sábado, 28 de fevereiro de 2026

Somos o que pensamos

A relação entre pensamento e pecado na Bíblia é uma temática rica e complexa. Ela ensina que os nossos pensamentos são o início de nossas ações. Jesus, em suas palavras, enfatizou isso ao afirmar que não é apenas o ato que é pecado, mas também os pensamentos que o precedem. A Palavra exorta no livro dos Provérbios que "como um homem pensa em seu coração, a guardar a mente e o coração, pois a vida é dirigida por eles. . O sábio assim se expressou: "Acima de tudo o que deve guardar, guarde o seu coração, pois dele procedem as fontes da vida" (Pv 4.23). As ações do crente são fruto do que é cultivado na mente e no coração. Aqui há um ensinamento que pensamentos moldam caráter, ações e o futuro (Pv 23.7). Pensamentos maus levam ao pecado, enquanto pensamentos focados em Jesus geram ações agradáveis a Deus. Nela os cristãos são instruídos a focar em pensamentos nobres, verdadeiros e positivos (Fl 4.8). O escritor aos Romanos incentiva a transformação pela renovação da mente, abandonando padrões de pensamento mundanos (Rm 12.2) . Portanto, a perspectiva bíblica é que os pensamentos não são apenas ideias passageiras, mas a semente que produz os frutos do caráter e da conduta de vida. Enquanto nossos pensamentos formam nosso caráter, o profeta Isaías lembra que os pensamentos de Deus são muito mais elevados que os humanos (Is 55.8-9).

Honra e responsabilidade

A compreensão dos textos bíblicos muitas vezes exige uma análise que vai além da leitura superficial, levando em conta o contexto cultural e as particularidades das expressões utilizadas no texto. Então, para tratar um assunto tão importante sobre a herança espiritual, tendo como base o profeta Elias, faz-se necessário primeiramentte discorrer na Palavra sobre a "porção dobrada". Na Bíblia, além do significado cultural do direito do primogênito relatado no Pentateuco, mais precisamente no livro de Deuteronômio, na qual o primogênito recebia o dobro da herança, assim sendo, a porção dobrada representa o duplo da honra e responsabilidade (Dt 21.17). Assim sendo, a porção dobrada pedida por Eliseu a Elias no segundo livro dos Reis, simboliza, de igual modo, a herança espiritual e autoridade de um primogênito. É certo que, a porção dobrada, não significa ter o dobro de autoridade, mas sim o direito legítimo de suceder ao líder espiritual, continuando seu ministério e legado com a unção de Deus para, apenas poder continuar com eficiência a missão de seu antecessor. “Havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que eu te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja sobre mim dobrada porção de teu espírito. Respondeu Elias: Coisa difícil pediste. Todavia, se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não, não se fará” (2 Rs 2. 9-10). O profeta Eliseu pediu a Elias porção dobrada do Espírito de Deus sobre ele. Na verdade o que ele queria é a presença do Senhor em sua vida e ministério, assim como Ele tinha sido com o seu antecessor. O Altíssimo daria parte de unção aos seus servos? Certamente que não, mas entendendo biblicamente que a preocupação do coração do profeta foi concedida por Ele pois viu Elias sendo tomado. Eliseu entendia da necessidade imprescindível da presença dEle no ministério, como Moisés chegou a comentar que se o Senhor não fosse com ele, não continuaria sua liderança no meio do povo: "Se a tua presença não for comigo, não nos faças subir daqui" (Ex 33.15). Sábia decisão dos servos dEle quando se focam mais em estar com Ele do que se achar ou colocar como referência em alguma coisa na sua obra, pois ela é de Deus e não humana. Fazendo assim estaremos ajudando aqueles que estão na nossa volta a se aproximar mais do Altíssimo e não ao contrário.

Somos o que comemos

A Bíblia aborda a alimentação tanto no sentido físico (cuidado com o corpo/templo) quanto espiritual (consumo de conhecimento/palavra). Destaca-se a moderação, o cuidado para não escandalizar outros, e o foco espiritual em Jesus como "pão da vida", onde somos moldados pelo que nutrimos nossa alma (Jo 6; 1 Co 10.23-33). Assim sendo, espiritualmente, de igual modo, "somos o que comemos", pois Deus falou com o profeta Samuel que o homem vê a aparência externa, mas o Senhor olha para o coração, mostrando uma necessidade de manutenção do bem-estar espiritual (1 Sm 16.7). O que consumimos (músicas, conversas, leitura) molda nosso coração e mente, indicando que devemos nos alimentar da Palavra de Deus para ter vida. No texto citado no Evangelho segundo o apóstolo João, Jesus se apresenta como o "pão da vida", ensinando que nutrir-se dele é essencial para a vida eterna: “que suas palavras são espírito e que elas são vida” (Jo 6:63). O evangelista Mateus ao descrever o ato da ceia assim expressou as palavras de Jesus ao segurar o pão: "Tomai, comei, isto é meu corpo." E enquanto segura a taça, diz: "Bebei dele todos; porque isto é meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados" (Mt 26.26-28). Já Paulo na epístola aos Coríntios ensina que o corpo é o templo do Espírito Santo, incentivando o cuidado e a moderação na alimentação, evitando excessos. E, em outra ocasião, exorta a nos alimentar espiritualmente banqueteando-nos com a Palavra de Deus (2 Tm 2.15). Destaca ainda que, embora haja liberdade para comer de tudo, não se deve comer algo que escandalize a consciência de um irmão (1 Co 10.23-33). Do mesmo modo, o sábio adverte contra o excesso, como em Provérbios, que alerta contra comer mel demais, simbolizando a busca por equilíbrio e moderação (Pv 25.27). Enfim, a orientação divina enfatiza que, enquanto cuidamos do corpo físico com sabedoria, o foco principal deve ser a nutrição da alma através da Palavra e dos ensinamentos de Jesus.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Somos o que falamos

Em uma época em que a linguagem vulgar parece se tornar cada vez mais comum – em músicas, redes sociais, filmes e até mesmo em ambientes de trabalho faz-se importante refletir sobre o que a Bíblia ensina a respeito da maneira como falamos. As palavras não são neutras. Elas têm poder para edificar ou destruir, abençoar ou ferir. Por isso, o cristão é chamado a santificar também a sua fala e perversidades nem devem ser nomeadas entre cristãos, conforme exortação bíblica encontrada em Efésios. O apóstolo Paulo escreveu: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem” (Ef 4.29). "A prostituição e toda a impureza nem ainda se nomeie entre vós" mostrando que o cristão deve manter a pureza moral, pois a imoralidade sexual, impurezas e a cobiça não devem sequer ser mencionadas como prática entre os fiéis, visando a separação das trevas (Ef 5:1-2). No contexto bíblico, chocarrices referem-se a piadas grosseiras, gracejos indecentes, zombarias ou conversas tolas e inconvenientes que desonram a Deus e ferem o próximo (Ef 5.4). Tiago lembra que “da mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não pode ser assim!” (Tg 3.10). Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração (Lucas 6:45). Enfim, a boca deve ser instrumento para glorificar a Deus e transmitir vida aos que nos ouvem: “Que a palavra dita por vocês seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibam como devem responder a cada um” (Cl 4.6).

