso, não daria para dizer que o vinho era proibido naquela época. Mas, foi uma recomendação do pai deles.
A recompensa deles por sua obediência a Jonadabe, seu pai, é que teriam uma descendência abençoada por Deus. Nunca faltaria de sua família alguém que assistisse perante o Senhor.
Poesias na Bíblia
Em tempos de muita pressa nos quais estamos vivendo há um número grande de pessoas que, ao mesmo tempo sozinhas, apesar de estar em grandes multidões.
Não é um privilégio ter tempo para apreciar com calma e atenção as poesias?
Elas são construídas com muito esforço e/ou inspiração!
A Bíblia oferece poesia para a alma, focada em conforto, esperança e renovação espiritual através da presença de Deus.
A poesia hebraica não tem métrica nem rima de sons (ou não se sabe exatamente, provavelmente houve perdas nas traduções do hebraico para outras línguas) mas consiste de sentidos comparativos, seja contrários ou similares com o desenvolvimento de uma ideia.
Um exemplo disso são os Salmos, como: "Como a corça anseia por águas..." (Sl 42.1-2).
"A minha alma descansa somente em Deus" (Sl 62.1-2).
"A minha alma se derrete de tristeza; fortalece-me segundo a tua palavra"(Sl 119.28).
No Salmo 51 há um forte pedido por renovação espiritual e alegria na salvação (Sl 51).
Há na Bíblia romance que merece destaque como o Cântico dos cânticos.
Ela é uma coletânea de poemas que celebram o amor entre a Amada e o Amado, com expressivas aliterações.
Já no primeiro verso: "Beija-me com beijos de tua boca"!
Ou ainda no sétimo: "Diz-me tu, amado de minha alma, onde apascentas teu rebanho e onde o fazes repousar ao meio dia".
Enfim, há ainda nas palavras de Jesus, especialmente nas parábolas que narrava ao povo, são muitas as expressões poéticas, como “olhai os lírios do campo, que não trabalham nem fiam e, no entanto, nem Salomão, com toda a sua glória, se vestiu como um deles” (Lc 12. 20-32 e Mt 6.24-33).
O dia mal
O livro do Pregador ou Eclesiastes nos relata que todos têm dias ou momentos de profunda tristeza.
Mas, no Salmo 50 e verso 15, temos uma recomendação divina para aqueles que oferecem sacrifício de louvor e pagam ao Altíssimo os seus votos: “Invoca-me no dia angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás”.
O escritor aos Hebreus diz que o sacrifício de louvor é o fruto dos lábios que confessam o nome de Deus.
Então, o que vem a ser sacrifício de louvor? São as pessoas que glorificam a Ele com suas boas ações e procedimentos? Sim.
O que temos feito no dia da angústia? Além de ficar estressado, deprimido, angustiado? Estaríamos esquecendo o mais importante que é clamar a quem pode nos socorrer? Não podemos.
José teve vários momentos assim, Jonas clamou no ventre do peixe já perto de sua morte, Sansão pediu força mais uma vez. Ana, com amargura de alma, clamou ao Senhor por um filho e foi atendida. Ezequias clamou a Ele quando lhe foi informado que não viveria mais. E quantos mais provaram esta verdade em suas vidas?
Entretanto, ao ímpio diz Deus: Que tens tu que recitar os meus estatutos e que tomar o meu concerto na tua boca, pois aborreces a correção e lanças as minhas palavras para detrás de ti?
Que costume esquisito!
No primeiro livro da bíblia, no capítulo 12, temos relatada a história do pai na fé, Abraão. No versículo 10, temos um episódio interessante, que mostra um pouco como eram os costumes no Egito.
Ele precisou descer para lá devido à fome na terra em que estava. Logo se preocupa com sua vida, pois sua mulher era muito formosa. Por quê? Por causa dos costumes daquela terra.
Deixa parecer que para se tomar a mulher do outro no Egito, bastava “apenas” que o marido fosse morto? Sim.
“Gente boa”, hein? A mulher é muito bonita e adulterar a gente não pode, então mata o marido e tudo resolvido! Que costume esquisito!
Não vemos Abraão orando para pedir uma direção para Deus. Será que ele buscou a orientação divina? A bíblia fala sobre isso? Não. Então ele diz uma meia verdade – pois Sara era irmã dele também, filha do mesmo pai, mas com outra mãe – para tentar resolver o problema dele.
Para aquele povo, adultério era considerado pecado relevante, mas, assassinar o marido não tinha problema? Pois é... hoje se inverteu, matar não pode mais casar com casados, pode!
Vemos isso acontecendo em outras vezes, inclusive com Isaque – dizendo que era irmão de sua linda esposa para não ser morto. Mas Deus que tudo vê e guarda os seus profetas, não deixou que os egípcios tocassem neles e nas suas esposas.
Fazendo uma comparação do Egito com o mundo – modo de viver das pessoas sem Deus - também vemos que entre eles existem costumes muitos estranhos e longes do padrão da Palavra.
Aliás, não deveríamos esperar algo diferente deles, pois estão em trevas, enganando e sendo enganados. E mais ainda, nem sabem onde tropeçam!
O próprio Jesus ensinou aos seus discípulos que no mundo teriam aflições, mas era para ter bom ânimo, pois Ele tinha vencido e venceríamos também.
Mas, se formos amigos do mundo, seremos inimigos dEle. Vale a pena? Certamente que não.
Agora, com o mundo mais corrompido, precisamos ser cada vez mais simples e prudente para não embaraçarmos com ele, não é mesmo?
O Emanuel está conosco
Quando os edificadores lançaram os alicerces do templo, no retorno do cativeiro, o livro sagrado diz que os sacerdotes e os levitas, filhos de Asafe, se reuniram com saltérios, para louvarem ao Senhor.
Cantavam a revezes e todo o povo jubilou com grande júbilo pela fundação da Casa.
Porém muitos dos sacerdotes, e levitas, e chefes dos pais, já velhos, que viram a primeira construção, choraram em altas vozes, de maneira que não discernia o povo as vozes de alegria das vozes do choro.
Fazendo-se uma comparação entre os dois templos: o de Salomão e o daquela época, há muitas discrepâncias.
O mesmo Senhor, que incentivou a construção do primeiro, dando muitas riquezas, gente para trabalhar, paz em redor; incentivou também agora no último: falta gente, recursos e o povo vive em meio a muitas perseguições.
Então, veio àquela palavra de Deus para o povo, através do profeta Zacarias "não desprezeis o dia das pequenas coisas".