Ensinando a Palavra

O Antigo Testamento mostra que a Lei do Senhor estava intrinsicamente ligada à vida de todo o povo e, por isso, ela também era o elemento aglutinador que formava a identidade dos judeus. Assim, Esdras estava ciente de que para iniciar a reconstrução religiosa do povo era necessário começar pelo ensino da Lei do Senhor, pois sem ela não há identidade espiritual nem moral. Deus falou: “Ajunta-me o povo e os farei ouvir a minha palavra, para que me temam todos os dias que na terra viverem” (Dt 4.10). E continua: “Guarda os mandamentos do Senhor para o temer” (Dt 8.6). Por fim, o próprio Deus ordenou que a sua Palavra fosse ensinada a todo o povo de sete em sete anos (Dt 31.9-12). Pelo temor a Deus o crente se aparta do mal (Pv 3.7), se desvia do mal (Pv 16.6), e aborrece o mau caminho (Pv 8.13). Além da leitura da Lei de Moisés, que se fazia a cada sábado (At 15.21), os Escritos e os Profetas deveriam ser lidos e explicados ao povo, em convocação solene, a cada sete anos. Jesus ordenou o ensino da sua Palavra e que seus discípulos ensinassem todas as nações a guardarem tudo o que lhes tinha mandado (Mt 28.19,20). Em continuidade histórica e temporal, Paulo conhecia a importância do ensino da Palavra: “Conjuro-te pois diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo… que pregues a palavra…” (2Tm 4.1,2). Como resultado do ensino da Palavra, o povo confessa os seus pecados, aparta-se de deuses estranhos, adora ao Senhor Deus, e com Ele faz firme concerto (Ne 9.13,38), porque a Palavra de Deus é o PODER de Deus (Rm 1.1). O apóstolo continua: “O que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2Tm 2.2). “Se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7). O conhecimento consolida a força (Pv 24.3), porque pelo conhecimento podemos saber o que nos é dado gratuitamente por Deus (1Co 2.12). Pelo conhecimento da verdade podemos alcançar plena libertação (Jo 8.32). Pelo conhecimento podemos saber que Deus quer que todos os homens venham ao conhecimento da verdade (1Tm 2.4). Pelo conhecimento podemos saber como agradar a Deus, pois não é resultado da nossa própria força, mas o próprio Deus nos dá graça para agradá-lo (2Co 5.9). Ainda sobre a importância do ensino, é indubitavelmente salutar, pois é o elemento central para o desenvolvimento e a criação do caráter cristão. O ensino da Palavra implanta normas espirituais nos crentes como o que aconteceu na igreja de Corinto que foi enriquecida pelo ensino da Palavra de Deus (1Co 1.5). Essas normas dão forma às manifestações da Nova Vida naquele que se converte, naquele que, pela operação do Espírito de Deus, passa a andar nos estatutos de Deus (Ez 36.27). O salvo em Cristo deve ser honesto a toda prova (Rm 12.17; 2Co 8.21; Fp 4.8; 1Pe 1.12; Hb 13.18), jamais mente (Is 63.8; Ef 4.25; 1Jo 2.28) ou tem o testemunho de sua consciência, no Espírito Santo, de que não mentiu (Rm 9.1), porque Jesus disse: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna” (Mt 5.37). O cristão não se apodera de alguma coisa que não seja dele: “Aquele que furtava não furte mais” (Ef 4.28), assim como Zaqueu depois de salvo queria restituir e restituiu aquilo que havia defraudado (Lc 19.8) pois agora vive uma vida moral que é exemplo de pureza. Enfim, o convertido jamais dá falso testemunho de alguém (Êx 20.16; Pv 10.18; Tg 4.11).

Ensinando com dedicação a verdade

A interpretação da Bíblia, ainda que os estudiosos bíblicos tenham a função de interpretar as Sagradas Escrituras, esse trabalho não compete somente a eles, pois Ela é viva. É certo que a leitura e a vivência dos textos bíblicos vão além das análises acadêmicas, já que os Livros Sagrados não são apenas um conjunto de livros históricos, mas a Palavra de Deus. E essa Palavra se torna atual e responde aos questionamentos e angústias do homem pós-contemporâneo. Por isso, a leitura e o estudo bíblico devem ser feitos por todos, uma vez que proporcionam uma experiência de fé prática e atual. Nas Escrituras Sagradas a tarefa de “ensinar” é classificada como um dom divinamente concedido aos crentes. Na epístola aos Romanos, Paulo enfatiza que segundo a graça que nos é dada recebemos do Senhor “diferentes dons” (Rm 12.6a). Na sequência dessa elucidação, o apóstolo enumera alguns desses diferentes dons, a saber: o de profetizar, o de servir, o de ensinar, o de exortar, o de contribuir, o de presidir, e o de exercer misericórdia (Rm 12.6-8). Para cada um dos dons dessa lista, Paulo explica em uma única frase, sobre como eles devem ser usados por aqueles que o receberam. Nesse ponto, convém destacar que essa lista não contém todos os dons (1 Co 12.8-10, 29; Ef 4.11). Não obstante, quando o apóstolo se refere ao dom de ensinar a Bíblia é enfática em destacar a exigência da dedicação: “se é ensinar; haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7b). Há aqui uma instrução bem clara, que, quem possui o dom de ensinar deve se dedicar com zelo e esmero, um aprimoramento contínuo. Ensinar é um chamado, não apenas uma função, exigindo estudo e compromisso fiel com a verdade bíblica.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Dependência total de Deus

O discernimento espiritual é a capacidade, concedida pelo Espírito Santo, de perceber realidades ocultas, intenções e influências divinas ou malignas além das aparências. É vital para reconhecer a vontade de Deus, evitar enganos, proteger o coração e tomar decisões sábias. Ele diferencia o homem espiritual, capaz de compreender as coisas de Deus, do natural. O discernimento não é apenas suspeita, mas sensibilidade espiritual para viver em comunhão com Deus, garantindo que as escolhas estejam alinhadas com Seus propósitos. O Senhor escolheu setenta dentre os seus seguidores e os enviou de dois em dois a fim de que fossem adiante dele para cada cidade e lugar aonde ele tinha de ir, preparando-lhe o caminho. Saibam, porém, que eu os estou enviando como ovelhas para o meio de lobos. Por isso, é melhor não levar bolsa de dinheiro, nem alforje com comida, nem sandálias extras. Há momentos em que o cristão necessita depender totalmente em Deus. A ordem de Jesus de não levar bolsa, nem alforje ao enviar os discípulos simboliza a dependência total de Deus e o desapego material. Essa instrução enfatiza a urgência da missão (anunciar o Reino de Deus), o foco no espiritual em vez das preocupações materiais e a confiança na providência divina. esus pedia que os setenta enviados não levassem provisões extras, sacolas de dinheiro ou roupas de troca (alforje era uma mochila ou bolsa de viagem). Representa a necessidade de fé inabalável, sem ansiedades desnecessárias sobre carências físicas, mantendo o foco na missão. Em outros momentos, porém, Jesus instruiu de forma diferente, indicando que as ordens eram situacionais e específicas para aquele contexto de missão rápida (Lc 22.36). Deus é quem decide como e quando iremos!

Caminhos direitos

A Bíblia assegura que Deus é o Juiz de toda a terra e todos os seus caminhos são justos, nunca se igualando à injustiça. Ele é descrito como o único Legislador e Juiz que julga o mundo com justiça, retidão e imparcialidade, diferente dos juízes humanos. A expressão "há um juiz na terra" está fundamentada no conceito bíblico de que Deus é o juiz supremo e justo de toda a humanidade (Gn 18.25). Ele é competente para julgar tanto os vivos quanto os mortos, garantindo que a retribuição (humilhação ou exaltação) ocorra conforme suas ações e, se a justiça falha na terra, Deus é o justo Juiz que corrige, corrige as nações e cuida do seu povo. A justiça de Deus é baseada em sua soberania; Ele estabeleceu seu trono para julgar e é o árbitro final da retidão (Tg 4.11-12; Sl 94). A couraça da justiça, mencionada na Epístola aos Efésios, trata de uma parte da armadura de Deus. Ela é uma proteção espiritual que cobre o coração e os órgãos vitais do cristão. Protege a vida espiritual e a mente contra os "dardos inflamados" (mentiras e acusações) do maligno. Simboliza a justiça imputada por Cristo, que protege contra as acusações do inimigo, e a conduta íntegra do crente (Ef 6.14). Estar com a couraça da justiça firme no lugar é fundamental para a batalha espiritual, garantindo a proteção emocional e moral contra as investidas do diabo. Há situações que o julgamento do Altíssimo vem logo após o desvio como no caso do Jardim do Éden, entretanto a Bíblia fala que em outros casos a sentença será no final, no porvir ou juízo final. Segundo Pedro o Senhor é longânimo, não querendo que muitos se percam, pois há um tempo determinado até para a justiça do Eterno (2 Pd 3.9). O apóstolo acrescenta que o julgamento começa pela casa de Deus, indicando que o juízo divino focando na purificação e disciplina dos filhos de Deus antes da condenação final dos ímpios (1 Pd 4.17). Se há um juiz na terra, o crente deve procurar fazer "veredas direitas", adotando condutas retas, fortalecendo a fé e influenciar positivamente outros, permitindo que os "manquejantes" se curem em vez de se desviarem (Hb 12.13).

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O vosso pecado vos há de achar

A Palavra de Deus diz: “… e sabei que o vosso pecado vos há de achar”. Para Deus não há limite de tempo, para Ele o tempo é sempre presente, eternamente presente. Segundo a Bíblia, se a pessoa cometer pecado abominável, hediondo, hoje, com certeza receberá o retorno em qualquer época de sua vida. Quando tudo parecer tranquilo, esquecido, eis o resultado a porta, e nem sempre em condições de ser resolvido a contento. "O vosso pecado vos há de achar" é uma célebre advertência bíblica encontrada em Números. Significa que ações erradas ou desobediências a Deus não ficarão ocultas e trarão consequências inevitáveis. O texto alerta que o pecado possui poder de retribuição, tornando a responsabilização certeira, mais cedo ou mais tarde. Reforça o princípio bíblico de que se colhe o que se semeia (Gl 6.7-8), sendo a prestação de contas uma certeza. A única forma de escapar das consequências eternas do pecado, segundo a perspectiva teológica, é através do perdão. O pecado de Joabe não tratado por Davi tornou-se herança para Salomão julgar. Mais uma vez aqui há princípio “Estai certos de que o vosso pecado vos há de achar” ( Nm 32.23). Quando soube da ordem de execução, Joabe correu para o altar e se agarrou às pontas do mesmo (1Rs 2.28-29). No Antigo Testamento, o altar era símbolo de refúgio (Êx 21.13-14). Mas havia uma condição: o refúgio não se aplicava ao homicida doloso. Assim, Benaia declarou: “Assim o disse o rei: Mata-o ali e sepulta-o” (1Rs 2.31). Atividades religiosas ou proximidade do sagrado (o “altar”) não podem proteger, mas sem arrependimento verdadeiro não há proteção (Is 1.11-15; Mt 7.22-23). Joabe matou Abner e Amasa à traição; agora, ele mesmo morreu pela espada de outro (1Rs 2.34). É a aplicação literal de Gálatas: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” Jesus confirmou o mesmo princípio: “Todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão” (Mt 26.52). Joabe viveu sob a cobertura de Davi, participou de conquistas, mas não se submeteu ao coração de Deus. Sua morte no altar demonstra a falência da religiosidade sem transformação (Ez 33.31; 2Tm 3.5). Assim como Judas morreu enforcado (At 1.18) e Ananias caiu morto diante do altar da oferta (At 5.1-10), Joabe é lembrança de que nenhum cargo, passado de vitórias ou proximidade do sagrado substitui um coração quebrantado (Sl 51.17).