Por fim, e ainda por Ageu "a glória desta última casa será maior que a da primeira".
Eis a questão principal, o templo em si não era nada, mas o que Deus iria fazer, sim era muito grande, viria o Desejado de todas as nações.
O Emanuel viria estar conosco, moraria em nós apenas seres viventes feitos do pó da terra, pois Ele não mora em templo feito por mãos humanas, como bem disse Estevão perante os seus falsos acusadores.
A glória desta última casa será maior que a da primeira, entretanto não devemos desprezar o dia das pequenas coisas.
Falsidade ideológica
Falsos profetas são pessoas que afirmam falar em nome de Deus, mas transmitem mensagens enganosas e distorcidas, muitas vezes para benefício próprio, poder ou reconhecimento
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:"Acautelai-vos dos falsos profetas, que andam vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos frutos os conhecereis. Poderão colher-se uvas dos espinheiros ou figos dos cardos? Assim, toda a árvore boa dá bons frutos e toda a árvore má dá maus frutos.
E continua: "Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos. Toda a árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Portanto, pelos frutos os conhecereis" (Mt 7.15-20).
O assunto é sobre os falsos profetas pois são enganadores, parecem mansas ovelhas, mas são lobos ferozes; falam com suavidade mas escondem um coração egoísta e manipulador.
João Batista os denunciou: "Acorriam até Ele mas não tinham nenhuma vontade de se emendarem".
A esses dizia asperamente:“Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira iminente? Dai o fruto que a conversão exige. O machado já está posto à raiz das árvores, e a árvore que não dá bom fruto será cortada e lançada ao fogo” (Mt 3.7).
Não basta pois dizer, torna-se necessário praticar.
O profeta bom e autêntico deve ser coerente na Palavra e na ação!
Santo na aparência
A crítica aos “fariseus” é recorrente nas palavras sagradas.
Há o risco de alguém se considerar reto, ou, pior, melhor do que os outros, pelo simples fato de observar regras, os costumes, mesmo se não ama o próximo, se é duro de coração, se é soberbo, orgulhoso.
O ministério de Jesus contrapôs a atitude dos escribas e dos fariseus, fundadas na “exclusão”, à de Jesus, fundado na “inclusão”.
Jesus condenou os fariseus porque conhecia-lhes o coração: eram pecadores, mas se consideravam santos.
O Senhor queria ensinar aos seus discípulos que não basta o cumprimento exterior de boas obras; o que torna boa uma ação não é apenas o seu objeto, mas a intenção.
No entanto, se é verdade que não bastam as boas obras se falta a boa intenção, é igualmente verdade que não basta a boa intenção se faltam as boas obras.
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Acabando com a idolatria em Israel
A idolatria foi sempre combatida por Deus desde a saída dos filhos de Israel do cativeiro egípcio (Êx 20.3-5,23).
Depois da aliança firmada no monte Sinai, Deus sempre advertiu seu povo de lhe ser fiel, e de não seguir os deuses das nações dos quais herdariam a terra (Êx 34.10-17).
Porém, durante a monarquia, Salomão trouxe este mal para dentro da nação santa e, consecutivamente, Jeroboão, filho de Nebate, oficializou o culto ao bezerro (1 Rs 11. 12.26-33).
Os profetas de Baal, que eram sustentados pela casa do rei (1 Rs 18.19), falavam ao povo o que o rei, e sua consorte queriam ouvir. Esses profetas faziam parte de um sistema estatal do governo (1 Rs 18.4).
A partir de então, os deuses das nações, dos quais o Senhor disse que não deveriam ser adorados, começam a fazer parte dos cultos do reino do norte. E, desses deuses, as divindades cananeias com seus cultos cheios de licenciosidade tiveram fácil aceitação dentre os hebreus (Nm 22.41; Jz 2.11,13; 2 Rs 23.4-6).
Assim sendo, suas principais divindades eram Baal e Astarote (Aserá). Baal era o deus do sol e das tempestades, responsável pela germinação e crescimento da lavoura, o aumento dos rebanhos e a fecundidade das famílias. Seu nome significava “senhor” ou “dono”. E, também, pode sinonimamente significar “proprietário” ou “marido”.
Desta forma, Baal era o supremo deus cananeu (rei dos deuses), e seu extenso nome era Baal Semaim (senhor do céu).
Portanto, cada lugar tinha seu próprio Baal.
A rainha Jezabel, finalmente, conseguiu realizar seu intento que era institucionalizar o culto a Baal e a Aserá no reino do norte.
Desta forma, o Senhor, Deus de Israel, passou a ser apenas mais uma divindade dentre as muitas daqueles politeístas.
E, de fato, seus profetas naquele momento eram a maioria. Isso porque, além dos profetas do Senhor que Jezabel destruiu (1 Rs 18.4), os outros estavam escondidos (1 Rs 19.18).
Na verdade, a Maior Autoridade estava com Elias, pois ele exaltou o nome do Senhor desmascarando aqueles falsos profetas (1 Rs 18.40,41).
Mas a destruição final deles acontece com Jeú ungido rei com a missão de acabar com a idolatria baalista e Jezabel (2Rs 9.6) restabelecendo a autoridade do Senhor(2Rs 10.20).
Sendo pai segundo Adão
O primeiro humano, personagem bíblico, criado a Sua semelhança, segundo a Bíblia, foi Adão.
É certo que ele foi cercado de cuidados, trabalho e recomendações.
A Adão Deus deu o trabalho de dar nome aos animais que Ele havia formado da terra os trouxe ao homem para ver como ele os chamaria (Gn 2.19-20).
Isso, sem sombra de dúvidas, representava um gesto de autoridade, domínio e responsabilidade sobre a criação
Adão observou as características de cada criatura no Jardim do Éden e atribuiu-lhes nomes, consolidando uma relação de harmonia entre o homem e a natureza.
Enquanto nomeava os animais, Adão percebeu que nenhum deles era um par compatível para ele, o que levou Deus a criar Eva.
Essa passagem é fundamental para a teologia do cuidado com a criação, onde os seres humanos foram feitos para cuidar e nomear, vivendo em equilíbrio com a natureza.
Dentro dos cuidados de Deus à sua "nova" criatura, o Senhor lhe deu, uma ajudadora, que lhe assistisse todos os dias de sua vida.
Observa-se que a mulher, segundo a Bíblia, não foi criada para competir com o homem.
Já sobre as recomendações, uma delas foi não comer da árvore do conhecimento do bem e mal.
O discernimento do que possa ser certo ou errado não foi condição aceita para se ter uma vida eterna, junto com o Criador.