Quando a injustiça ganha raízes

A disputa entre Joabe (comandante de Davi) e Abner (comandante de Saul/Isbosete) foi uma vingança de sangue relatada no segundo livro de Samuel. Joabe assassinou traiçoeiramente Abner em Hebrom para vingar a morte de seu irmão, Asael, morto por Abner em combate prévio em Gibeão, gerando luto em Davi e tensão política. Apesar de que Abner matou Asael, isso nunca foi esquecido ou perdoado pelo irmão de Joabe, em autodefesa, durante uma batalha entre as forças de Davi e as de Isbosete (filho de Saul). Após Abner fazer um acordo de paz com Davi, Joabe o chamou à parte no portão de Hebrom e o apunhalou no estômago, agindo por vingança pessoal, não por ordem do rei (2 Sm 2-3). Davi lamentou profundamente a morte de Abner, demonstrando que não foi sua a ordem, e temeu a violência de Joabe e seu irmão Abisai, os "filhos de Zeruia". Asael tinha uma posição de destaque entre os guerreiros durante o reinado de Davi em Judá. O nome Asael significa “Deus fez”. O texto bíblico destaca a coragem e a agilidade de Asael (2 Sm 2.18; 23.24). Ele era um dos trinta homens valentes de Davi, ou seja, ele fazia parte de um grupo de guerreiros de elite que se destacaram por suas proezas em batalhas (2 Sm 23.24; (1 Cr 11.26). O rei considerou o ato um assassinato, profetizando que a casa de Joabe seria manchada por doenças e violência devido ao sangue derramado de um homem superior a ele. Enfim, o relato destaca o conflito entre a lealdade militar (Joabe) e a necessidade de estabilidade política (Davi), mostrando como a vingança pessoal de Joabe quase comprometeu o reinado de Davi. A morte de Asael teve implicações significativas para a ascensão de Davi ao trono, que acabou sendo adiada, e o que se seguiu foi uma longa guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi. Davi reconheceu a injustiça do assassinato de Abner e lamentou publicamente (2Sm 3.28-39). Contudo, não puniu Joabe, seu silêncio abriu espaço para que o general repetisse o mesmo padrão, matando Amasa (2Sm 20.10) e desobedecendo ordens diretas ao matar Absalão (2Sm 18.14). Esse episódio expõe um perigo espiritual: quando a liderança prefere silenciar em vez de disciplinar, a injustiça ganha raízes. Não disciplinar um Joabe é enfraquecer a autoridade, desamparar os Amasas e atrasar a paz do rebanho.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

O trato do cristão

O rei Davi agradecido ao Senhor pelo livramento de seus inimigos declara que Ele trata o benigno com benignidade, com sinceridade o sincero, com pureza o puro, mas com o perverso Ele se mostra indomável (bravo). Assim, o Espírito Santo fica enfurecido com o maldoso intencional: "... com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomável" (Sl 18.26). O sábio Salomão diz que tratar com pessoas ignorantes necessita discernimento, não é fácil e para ele, o homem sábio que pleiteia com o tolo, quer se zangue, quer se ria, não terá descanso. Orienta que há dois caminhos, se responder segundo a loucura do ignorante não seremos sábios a nossos olhos e também é bom não responder segundo a sua estultícia para não sermos igual a ele. O sábio sabe calar na hora certa, pois às vezes o silêncio é a melhor resposta contra a tolices (Pv 17.28). O apóstolo Paulo a Timóteo em sua primeira epístola instrui o jovem obreiro como deve andar na igreja quanto ao trato de todos os grupos que existem na comunidade local de cada região. O líder da igreja em Jerusalém, o apóstolo Tiago, irmão de Jesus, talvez seja, com a graça de Deus, a referência na bíblia de ensino sobre como deve ser o trato do cristão. O cristão é chamado a promover a paz, semeando justiça por meio de um comportamento guiado pelo alto, e não por motivações egoístas Enfim, no capítulo 3 ele fala sobre a verdadeira sabedoria no trato que entre outras coisas são “pacíficas, moderadas e tratáveis” pois A verdadeira sabedoria não é apenas intelectual, mas se mostra pelo "bom trato" (bom procedimento) e atitudes mansas.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Levando cativo o cativeiro

A expressão "manietar o valente" (ou "amarrar o homem forte") provém das parábolas de Jesus. Ela ilustra que, para libertar os cativos (roubar os bens) de Satanás (o valente), Jesus precisou primeiro subjugá-lo, demonstrando sua Jesus disse isso ao ser acusado de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, explicando que seu poder vinha do Espírito de Deus. Nela o Valente (Homem Forte) representa Satanás, que guarda o seu "território" e mantém os seres humanos cativos (Mc 3.27, Mt 12.29 e Lc 11.21-22). Quanto a ação (Manietar) que significa amarrar, restringir ou subjugar o poder de Satanás. Jesus faz isso através de sua obra expiatória e poder sobre os demônios, levando cativo o que estava em cativeiro e como Paulo diz após a sua conversão: "...sou preso de Cristo" (Ef 3.1). O resultado prático de saquear a casa é a libertação de pessoas da influência do mal e a expansão do Reino de Deus. Dentro de uma pequena análise textual de um dos exemplos citados pelo apóstolo Paulo, agora aos Efésios, em seu capítulo 4 e verso 8: “...subindo ao alto...”, não há outra melhor verossimilhança do que o Altíssimo ao subir glorificado, leva preso (o apóstolo, por exemplo, disse algumas vezes, “ o preso do Senhor”) o que estava aprisionado em uma vida de pecados e delitos , e, agora dá ferramentas para o trabalho no Reino. Assim, os dons são ferramentas espirituais dadas à Igreja para o trabalho na Seara do Mestre. A dedicação ao dom chama-se ministério, os quais são descritos a seguir a partir do verso 11 deste capítulo. Permita-me contribuir com uma discussão frequente e que fui recentemente questionado: “Há ainda apóstolos?” É claro, tanto quanto aos pastores (estrelas), doutores, evangelistas e profetas. E outra pergunta que fizeram: “ o irmão acredita em jubilamento”. Sim acredito, há em muitas denominações, contudo na Bíblia não tem essa referência. Acredito que a tendência é o ministro ficar mais alinhado ao Espírito e assim, a ferramenta fica mais afiada, necessitando de menor força: " ...na velhice darão frutos". Em resumo, a Bíblia ensina que Jesus é o "mais valente" que venceu o valente, tornando a libertação espiritual possível.