E, sim a obediência ao Altíssimo, lhe atribuindo tempo definido sobre a face da terra, com sua esposa dando-lhe filhos e assim continuidade de sua geração, à sua semelhança.
Não sendo cobiçosos
O apóstolo Paulo aos Gálatas advertiu aos cristãos dizendo para eles não serem cobiçosos de vanglorias pois isso causa inveja.
Ele aconselhou a andar no espírito que é estar sob o controle e a direção do Espírito Santo.
Em vez de ceder aos impulsos egoístas e humanos da natureza carnal, a pessoa escolhe obedecer à voz de Deus, manifestando atitudes de amor, paz e bondade em suas escolhas (Gl 5.16).
A busca de vangloria aqui neste texto se refere à busca por orgulho pessoal, fama vazia ou considerar-se superior aos outros.
Isso destroem a comunhão e geram divisão, fazendo com que as pessoas "devorem umas às outras".
Em contrapartida, andar no Espírito produz amor, paz, mansidão e bondade.
Pai nosso que estais no céu
A filosofia aborda o amor e o cuidado divino através de conceitos que tentam conciliar a imensidão do universo com a nossa existência individual.
Em continuidade à famosa oração: "Santificado seja o teu nome; venha a nós o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu..."
Esta é parte da principal oração do cristianismo, ensinada por Jesus aos seus discípulos conforme registrada na Bíblia no Evangelho de Mateus.
Mostra que Deus é de todos e cuida de cada pessoa como um filho, nenhuma pessoa está fora do alcance do cuidado divino.
Deus conhece cada indivíduo pelo nome, compreendendo as suas dores, alegrias e pensamentos mais íntimos.
Pequenos livramentos, momentos de paz inesperados e a força para superar desafios são vistos como sinais desse cuidado.
Agostinho defendia que Deus não está longe, mas no ponto mais profundo da alma humana: "Deus é mais íntimo a mim do que eu mesmo".
Esta é uma visão profunda e reconfortante compartilhada por muitas tradições espirituais e de fé ao redor do mundo.
A ideia de que o divino possui um amor universal e, ao mesmo tempo, individualizado pode ser compreendida através de diferentes perspetivas.
Uma delas é que o sol nasce e a chuva cai para todas as pessoas, independentemente de quem sejam.
Enfim, ser pai segundo Cristo, é habitar no centro mais profundo e íntimo do filho, conhecendo-nos melhor do que ele mesmo.
sábado, 8 de agosto de 2026
Deus proverá para si o cordeiro
É certo que o Eterno enxerga a necessidade antes que ela aconteça e já prepara a solução.
A frase "Deus proverá para si o cordeiro" mostra isso!
Ela é a resposta que Abraão deu a seu filho Isaque, quando subiam ao monte Moriá e o rapaz perguntou onde estava o animal para o sacrifício.
No antigo Oriente Médio, os povos vizinhos (como os cananeus) sacrificavam rotineiramente seus filhos primogênitos a deuses como Moloque.
O Altíssimo pediu que Abraão sacrifique Isaque, seu único filho, como prova de fé e mesmo diante da dor, Abraão confiou totalmente na obediência e no poder divino (Gn 22.8, Hb 11.19).
Entretanto, quando Abraão já ia sacrificar o filho, o anjo do Senhor o deteve e um carneiro preso pelos chifres no mato foi providenciado no lugar.
Ao parar a mão de Abraão, o Deus de Israel declarou categoricamente que rejeita o sacrifício humano.
Ficou claro assim que o Deus vivo exige devoção total do coração, mas proíbe o derramamento de sangue humano em Seu nome.
Enfim, Deus não queria a morte do menino (o que seria contra o Seu caráter), mas queria o trono do coração de Abraão.
Haveria coisa alguma difícil ao Senhor?
Os momentos de espera e de dificuldades pessoais são os cenários onde a nossa fé é mais testada, mas também onde o poder de Deus se torna mais real.
A soberania e o poder de Deus são as âncoras mais seguras para se ter durante o seu momento de espera e dificuldade.
Isso quer dizer que Deus é soberano significa entender que Ele está no controle absoluto de tudo, e saber que Ele é poderoso significa que nada está além da capacidade dEle de agir (Sl 115.3).
"Haveria coisa alguma difícil ao Senhor? ", esta célebre pergunta retórica é encontrada em Gênesis, quando Deus confronta a incredulidade de Sara, que rira ao ouvir a promessa de que teria um filho na velhice.
A resposta implícita e absoluta das Escrituras é que para o Todo-Poderoso não existem limites, barreiras físicas ou impossibilidades temporais (Gn 18.14).
O patriarca e sua esposa eram idosos e biologicamente incapazes de gerar filhos, mas o cumprimento da promessa dependia unicamente do poder soberano de Deus, e não das capacidades humanas.
O texto reforça que os planos do Criador não sofrem frustração por causa do tempo ou das circunstâncias adversas; o que Ele declara, Ele cumpre no tempo determinado.
A pergunta serve como um convite constante para que os fiéis abandonem a dúvida racional e confiem que Deus pode operar milagres mesmo nos cenários mais irreversíveis (Is 40.1,31; Fl 4.7).
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Não a destruirei, por amor dos dez
A intercessão de Abraão em Gênesis 18 é um dos textos teológicos mais profundos do Antigo Testamento.
Ela estabelece bases fundamentais sobre a natureza de Deus e o papel do ser humano na oração.
Esta frase faz parte do famoso diálogo de intercessão entre Abraão e Deus registrado no livro de Gênesis, nela Abraão roga pela cidade de Sodoma.
O contexto da intercessão de Abraão abrange uma negociação com Deus diminuindo o número de justos de cinquenta até chegar a dez.
O texto demonstra a misericórdia divina e o poder da súplica em favor de outros.
No desfecho da narrativa, não havia nem mesmo dez justos na cidade, mas Ló e sua família foram salvos antes da destruição.
O texto reafirma que Deus não pune o inocente junto com o culpado (Ex 34.7, Naum 1.3).
Enfim, o Criador se submete ao diálogo e ouve pacientemente os apelos humanos.
Estabelecerei o meu concerto entre mim e ti
No contexto histórico do Segundo Milênio a.C., os povos da Mesopotâmia e de Canaã adoravam múltiplos deuses locais.
O pacto de Abraão marca a transição para um monoteísmo ético e exclusivo.
Um único Deus escolhe uma família específica para se revelar à humanidade, exigindo fidelidade total e um comportamento moral diferenciado das nações vizinhas.