Babilônia: até o céu não chegará

Depois de Jerusalém, Babilônia é a cidade mais citada na Bíblia e fisicamente se localiza onde hoje está o Iraque. Quando se fala de Babilônia não chegar ao céu refere-se à independência do Altíssimo (insubmissão). A história começa na Torre de Babel com a construção de uma torre que alcançaria os céus, uma maneira de se livrar do juízo divino, uma união rebelde e soberba das nações contra Eterno. Deus causa confusão na humanidade estabelecendo diferentes idiomas, o que impediu que a torre fosse concluída (Gn 11.1-9). Não há armas nessa guerra divina, nem a sua soberba não a salvará: "Mesmo que a Babilônia pudesse subir até o céu e construir ali uma fortaleza, ainda assim eu mandaria gente para destruí-la", diz o Senhor. A queda de Babilônia será tão súbita e inesperada quanto foi a da Babilônia de Nabucodonosor. Olhando para as ruínas de Babilônia hoje, é difícil acreditar que aquilo já foi uma potência mundial. A Babilônia de Nabucodonosor sobrepujou muitas nações. Humilhava reinos, levava embora cativos lhes negava a esperança de liberdade (Jr 50.33). Nem mesmo que a Babilônia subisse ao céu ou fortalecesse sua altura, o juízo de Deus a derrubaria, transformando-a em ruínas (Jr 51.9,53). O julgamento sobre a Babilônia é descrito como tão grande que chega até os céus, indicando a magnitude da sua queda. Profetizada como uma destruição total, onde a cidade nunca mais seria habitada (Is 13.19-20). No livro do profeta Daniel, o rei Nabucodonosor exalta sua própria glória ao construir a Babilônia com seu poder, o que imediatamente atrai a sentença divina de humilhação, resultando em sua perda do reino e loucura, para que reconhecesse o domínio do Altíssimo. Nabucodonosor diz: "Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder e para glória da minha magnificência?". Antes mesmo de terminar a frase, uma voz do céu decretou a perda de seu reino. O rei foi expulso do convívio humano e viveu como animal por sete tempos até reconhecer que Deus domina sobre os reinos humanos (Dn 4.31-33). No contexto de Apocalipse, Babilônia representa a humanidade desviada de Deus, representando o orgulho humano que se opõe a Deus, e a Bíblia afirma que esse poder não subsistirá perante o juízo divino. É comparada com uma mulher prostituta, pois se desencaminhou da orientação do seu Senhor, desde o Gênesis até o Apocalipse. Esta mulher, como mostrada ao apóstolo João, estava trazida pela besta, já relatada no capítulo 13 do Apocalipse, com sete cabeças e dez chifres (vem do império romano). Mostra uma relação íntima entre ela e a besta (estrutura coloca pelo dragão), obviamente, que é o sistema de poder globalizado deste mundo. E, ainda mais, sustentada pelo dragão, embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus. A besta é um retalho, com domínios mundiais que existiram, outros deixaram de existir e ainda outros que voltariam a emergir. Entretanto, os próprios chifres que a queimarão no fogo, isto é, esses poderes globais iriam julgar e condenar a própria Babilônia (Ap 8). O apóstolo se admira e o anjo lhe disse que lhe mostraria o segredo da mulher e da besta que a traz. Os sete montes, que são os impérios mundiais, que sempre perseguiram a igreja, é bom sempre lembrar disso, determinados pelo Altíssimo desde Egito, Assíria, Caldéia, Medo-Persa, Grego, Romano e o governo globalizado atual. Na época do apóstolo amado, estava no sexto, o romano e ainda um último viria que são os pés e dedos da revelação já dada ao profeta Daniel no capítulo 2 de seu livro, e entregarão o seu poder e autoridade à besta. Em síntese, de maneira bem simplificada e retornando à antiga Babel, Babilônia significa confusão e rebelião contra Deus e ela é apoiada pelos governos no mundo atual. Não é só uma instituição que se desviou dos princípios bíblicos e sim, claramente, toda a humanidade desviada (Ap 14.8 e 18).

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Deserto espiritual

Na Bíblia, "lugares áridos" (ou "lugares secos", "desertos") referem-se a regiões desoladas e sem água. O termo destaca a aridez como um ambiente hostil de busca por descanso ou purificação espiritual, momentos em que não se vê frutos. O cristão em sua caminhada passa por muitos desertos e necessita da graça divina para "florescer" mesmo no deserto, pois se libertar do mal não é suficiente; a vida deve ser preenchida com uma fé constante, mesmo com contrariedades. Isso significa que, mesmo em momentos difíceis, o crente deve encontrar beleza e esperança, crescer na dificuldade é essencial. No livros dos salmos há o ensino que na morte de Jesus se brotariam águas eternas e eleas correriam pelos lugares áridos: "Fendeu a rocha, e dela brotaram águas, que correram pelos lugares áridos como um rio" (Sl 105.41). Há ainda na Palavra uma promessa no livro do profeta Isaías de transformação desses lugares satisfazendo (fartando) a alma e guiando-a continuamente (Is 58.11). Esses lugares insalubres são frequentemente usados para descrever deserto espiritual, solidão ou locais de provação, conforme mencionado na parábola de Jesus relatada no Evangelho segundo Mateus. Nela o Mestre descreve que o espírito impuro vaga por "lugares áridos" ou "desertos" à procura de repouso, mas não encontra (Mt 12:43). O retorno do espírito maligno com outros sete piores destaca a necessidade de uma transformação completa, ressaltando que a ausência de boas práticas pode resultar em consequências mais severas. Assim, não há Evangelho sem obras de arrependimento!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Por que lhes falas por parábolas?

O Mestre então respondeu que assim fazia porque aos discípulos era concedido conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles para quem falava naquele momento não, e, sendo assim, eles ouviam as palavras de Jesus, mas não entendiam (Mt. 13.11-13). O Senhor ainda afirmou que fazendo dessa forma se cumpria a profecia de Isaías que dizia: “Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados ” (Mt. 13.14-15). A Bíblia aponta que o "homem natural" (sem o Espírito Santo) não compreende as coisas de Deus, isso por que elas parecem loucura e exigem discernimento espiritual. Essa falta de entendimento é descrita como um coração endurecido ou rebeldia, impedindo que compreendam a vontade divina, mesmo quando ensinados. As verdades divinas são discernidas pelo Espírito Santo, não pela lógica humana. O que é sabedoria de Deus parece tolice para a sabedoria humana. Em diversos contextos bíblicos, o povo não entende por se opor a Deus e possuir um coração endurecido. Porém, aqueles que se enchiam de soberba por sua cultura, instrução e capacidade intelectual e em seus corações contemplara a vaidade (Sl. 66.18), não possuiriam a verdadeira compreensão e, como não guardavam em seus corações as Palavras do Senhor, incorriam em pecado contra Deus (Sl. 119.11) e, sendo assim, permaneceriam afastados do Pai (Is. 59.2). A incapacidade de entender está ligada a viver segundo a carne e não pelo Espírito. Portanto, segundo a Bíblia, o entendimento das coisas de Deus não é uma questão de capacidade intelectual, mas de uma intervenção espiritual que revela a verdade ao ser humano.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Hoje estarás comigo no Paraíso