O texto registra a promessa de uma aliança perpétua entre Deus, Abraão e os descendentes dele, selando a promessa de ser o Deus deles e de dar-lhes a terra de Canaã.
Na verdade é um pacto duradouro para todas as gerações futuras, e que Abraão seria pai de muitas nações e que reis descenderiam dele.
Nisso também está implícito a doação da terra de Canaã como possessão perpétua e a circuncisão de todos os homens como marca física da aliança.
O pacto com Abraão é o fundamento teológico, cultural e geográfico que moldou a história do Antigo Oriente Médio e deu origem às três grandes religiões monoteístas do mundo (Gn 17.7).
O custo de uma separação
As escrituras registram vários embates entre os descendentes de Isaque e os povos ligados a Hagar e Ismael.
Eles foram mercadores ismaelitas que compraram José (filho de Jacó) como escravo de seus próprios irmãos e o levaram para o Egito (Gn 37.28).
Nos livros de Crônicas e Salmos, os descendentes de Hagar (agarenos) aparecem em guerras diretas contra as tribos de Israel por território.
Essa divisão entre irmãos é a raiz da separação teológica entre o Judaísmo/Cristianismo (via Isaque) e o Islamismo (via Ismael, de quem o profeta Maomé é considerado descendente direto).
Enquanto a Bíblia afirma que o sacrifício no Monte Moriá seria de Isaque, a tradição islâmica (no Alcorão) defende que o filho a ser sacrificado era Ismael.
A genealogia oficial de Ismael e os fundadores das doze tribos ismaelitas estão registrados na Bíblia em Gênesis e no primeiro livro das Crônicas (Gn 25.12-16, 1 Cr 1.29-31).
A Palavra define claramente o território dessas doze tribos (Gn 25.18).
Segundo ela, eles habitaram a região que vai de Havilá até Sur.
Geograficamente, isso corresponde à área a leste do Egito, ao longo da rota em direção à Assíria (o que hoje compreende a maior parte da Península Arábica e o deserto do Sinai).
O texto afirma ainda que eles viveram em constante hostilidade ou "separados" de seus irmãos israelitas.
Há um ditado antigo que ainda é utilizado com eficácia: "dividir para enfraquecer".
Esperando no tempo de Deus
Sarai era estéril e não conseguia dar filhos a Abrão e disse: "Entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela" (Gn 16.2).
Naquela época, no Antigo Oriente Médio, era um costume legal e aceito que uma esposa estéril oferecesse sua serva ao marido para gerar herdeiros em seu nome.
Deus havia prometido uma grande descendência a Abrão, mas o casal estava envelhecendo.
Abrão aceitou a proposta. A serva egípcia, chamada Hagar, engravidou e deu à luz Ismael, o primeiro filho de Abrão.
A decisão de Sarai desencadeou uma série de conflitos familiares profundos.
As tensões começaram imediatamente e afetaram gerações.
Assim que Hagar engravidou, ela começou a olhar para Sarai com desprezo.
Sentiu-se superior por ter alcançado o que a patroa não conseguia.
Sentindo-se humilhada em sua própria casa, Sarai culpou Abrão pela situação, argumentando que a afronta de Hagar era injusta.
Para pacificar a esposa, Abrão deu a Sarai autoridade total sobre a serva. Ele disse: "A tua serva está nas tuas mãos; faze-lhe o que bem te parecer".
Sarai passou a tratar Hagar com tanta severidade que a serva, grávida, fugiu para o deserto.
Hagar só voltou para casa após um encontro com um anjo do Senhor, que lhe ordenou que se humilhasse sob as mãos de Sarai, mas prometeu multiplicar sua descendência.
Anos mais tarde, a promessa de Deus se cumpriu e Sara deu à luz Isaque.
Durante a festa de desmame de Isaque, Sara viu Ismael (então adolescente) zombando do irmão mais novo.
Sara exigiu que Abrão expulsasse Hagar e Ismael. Ela declarou que o filho da escrava não dividiria a herança com Isaque.
A exigência causou grande desgosto a Abraão, pois Ismael também era seu filho.
No entanto, Deus orientou Abraão a ouvir Sara, garantindo que cuidaria de Ismael.
Hagar e o jovem foram enviados ao deserto com pão e um odre de água.
Deus cumpriu a promessa feita a Abraão de também abençoar Ismael.
Ele gerou 12 príncipes (chefes de tribos), que se estabeleceram no deserto e deram origem aos povos ismaelitas e, historicamente, ao povo árabe.
Promessa de Deus tem tempo certo!
Altar, um local de encontro
O contexto histórico de Canaã na época de Abrão (por volta de 2000 a.C. a 1800 a.C.) corresponde à Idade do Bronze Médio.
Canaã funcionava como uma ponte terrestre entre as maiores potências da Antiguidade: o Egito ao sul e a Mesopotâmia ao norte.
Este período foi marcado por uma fragmentação política, forte influência do Egito e uma cultura religiosa politeísta ligada à agricultura.
Os povos locais adoravam um vasto panteão de deuses que personificavam as forças da natureza.
O deus supremo era El (o criador), mas a divindade mais ativa e cultuada era Baal (deus das tempestades, da chuva e da fertilidade), juntamente com deusas como Aserá e Astarote.
Os cultos eram realizados em santuários ao ar livre conhecidos como "lugares altos" (geralmente colinas ou bosques, como o carvalho de Moré).
Quando Abrão edifica um altar ao Senhor em Siquém, ele está a estabelecer um local de adoração ao Deus único no meio de um território profundamente politeísta
E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera” (Gn 12.7).
Abrão sai de Harã e chega até o carvalho de Moré, em Siquém, onde a promessa é feita.
A região prometida é Canaã, que mais tarde se tornaria a terra de Israel.
A palavra "semente" (ou descendência) aponta tanto para o povo de Israel quanto, em sentido maior na teologia bíblica, para Cristo.
Deus garantiu a terra à "semente" (descendência) de Abrão, no entanto, naquele momento, Abrão não tinha filhos e a terra estava ocupada pelos cananeus.
A fé exige confiar na Palavra de Deus mesmo quando as circunstâncias ao redor parecem contraditórias.
Significa viver com base na herança eterna e nas promessas futuras, e não apenas no que os olhos veem no presente (2 Co 5.7).
A primeira reação de Abrão ao receber a promessa foi erguer um altar.
Ele não construiu uma fortaleza para si, mas um lugar de adoração para Deus!
O significado teológico da fé de Abraão
Ur dos Caldeus e Harã foram os dois cenários fundamentais na juventude e no chamado de Abraão, situados na antiga Mesopotâmia (atual Médio Oriente).
Ambas as cidades eram centros urbanos prósperos, estratégicos e profundamente marcados pelo politeísmo pagão.
Ur localizava-se no sul da Mesopotâmia, perto do Golfo Pérsico, no atual Iraque.
Abrão viveu ali durante o período da Terceira Dinastia de Ur (por volta de 2100 a.C. a 1900 a.C.), uma era de grande avanço arquitetónico, matemático e cultural.
Harã situava-se no norte da Mesopotâmia, na bacia do rio Balikh, correspondendo hoje ao sudeste da Turquia (perto da fronteira com a Síria).
Era um ponto de cruzamento vital para as caravanas comerciais que ligavam a Mesopotâmia ao Mar Mediterrâneo, ao Egito e à Anatólia.
O pai de Abrão, Terá, decidiu deixar Ur e estabeleceu-se em Harã com a sua família.
Foi nesta cidade que Terá morreu e onde Abrão permaneceu até receber o chamado definitivo de Deus aos 75 anos.
"Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei" (Gn 12.1).
Este famoso versículo está registrado no livro de Gênesis das Escrituras Sagradas.
Ele marca o chamado de Deus a Abrão (que mais tarde se chamaria Abraão), exigindo que ele deixasse sua terra natal, seus parentes e sua segurança familiar para rumar a uma nova terra desconhecida guiada pela fé.
Deus pede desapego total de Abrão em relação às suas raízes geográficas e familiares.
Em troca da obediência, Deus promete fazer dele uma grande nação, abençoá-lo e tornar o seu nome grande, além de abençoar todas as famílias da terra através dele.
Abrão obedece prontamente, partindo de Harã rumo à terra de Canaã aos setenta e cinco anos de idade.
Enfim, o significado teológico da fé de Abraão é um dos pilares mais importantes das três grandes religiões monoteístas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo).
Na teologia bíblica, a fé de Abraão não é apenas uma crença intelectual, mas uma atitude existencial de confiança e obediência absoluta a Deus.
O apóstolo Paulo usa Abraão como o argumento teológico supremo nas cartas aos Romanos e Gálatas para provar que a salvação sempre foi pela fé, tornando Abraão o "pai de todos os que creem".
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Saul se desvia totalmente
“Ajuntaram-se os filisteus, e vieram e acamparam-se em Suném”, na extremidade norte da planície de Jezreel, enquanto Saul e suas forças se acamparam a poucos quilômetros, ao pé do Monte Gilboa, na extremidade sul da planície.
Saul sentia-se só e sem defesa, porque Deus o abandonara. Olhando para o exército filisteu, “temeu, e estremeceu muito o seu coração”(1 Sm 28.4, 5).
Saul soubera que Davi e sua força estavam com os filisteus, e esperava que o filho de Jessé aproveitasse esta oportunidade para vingar-se dos males que tinha sofrido. O rei estava em grande angústia, mas Deus não falava mais com ele.
Então disse Saul aos seus servos: “Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira, para que vá a ela e a consulte” (1Sm 28.6, 7).
Disfarçando-se, Saul saiu de noite, a fim de buscar a feiticeira.
Sob o manto das trevas, Saul e seus auxiliares se encaminharam através da planície, e, passando com segurança pelas hostes filistéias, atravessaram o cume das montanhas, em direção à morada solitária da pitonisa de En-Dor.
A mulher suspeitou que seu visitante era Saul, e seus ricos presentes fortaleceram-lhe as suspeitas. Ao seu pedido: “Peço-te que me adivinhes pelo espírito de feiticeira, e me faças subir a quem eu te disser”, respondeu a mulher: “Eis aqui tu sabes o que Saul fez, como tem destruído da terra os adivinhos e os encantadores; por que, pois me armas um laço à minha vida, para me fazer matar?” Então “Saul lhe jurou pelo Senhor, dizendo: Vive o Senhor, que nenhum mal te sobrevirá por isso”. E, quando ela disse: “A quem te farei subir?” ele respondeu: “a Samuel”.
Depois de praticar seus encantamentos, ela disse: “Vejo deuses que sobem da terra. […] Vem subindo um homem ancião, e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou” (1 Sm 28.8-14).
Após a morte de Saul
Após a morte de Saul, a notícia da derrota espalhou-se larga e extensamente, levando o terror a todo o Israel.
O povo fugia das cidades, e os filisteus tomavam posse destas, sem serem incomodados nisso.
O reino de Saul, independente e desprezado por Deus, se tinha quase mostrado a ruína de seu povo.
No dia seguinte ao da luta, os filisteus, examinando o campo da batalha para roubar aos mortos, descobriram os corpos de Saul e de seus três filhos.
Para completarem seu triunfo, deceparam a cabeça de Saul e o despojaram de suas armas; então a cabeça e a armadura, exalando o cheiro de sangue, foram enviadas ao país dos filisteus como troféu de vitória, “a anunciá-lo no templo dos seus ídolos e entre o povo”.
A armadura finalmente foi posta no “templo de Astarote”, enquanto a cabeça foi fixa no templo de Dagom.
Assim a glória da vitória foi atribuída ao poder desses falsos deuses, e o nome de Jeová foi desonrado.
Assim pereceu o primeiro rei de Israel
Após passar a madrugada com a bruxa, Saul, antes do romper o dia, volta ao acampamento de Israel.
Ao consultar aquele espírito mal, o rei destruíra a si mesmo.
Na planície de Suném e nas encostas do Monte Gilboa, os exércitos de Israel e as hostes dos filisteus empenharam-se em batalha, mas os homens de Israel fugiram de diante dos filisteus, e caíram atravessados na montanha de Gilboa.
Os tês filhos do rei morreram ao seu lado. Os flecheiros apertaram Saul. Tinha visto seus soldados caírem em redor de si, e seus filhos príncipes cortados pela espada.
Ele próprio, estando ferido, não podia nem combater nem fugir. Escapar era impossível; e, resolvido a não ser tomado vivo pelos filisteus, ordenou a seu pajem de armas: “Arranca a tua espada, e atravessa-me com ela” (1 Sm 31:1, 4).
Recusando-se o homem a erguer a mão contra o ungido do Senhor, Saul tirou sua própria vida, lançando-se sobre a espada.
Conto de fábula
É tradicionalmente aceito que João foi exilado na ilha de Patmos.