Na Bíblia há vários pedidos para lembrar, lembretes atendidos, esquecidos e posteriormente lembrados como o caso de José no Egito. Ele pede ao copeiro-mor que se lembre dele quando tudo estivesse bem, pois segundo o seu sonho, ele voltaria a servir o rei (Gn 40.14). Há, de igual modo, o clamor por socorro do "bom ladrão" a Jesus na cruz: "Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino", refletindo fé, arrependimento e confiança na misericórdia divina (Lc 23.42). O ladrão arrependido na cruz pede que Jesus se lembre dele, recebendo a promessa: "Hoje estarás comigo no Paraíso". Após ser avisado pelo profeta Isaías que morreria, Ezequias orou com choro intenso, lembrando sua fidelidade a Deus. Deus respondeu enviando Isaías de volta com a promessa de cura e mais 15 anos de vida (2 Rs 20; Is 38). No livro dos Salmos destaca-se uma oração pedindo que Deus lembre de sua misericórdia e não dos pecados da juventude (Sl 25.6-7) e um pedido do salmista para ser visitado com a salvação e a bondade de Deus (Sl 106.4-5). O profeta Jeremias que sofreu muita perseguição em seu ministério pede que Deus o lembre, ampare e vingue dos perseguidores (Jr 15.15). Neemias pede a Deus que lembre de suas ações a favor do povo com benevolência (Ne 5.19). Esses versículos mostram que clamar para que Deus se lembre é um apelo para ser alvo de sua proteção, graça e cuidado no meio de sofrimentos ou provações. Enfim, o apóstolo Tiago destaca que o clamor de quem busca a Deus com fé e alinhamento espiritual tem grande poder intercessor, assim, a oração fervorosa é eficaz, capaz de curar, mover o céu e trazer resultados concretos (Tg 5.16).

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O tempo do fim e o espírito de Elias

A expressão "no espírito e poder de Elias", baseada no Evangelho do Senhor Jesus Cristo segundo o médico Lucas, refere-se à unção profética e ao zelo de João Batista, que espelharia o ministério do profeta Elias no tempo do fim. Ele foi comissionado para converter corações a Deus, promover a reconciliação familiar e preparar o povo para a vinda do Senhor, agindo com coragem e ousadia. Indica uma capacitação divina marcada por um ministério de arrependimento, coragem diante da hostilidade (semelhante a Elias contra Acabe/Jezabel e João contra Herodes) e zelo por Deus. Agindo "no espírito e poder de Elias", João Batista preparou o caminho, convertendo corações desobedientes à sabedoria dos justos. Suas pregações eram marcados por orações fervorosas, confiança inabalável em Deus e atuação em tempos de grande apostasia. Foi enviado por Deus para preparar os corações do povo para o ministério de Jesus, cumprindo profecias de Isaías e Malaquias (a "voz que clama no deserto"). Pregou o batismo de arrependimento para a remissão de pecados, chamando à mudança de vida antes da chegada do Reino. Reconheceu sua posição inferior a Cristo, afirmando que não era digno de desatar as sandálias de Jesus, focando totalmente em sua missão de apontar para o Salvador. Considerado, entretanto, o maior entre os nascidos de mulher, representa o ápice da antiga aliança. João demonstrou coragem inabalável tal qual Elias, ao confrontar o pecado (Herodes) e defender as leis de Deus, pagando com a própria vida. A mensagem contemporânea associa esse conceito à necessidade de ser cheio do Espírito Santo para entender a palavra de Deus e viver com fé inabalável. Em suma, ter o espírito e poder de Elias é ter um chamado para preparar o caminho do Senhor, restaurar relacionamentos e confrontar a idolatria/desobediência com o poder de Deus.

Elias é infinitamente maior que Jezabel

No contexto bíblico e histórico do primeiro livros dos Reis de Israel, Elias é certamente, de ênfase e destaque que Jezabel pois representava todos os profetas que haviam anunciado a vinda do Messias. Elias foi um profeta influente durante um período turbulento na história de Israel. A nação se afastou do Senhor para adorar Baal, e o rei Acabe formou uma aliança com Sidom ao se casar com sua princesa, Jezabel. Como profeta de Deus, ele triunfou sobre a idolatria e as conspirações promovidas por ela e seu marido, o rei Acabe. Elias representava o poder divino, enquanto Jezabel simbolizava a perseguição e a falsa adoração. Ele enfrentou os profetas de Baal, seguidores de Jezabel, provando a soberania de Deus. Anunciou a ruína da casa de Acabe e o fim desonroso de Jezabel, uma profecia que se cumpriu. Embora Jezabel tivesse poder político e ameaçasse Elias, a força do profeta vinha de Deus, resultando na queda da rainha. Portanto, em autoridade espiritual e desfecho histórico, a influência de Elias sobrepujou e em muito a de Jezabel. Elias foi enviado para mostrar a Israel o mal de seus caminhos e encorajá-los a retornar ao Senhor. Uma das passagens mais significativas do Novo Testamento em que Elias é mencionado é na Transfiguração de Jesus. O evento, descrito nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, relata como Jesus, acompanhado por Pedro, Tiago e João, subiu a um alto monte onde foi transfigurado diante deles. Seu rosto brilhou como o sol e Suas roupas se tornaram alvas como a luz. Nesse momento, Elias e Moisés apareceram ao lado de Jesus, conversando com Ele (Mt 17.1-13; Mc 9.2-13; Lc 9.28-36). Elias também é mencionado em conexão com João Batista. O Evangelho de Lucas descreve João como aquele que vem “no espírito e poder de Elias”. Essa associação remonta à profecia de Malaquias, que anunciou que Elias retornaria antes do “grande e terrível dia do Senhor” (Lc 1.17; Ml 4.5-6). Enfim, Tiago lembra que Elias orou para que não chovesse, e a terra ficou sem chuva por três anos e seis meses; depois orou novamente, e a chuva voltou a cair, trazendo vida à terra (Tg 5.17-18).

Sendo apenas justo

O salmista diz que o caminho do justo é marcado por retidão, ele não segue, não se detém nem se assenta com aqueles que desprezam o Senhor pois não é conivente com o mal. O caminho do justo é traçado pela Palavra de Deus, como uma árvore com folhagem exuberante que no devido tempo dá os frutos esperados. Esse fato ocorre por causa das raízes que constantemente absorvem as águas que se encontram ao redor, a Palavra de Deus modela seu pensamento e seu comportamento sendo o prazer de sua vida (Sl 1). A primeira vez que aparece a expressão "o justo viverá pela fé" na Bíblia é em Habacuque. O profeta, quando, escreveu isto, estava sinalizando a necessidade do povo que confiasse no Senhor, tanto nas providências como propósito e situação de Israel. Os israelitas estavam passando por injustiças e, o profeta reclama ao Senhor por isso (Hb 1.2-4). A mensagem de Habacuque ensina que viver pela fé é permanecer leal, confiando nos propósitos de Deus, vivendo diferente dos padrões dos descrentes, longe da maldade, violência, ganância, libertinagem e idolatria. É confiar e se alegrar no Deus da Salvação, mesmo que tudo desmorone. A expressão "o justo viverá pela fé" pode significar tanto o modo como guiamos a nossa vida, como também a convicção sobre o livramento de Deus para os perigos da vida. A Bíblia também amplia o modus vivente do justo, especificamente na epístola aos Filipenses, mostrando que ele foca a sua mente em tudo que é bom. Acrescenta-se justo, verdadeiro, respeitável, puro, amável e de boa fama. A justiça bíblica vai além de ações corretas, envolvendo a justificação divina e a fé. Paulo instrui os filipenses a concentrarem suas mentes em coisas que são retas, éticas e de boa reputação (Fp 4.8). Além de pensar, a instrução inclui colocar em prática o que foi aprendido e recebido, resultando na presença do "Deus da paz". Biblicamente, ser justo muitas vezes significa ser declarado inocente por Deus, não apenas fazer coisas boas. Enfim, o caminho do justo é abençoado, aquele que se apega a Deus pode ter paz e satisfação, independentemente das circunstâncias que o cercam.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Que fazes aqui?