No entanto, o apóstolo estava na ilha de Patmos, e lá não tem nem era exílio algum como em 1800 foi utilizada, por Napoleão Bonaparte, entretanto, o escrito foi realizado no ano cem depois de Cristo.
Enfim, chega de fábulas, João não estava exilado na ilha de Patmos, estava lá por causa da Palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo, como diz a Palavra.
Cuidado com o sectarismo
É certo que o sistema religioso é exclusivista pois nota-se que grandes mestres se emprestam a defender coisas risíveis, mesmop contra a Verdade, por interesse de agradar a instituição.
Ele é de igual modo tendencioso pois tende a excluir sistematicamente outras pessoas, ideias ou grupos, privilegiando apenas um círculo, crença ou sistema específico, o deles.
Com isso, há uma supervalorização do próprio grupo ou convicção particular em detrimento das demais, e isso, seja em relação às tradições, seja na interpretação da Palavra.
Com isso, o livre examinar das Escrituras, corre um grande risco, pois a Palavra é, em sua maioria,interpretada de forma isolada, isolacionista ou puramente subjetiva e, é claro que deveria haver mais debates acerca das linhas de pensamento.
A ideia aqui defendida é extraída da segunda epístola do apóstolo Pedro , que diz: "nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular".
Segundo o texto apresentado, as profecias não vieram da vontade humana, mas foram guiadas pelo Espírito Santo (2 Pd 1.20).
Acontece de forma universal e também aqui no Brasil, que o cristão é formado com uma pré disposição a um entendimento particular.
Esse sectarismo pode ter várias benesses, mas também muitos engessamentos e contrariedades, inúmera contradições e enganos.
Tendo divina direção é melhor
A frase "tomem suas posições, permaneçam firmes" é um trecho bíblico encontrado no segundo livro das Crônicas dos reis de Israel.
Foi resposta divina a uma questão muito difícil. Nela há o incentivo as pessoas a não terem medo e a confiarem que o Senhor as guiará, mesmo quando confrontadas com desafios.
Há ainda o entendimento que lutas espirituais necessitam de respostas espirituais e direcionamento particular do Eterno.
Enfim, a direção divina em todos os conflitos da vida vem do Senhor, e, nesta batalha: "...Tomem posições, permaneçam firmes e vejam o livramento que o SENHOR dará..." (2 Cr 20.17).
Paulo em Jerusalém
Ao retornar a Jerusalém após a terceira viagem missionária, Paulo presta relatório aos líderes da igreja e glorifica a Deus pelo avanço do Evangelho entre judeus e gentios (At 21.19-20).
Contudo, rumores maliciosos levantam suspeitas contra seu ministério, levando-o a agir com prudência e sensibilidade pastoral.
Em Jerusalém, o apóstolo enfrenta agressões, prisão e falsas acusações, mas transforma a adversidade em oportunidade de testemunho, revelando que a fidelidade a Cristo pode conduzir ao sofrimento, sem jamais silenciar a verdade do Evangelho.
Discípulos em várias cidades, como Tiro e Cesareia (incluindo o profeta Ágabo), alertaram Paulo de que ele enfrentaria correntes e perigo se fosse a Jerusalém.
Entretando, Paulo recusou os pedidos para desistir, afirmando estar pronto não apenas para ser preso, mas também para morrer pelo nome de Jesus.
Paulo inicia seu testemunho lembrando quem era antes de encontrar Cristo.
Judeu zeloso, formado em Jerusalém aos pés de Gamaliel, um dos mestres mais respeitados do judaísmo (At 5.34).
Fora instruído rigorosamente na Lei de seus pais. Diante dos judeus, apresenta-se como alguém irrepreensível quanto ao zelo religioso (Fp 3.4-6), embora esse zelo estivesse equivocado por carecer de verdadeiro conhecimento espiritual (Rm 10.2).
Seu passado inclui a perseguição violenta à Igreja, a quem combatia “até à morte” (At 9.2).
Ao recordar essa fase, Paulo demonstra que a religiosidade sem Cristo pode produzir dureza, perseguição e cegueira espiritual.
Isso ocorre quando práticas de culto, rituais e regras morais perdem a centralidade em Jesus de Nazaré, focando-se em preceitos humanos, no legalismo ou no sincretismo religioso.
Demonstra que a forma exterior da fé pode existir sem uma conexão real com o evangelho.
O uso do nome ou de conceitos sagrados para obter benefícios pessoais, paz psicológica ou status social, ignorando a cruz e o arrependimento.
Ainda há a questão da postura rígida que afasta as pessoas em vez de acolher, gerando um ambiente de condenação.
Enfim, a comunidade cumpre obrigações religiosas, mas perde o sentido transformador do amor ao próximo e da comunhão com Deus.
A despedida de Paulo em Éfeso
Antes de sua saída definitiva da Ásia, a despedida de Paulo dos líderes da igreja de Éfeso ocorreu em Mileto durante sua terceira viagem missionária.
Os pontos centrais desse encontro incluem seu ministério de três anos na região, a viagem rumo a Jerusalém sob pressentimento de prisões, e as advertências finais aos presbíteros (At 20.17-38).
Paulo lembrou que serviu ao Senhor com humildade, lágrimas e provações diante das conspirações dos opositores lembrando os perigos que ameaçam a Igreja.
O apóstolo adverte que “lobos cruéis” surgiriam, tanto de fora quanto de dentro da própria comunidade, distorcendo a verdade para atrair discípulos após si.
Esses falsos mestres, movidos por interesses egoístas, representam ainda hoje uma ameaça constante à fidelidade da Igreja (Rm 16.17,18; 1Jo 4.1).
Embora o contexto histórico inclua possíveis influências gnósticas, a advertência é atemporal: sempre haverá ensinos que relativizam a verdade bíblica.
Por isso, somente a permanência na sã doutrina preserva a fé genuína e protege o povo de Deus contra o engano (2Tm 4.3,4).
Ainda hoje ainda há ensinos errados ou distorcidos que colocam o foco humano no lugar de Deus, como o excesso de ensinos voltados apenas para a riqueza material ou o bem-estar terreno.
O vingador do futuro é Jesus
A Bíblia descreve Deus, entre outras caractrísticas, como um ser "vingador".
É certo que essa vingança se refere à Sua justiça contra o mal e à punição dos adversários, e não à vingança pessoal que os humanos praticam.
Jesus, por sua vez, ensinou seus seguidores a não se vingarem e a oferecerem a outra face, mostrando um caminho de perdão e de não perpetuação do ciclo de ódio, mas reconhece que o Senhor é o juiz final e vingador contra o mal.
Deus é descrito como o "vingador" que pune os ímpios e protege o seu povo (Nm 1.2; Sl 94).
Essa crença na vingança divina não é apenas do Antigo Testamento, e Jesus mesmo mencionou que o Senhor é o vingador de todas as coisas (1Ts 4.6).
A Palavra aborda a defesa dos oprimidos como um mandamento de justiça social, mas proíbe a vingança pessoal
As Escrituras ensinam que a vingança pertence a Deus, enquanto os cristãos devem buscar a justiça, ajudar os necessitados e amar o próximo.
A orientação do Livro Sagrado é clara ao instruir as pessoas a não se vingarem por conta própria.
A justiça final e a retribuição pelo mal cometido cabem a Deus, que é o juiz perfeito.
Embora a vingança pessoal seja proibida, a Bíblia ordena ativamente que os crentes e líderes defendam os fracos e oprimidos, e busquem a justiça.
Isso envolve ações legais, éticas e de caridade para proteger os vulneráveis.
Em suma, a posição bíblica é de não-vingança pessoal, mas de ação compassiva e justa em defesa dos que sofrem opressão, confiando que a punição final do opressor virá de Deus (Rm 12.19; Pv 20.22 e 31.8-9 Lv 19.18; Jr 22.3; Sl 82.3 e 103.6).
A ideia é que a vingança é de Deus, que retribuirá a cada um segundo suas obras (Hb 10.30).
Emancipando-se em Deus
É certo que, o Deus da Bíblia é caracterizado, entre outras denominações, como um grande redentor.
O Milagre do Mar Vermelho transcende séculos como um dos mais impressionantes testemunhos do poder de Deus que as páginas sagradas da Bíblia oferecem.
Este fenômeno não apenas enfatiza o papel da fé em Deus como fundamenta a narrativa de libertação dos israelitas das amarras do Egito antigo.
A condução segura de um povo cada vez mais assolado pelo desespero da opressão ao espetacular desfecho onde são testemunhadas as promessas cumpridas do Criador, oferece uma visão inspiradora de libertação e perseverança.
O Egito antigo era uma civilização regida por faraós, onde a opressão e a servidão impunham um ritmo brutal de vida aos hebreus.
Lá, sob o julgo implacável do trabalho forçado, cresceu o clamor por libertação, um grito que atravessaria desertos e séculos. Moisés, como agente divino, surge para confrontar poderes terrenos e exigir a liberdade do seu povo, ecoando as promessas de um Deus que não abandona os seus.
Outra passagem semelhante onde uma legião se afoga no mar, agora de porcos, está descrita no Evangelho de Marcos do encontro de Jesus com um homem possuído pelo espírito impuro, que vivia num cemitério no meio dos túmulos, ferindo-se com pedras, e ninguém conseguia dominá-lo.
A cena é digna de um filme de terror. O endemoninhado tem nome. Ele se chama legião e mora na região dos gerasenos, na Decápole. Jesus age como exorcista, ao expulsar cerca de dois mil demônios, os quais entram numa manada de porcos e se atiram no mar. Na sequência, os pagãos pedem a Jesus que vá embora da região.
Um homem, que tinha sua vida destruída pelo poder do Diabo, ao se encontrar com Jesus foi liberto e salvo!
Há um Deus na periferia?
A pergunta ecoa o questionamento feito pelos fariseus em João: "Por acaso, alguém das autoridades ou algum dos fariseus creu nele? Não!".
Essa citação mostra que, para o establishment religioso da época, era inconcebível que Jesus fosse o Messias, pois a maioria dos seus seguidores vinha das camadas mais simples da sociedade, a quem eles desprezavam (Jo 7.48).
Mas respondendo a pergunta? Sim, algumas pessoas da elite da época de Jesus creram Nele e se tornaram seus seguidores, embora a maioria da oposição viesse justamente dos líderes religiosos e das autoridades.
Dois exemplos notáveis mencionados nos Evangelhos são: Nicodemos - fariseu e membro do Sinédrio, a mais alta autoridade judaica.
Nicodemos procurou Jesus secretamente, à noite, para aprender mais sobre seus ensinamentos.
Ele chegou a defender Jesus perante o conselho, argumentando que a lei exigia que um acusado fosse ouvido antes de ser julgado.
Mais tarde, ele ajudou José de Arimateia a sepultar o corpo de Jesus.
E, José de Arimateia - homem rico, membro respeitado do Sinédrio e, secretamente, um discípulo de Jesus.
Após a crucificação, foi ele quem corajosamente pediu o corpo de Jesus a Pilatos e providenciou um sepulcro novo para o enterro.
Apesar desses casos, a maioria dos seguidores de Jesus era composta por pessoas comuns, muitas vezes referidas pelos líderes religiosos com desprezo como "ralé" ou "essa plebe que nada sabe da lei".
A mensagem de Jesus muitas vezes confrontava o orgulho e as tradições da elite religiosa, o que gerava grande resistência por parte deles.
Respondendo a argumentação inicial: "Não! Mas essa ralé que nada entende da lei é maldita" (Jo 7.49).
quinta-feira, 30 de julho de 2026
A parábola do juiz iníquo
A parábola do juiz iníquo é uma lição de Jesus, encontrada em no evangelho segundo escreveu Lucas.
Ela ensina a importância da oração persistente e da fé inabalável em Deus, apesar das demoras.
A história relata uma viúva que, mesmo diante de um juiz sem temor a Deus e sem respeito pelas pessoas, não desiste de seu pedido por justiça e, por fim, é atendida.
Jesus usa este exemplo para mostrar que, se um juiz injusto pode ceder à insistência, quanto mais Deus, que é justo e amoroso, atenderá os anseios de seus escolhidos.
A parábola é um convite para que os fiéis orem constantemente, sem desanimar, mesmo quando a resposta parece demorar.
Se até um juiz iníquo atende a uma viúva insistente, quanto mais Deus, que é um Pai amoroso e justo, atenderá aos pedidos daqueles que clamam a Ele dia e noite.
No final, Jesus questiona se, quando o Filho do Homem vier, encontrará fé na terra, reforçando que a fé é essencial para que as orações sejam ouvidas e a justiça divina se manifeste.
Capacitando a liderança
A frase "estudado em toda a ciência dos egípcios" se refere a Moisés e é encontrada no livro de Atos dos Apóstolos.
O texto se refere ao versículo 22, do capítulo 7 diz: "E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras".
Essa passagem, parte do discurso de Estêvão, destaca a educação privilegiada de Moisés na corte do faraó: adotado pela filha do faraó e criado como se fosse seu filho.