A vida, o ministério e o êxito da caminhada de Elias tinha relação direta com a direção de Deus para sua vida. Deus dizia e Elias fazia. "Que fazes aqui?" é uma pergunta bíblica marcante dirigida ao profeta Elias por Deus no Monte Horebe (1 Rs 19.9-13). O profeta sofre uma ameaça de morte e para escapar foi ao deserto, pediu a morte e dormiu debaixo de uma pequena árvore. Um anjo o acorda e ele come, bebe e dorme novamente. Segunda vez o anjo o desperta e diz que comprido seria o caminho dele. Come e bebe, só que desta vez anda quarenta dias e noites até Horebe. Entra numa caverna e Deus fala com ele: que fazes aqui? O Senhor passa como também um vento forte, mas Ele não estava no vento..., como não estava no terremoto e nem no fogo. Mas numa voz mansa e delicada. Ele ouve, reconhece a voz dEle e recebe tarefas... Há muitos teólogos macumbeiros e feiticeiros que fazem várias observações sobre Elias, mas ele buscava uma direção do divino e esperava nEle. Nem um inferno todinho de Jezabéis tiraria Elias da direção do Altíssimo. Mas, só espera quem sabe que não pode resolver seu problema por sua própria força... quem não é precipitado...nem é desobediente. A morte de Jezabel por Jeú ocorreu em Jezreel, cumprindo a profecia de Elias. Ao saber da revolta de Jeú, Jezabel se maquiou e o desafiou da janela. Jeú ordenou aos eunucos que a atirassem. Ela caiu, foi pisoteada pelos cavalos de Jeú e posteriormente devorada por cães, restando apenas crânio, pés e mãos. Jamais entre em guerra dos outros, Elias não entrou, Jezabel é um problema para Jeú (2 Rs 9.30-37).

Jezabel vive de atenção

No livro do Gênesis, capítulo 39, conta a história da passagem de José pela casa de Potifar, capitão da guarda do exército de Faraó. Um texto que requer discernimento e sabedoria! Ele administrava os bens do ilustre egípcio, até que sua mulher imputa falsamente a José uma conduta desonesta. Esse perfil de manipulação, é tratado na Bíblia como o espírito de Jezabel, alguém sem o fruto do Espírito, não tem domínio próprio nas emoções. O termo "espírito de Jezabel" aparece no primeiro Livro dos Reis, baseado na rainha bíblica Jezabel e na menção em Apocalipse. Ele simboliza manipulação, controle, sedução e rebeldia contra a autoridade divina, cheia de raiva e ódio; destruidora dos princípios de Deus. É associado à promoção da idolatria, perseguição a líderes piedosos e corrupção espiritual dentro da igreja. No Novo Testamento, a "mulher Jezabel" é usada como metáfora para falsos ensinamentos que levam os fiéis à idolatria e imoralidade. A interpretação do termo é comum em estudos sobre batalha espiritual e desmascaração de comportamentos destrutivos na liderança e na comunidade. José é atacado pela desgraçada apenas porque tinha rejeitado mais uma de suas propostas ilícitas. Mas, o interessante é que quem “gritou” foi ela, a mentirosa, e Potifar a ouviu. Ela planejou o mal ao filho de Raquel, que apenas deixou sua veste na mão dela e fugiu. Entretanto, quem estava com a razão era o jovem hebreu e Deus continuou a estar com ele na prisão. Ela disse: “entrou até mim para deitar-se comigo, e eu gritei com grande voz. ” Ela ganhou essa disputa literalmente no grito e com uma veste como prova, cujo dono trabalhava na casa. Na verdade ela é uma tola que destrói sua casa e a liderança do marido e não aceita correção (I Rs 21.11). A igreja de Tiatira foi repreendida pelo Senhor Jesus por tolerar a atuação daquela mulher que dizia ensinar “as coisas profundas de Satanás” e vencer Jezabel é um dever da Igreja de Cristo (Ap 2.24).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Sendo imitador de Jesus

Ser um discípulo de Jesus é aprender, seguir e imitar o Mestre diariamente, dedicando-se a viver segundo os seus ensinamentos em vez de apenas ouvir. Implica um compromisso de renúncia pessoal, amor ao próximo e transformação de caráter, assumindo a missão de espalhar o Evangelho. O discípulo é um aluno constante, comprometido em conhecer a Palavra de Deus e aplicá-la. Ele busca tornar-se semelhante a Jesus, permitindo que a fé guie atitudes, caráter e escolhas. Envolve "negar-se a si mesmo", tomar sua cruz diariamente e obedecer aos mandamentos de Cristo. Caraceriza-se por amar a Cristo acima de tudo, servir ao próximo e vivenciar o Evangelho no dia a dia. Cristão é, por definição, aquele que possui a Cristo. A Verdade é divina, Ele mesmo disse: "Eu sou a Verdade". Jesus é o Cristo, Ele é a Verdade. Jesus andava com pecadores. Jesus andava com pecadores para salvá-los e chamá-los ao arrependimento, agindo como um médico que busca os doentes, não os sãos. Ao partilhar a mesa com cobradores de impostos, prostitutas e marginalizados, Ele desafiou as normas religiosas, demonstrando graça, compaixão e amor, em vez de julgamento. Jesus foi criticado pelos fariseus por conviver com pessoas desprezadas, sendo chamado de "amigo de publicanos e pecadores". Comer com alguém na época de Jesus simbolizava comunhão, aceitação e relacionamento próximo, mostrando que Ele não rejeitava os excluídos. O propósito de Jesus não era participar do pecado, mas transformar corações, oferecendo perdão e reconciliação. Jesus veio, como Ele mesmo disse, "não para chamar os justos, mas os pecadores". Jesus não deixou que status social ou normas culturais determinassem o Seu relacionamento com as pessoas. Jesus aboliu hierarquias opressoras. Jesus afirmou que, ao contrário dos chefes das nações que oprimem, entre seus seguidores quem quisesse ser o primeiro deveria ser o servo de todos (Mc 10.42-45). Jesus amava os inimigos. Jesus ensinou e viveu o amor incondicional pelos inimigos, desafiando a lógica humana de retribuição (Mt 5.44). Jesus é amplamente reconhecido como o maior exemplo de humildade, vivendo com simplicidade e servindo ao próximo em vez de buscar status ou poder. Jesus interpretava a realidade através de uma perspectiva espiritual e ética, confrontando o contexto político-social da Palestina do século I com o "Reino de Deus". Jesus atraía multidões devido à sua compaixão genuína, ensinamentos profundos sobre o amor de Deus e milagres curativos. Jesus considerava os pobres felizes (bem-aventurados) porque, segundo as Bem-aventuranças, o Reino de Deus lhes pertence.