Isso proporcionou a ele o melhor ensino disponível no Egito antigo, que era uma civilização avançada em diversas áreas, o primeiro império mundial.
Dentre os estudos, incluía conhecimentos em engenharia (construção, navegação), matemática (geometria), escrita (hieróglifos), medicina e administração.
Mostra que o preparo de Moisés foi completo, não desprezando nenhum tipo de conhecimento (Os 4.6; Rm 1.28-31).
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Paulo confronta Afrodite
A fundação da igreja em Corinto, narrada no livro dos Atos dos Apóstolos, revela um momento decisivo da missão cristã, no qual a graça de Deus se mostra plenamente suficiente em meio a adversidades intensas.
Em uma cidade marcada pela imoralidade e pelo pluralismo religioso, o apóstolo Paulo experimenta o sustento divino para perseverar e anunciar o Evangelho com fidelidade.
Este episódio ensina que, mesmo em contextos desafiadores, a graça do Senhor capacita seus servos a permanecer firmes e frutíferos (At 18).
Após deixar Atenas, Paulo chega a Corinto, capital da província romana da Acaia desde 27 a.C.
A cidade havia superado Atenas em importância política e comercial, tornando-se um dos maiores centros econômicos do mundo romano.
Cosmopolita e estrategicamente localizada, Corinto reunia povos de diversas culturas, mas também se destacava por sua profunda decadência moral.
Templos pagãos, especialmente o de Afrodite, marcavam a vida religiosa da cidade, associando culto e prostituição ritual.
Historiadores antigos relatam a presença de centenas de prostitutas religiosas ligadas a esse culto.
Diante desse cenário espiritualmente caótico, Paulo chega consciente da complexidade da missão que o aguardava, anunciando o Evangelho em “fraqueza, e em temor e em grande tremor” (1Co 2.1-5).
Como era seu costume, Paulo inicia sua obra na sinagoga, anunciando que Jesus é o Cristo prometido.
Nesse período, encontra Priscila e Áquila, judeus expulsos de Roma pelo decreto do imperador Cláudio.
Trabalhando com eles como fabricante de tendas, Paulo une sustento próprio e missão, estabelecendo uma parceria que seria decisiva para a igreja em Corinto (At 18.2,3).
Com a chegada de Silas e Timóteo, trazendo notícias animadoras e apoio das igrejas da Macedônia, Paulo passa a dedicar-se integralmente à Palavra (At 18.5).
Contudo, a crescente oposição judaica o impede de continuar na sinagoga, preparando o caminho para uma nova etapa da missão, agora fora daquele ambiente religioso.
O choque cultural em Atenas
O choque cultural em Atenas ocorreu porque a mensagem de Paulo sobre Jesus e a ressurreição batia de frente com as duas maiores correntes filosóficas da época.
Um deles era o grupo dos Epicureus ou buscadores do prazer.
É a escola fundada por Epicuro no século IV a.C.
Segundo eles, os deuses existiam, mas eram distantes, indiferentes e não interferiam no mundo.
O objetivo principal dessa escola era alcançar a ataraxia (paz de espírito livre de medos) e a ausência de dor física.
O outro grupo, dos Estoicos ou defensores do dever.
Escola fundada por Zenão de Cítio, que ensinava nos pórticos (stoa) de Atenas.
Eram panteístas e acreditavam que Deus era uma força racional e impessoal fundida com a própria natureza (o Logos).
Valorizavam a lógica, o autocontrole estrito e a submissão resignada ao destino.
Enfim, viviam pelo esforço próprio e viam a autossuficiência moral como a maior virtude.
Que quer dizer este paroleiro?
O contexto histórico da visita do apóstolo Paulo a Atenas em Atos 17 deu-se por volta dos anos 50 a 52 d.C., durante a sua segunda viagem missionária.
Embora Roma detivesse o poder militar da época, Atenas ainda era o centro mundial da filosofia, das artes e da educação.
O missionário chegou à famosa cidade grega sozinho, fugindo de perseguições severas nas cidades de Tessalônica e Bereia.
Historiadores da época diziam que era mais fácil encontrar um deus do que um homem em Atenas. Havia estátuas e templos para divindades por todas as esquinas.
A palavra paroleiro significa uma pessoa que fala demais, tagarela, ou alguém que mente e usa de conversas fiadas para enganar os outros.
Essa expressão costuma aparecer no famoso texto bíblico de Atos quando filósofos gregos chamam o apóstolo Paulo assim de forma pejorativa (At 17.18).
Os filósofos usaram o termo grego original spermologos (traduzido como "paroleiro") para ironizar Paulo.
O sentido na época era o de um "apanhador de sementes", ou seja, alguém que recolhia migalhas de sabedoria alheia e repetia sem realmente entender nada.
Por isso, levaram-no ao Areópago, um tribunal e conselho de sábios situado numa colina perto da Acrópole.
Foi ali que Paulo fez o seu famoso discurso, usando uma estratégia genial: em vez de citar as escrituras judaicas (que os gregos não conheciam), ele usou como ponto de partida um altar da própria cidade dedicado "Ao Deus Desconhecido".
Paulo explicou que esse Deus que eles adoravam sem conhecer era o Criador do universo e que ressuscitou Jesus dos mortos.
Quando mencionou a ressurreição física, muitos zombaram dele, pois a filosofia grega via o corpo físico como uma prisão para a alma.
Mesmo assim, alguns líderes locais importantes converteram-se ali.
O Senhor o há de mister
Indo para Jerusalém, no monte das Oliveiras, Jesus mandou dois de seus discípulos ir a aldeia que estava adiante deles e trouxessem um jumentinho que estava preso.
E se alguém perguntar por que o soltais, dizeis que "O Senhor o há de mister" (Lc 19.31 B).
Soltou-se o jumentinho porque Jesus precisava dele para cumprir uma profecia bíblica e entrar em Jerusalém como um rei humilde e pacífico.
Os discípulos, a pedido de Jesus, foram até a povoação e encontraram um jumentinho amarrado; ao serem questionados, disseram que o "Senhor precisa dele" e ele foi trazido para Jesus, que o montou para entrar na cidade, cumprindo o relato de Zacarias.
O jumentinho foi entregue por um homem que, segundo as escrituras, estava no lugar e no momento certos para a necessidade de Jesus ( Zc 9.9).
Enfim, o dono do jumento foi sensível à necessidade de Jesus, entregando o animal para que o propósito do Messias pudesse ser cumprido (Lc 19.33).
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