O Senhor é a minha bandeira

A guerra contra os amalequitas foi o primeiro confronto de Israel após o Egito, ocorrido em Refidim. Os judeus ainda, nos dias atuais, estabeleceram duas sentenças com base na Palavra de Deus:“Obliterar a nação de Amaleque” (timchê et zecher Amalek) e “Nunca esquecer as maldades que Amaleque fez” (zechor al tishkach). Josué liderou o exército, enquanto Moisés, no alto de um monte com Arão e Hur, levantava o bordão de Deus; quando Moisés erguia as mãos, Israel vencia, garantindo a vitória divina. Os amalequitas, descendentes de Esaú, atacaram covardemente a retaguarda de Israel (os fracos e cansados). Josué lutou no campo, mas a vitória dependia da oração e dependência de Deus, representadas pelas mãos erguidas de Moisés. Arão e Hur sustentaram as mãos de Moisés, simbolizando a importância da colaboração e intercessão. Após a vitória, Moisés construiu um altar chamado "O Senhor é a minha Bandeira" e registrou que Deus teria guerra contra Amaleque de geração em geração (Ex 17). “Recorda-te do que te fez Amaleque no caminho quando saíeis do Egito, quando te encontrou pelo caminho e feriu todos os enfraquecidos que ficavam atrás de ti, e tu estavas sedento e cansado, e Amaleque não temeu a Deus. [Portanto,] quando, pois, o Eterno, teu Deus, te der descanso de todos os teus inimigos em redor, na terra que o Eterno, teu Deus, te está dando por herança para possuí-la, apagarás a memória de Amaleque de debaixo dos céus; não te esquecerás!” (Dt 25.17-19). Lembrando ainda que Hamã que queria destruir aos judeus na Pérsia no tempo de Ester era também amalequita. Os amalequitas continuaram inimigos de Israel, sendo posteriormente alvo de uma ordem de destruição total dada a Saul (1 Sm 15). É certo que o Hamas não simboliza Amaleque e sim a passagem significa a luta entre a fé e a oposição ao propósito de Deus.

No fim, todos caem

Essa expressão, "no fim, todos caem", não da Bíblia, todavia ela se associa ao conceito bíblico de que todos tropeçam ou falham. Na Palavra há a exortação de que Deus sustenta os caídos: "O Senhor sustenta todos os que caem, e levanta todos os abatidos" (Sl 145.14). O justo e o ímpio caem, mas o sábio diz que: "Porque ainda que o justo caia sete vezes, tornará a levantar-se" (Pv 24.16). É um princípio bíblico de perseverança, indicando que pessoas íntegras podem enfrentar dificuldades e falhas repetidas, mas possuem a capacidade de se erguer e superar os desafios. A queda não define quem é justo; a capacidade de se levantar é o foco, garantindo que o esforço e a fé superam as dificuldades. Diferente do justo, o perverso ou ímpio é derrubado por uma única calamidade, sugerindo que a perversidade traz consequências fatais. O número mencionado no texto, "Sete Vezes" representa um número completo, sugerindo que mesmo que as quedas sejam constantes ou frequentes, a recuperação é certa. O provérbio é frequentemente citado como uma mensagem de encorajamento para não desistir diante de erros ou problemas, enfatizando que a verdade e a retidão prevalecem no final. Voltando ao Salmo, ele descreve Deus amparando os desanimados, garantindo que tropeçar não significa ficar no chão. Outra interpretação, agora baseada no escritor aos Romanos, diz que "todo joelho se dobrará" diante de Deus, indicando que todos prestarão contas (Rm 14.11). Ainda há um ditado popular que diz que "o cair é do homem, o levantar é de Deus", contudo a ênfase bíblica é no amparo de Deus aos que se sentem sem forças (Is 40.29). Enfim, a Bíblia ensina que a queda é comum à humanidade, mas o levantar vem do Senhor e que os justos podem enfrentar dificuldades, mas prevalecerão, enquanto os ímpios serão, no final, capturados na armadilha por seus próprios erros.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Tu sustentas a minha sorte

A Bíblia aborda a "sorte" não como um acaso cego ou destino aleatório, mas sim sob a soberania de Deus. Embora o lançamento de sortes (como no caso da divisão de terras em Josué ou escolha de Matias em Atos) fosse uma prática comum para buscar a vontade divina, o versículo 33 de Provérbios 16 destaca que a decisão final pertence ao Senhor, e não à sorte em si. Assim sendo, eventos cotidianos não ocorrem por azar, mas sob o governo de Deus. Esta frase: "Tu sustentas a minha sorte" é parte do versículo cinco do Salmo 16, onde o salmista reconhece Deus como o protetor e garantidor do seu futuro e herança. A Bíblia retrata Deus como o provedor fiel e guia soberano, suprindo as necessidades físicas, emocionais e espirituais dos Seus filhos e direcionando seus caminhos. Ele é o pastor que conduz, o pai celestial que alimenta, garantindo provisão e direção, especialmente em tempos de deserto ou escassez (Sl 23; Mt 6.26). Jeová-Jiré é o "Senhor que provê", cuidando das necessidades diárias, exemplificado pelo maná no deserto e a multiplicação do azeite (Gn 22.14; 2 Rs 4.1-7). Além do cuidado material, Ele sustenta a vida, não apenas com alimento e vestimenta, mas cuidando da alma (Sl 54.4; Mt 6.25-26). Por isso o cristão não deve viver com ansiedade, confiando que o Pai sabe do que necessitamos (Mt 6.31-33). Ele guia por "veredas de justiça" e, mesmo no "vale da sombra da morte", garante proteção (Sl 23.3-4). A Palavra destaca a fidelidade de Deus em acompanhar e sustentar Seu povo, sem deixar faltar nada, mesmo após longos períodos (Dt 2.7). A expressão enfatiza que a segurança, a vida e as bênçãos não dependem do acaso, mas da providência divina que firma o destino do fiel. A "sorte" no texto refere-se à porção, destino ou herança que coube à pessoa, e Deus é aquele que segura, firma e protege essa parte (o "sustentáculo"). O Salmo 16, entre outros, expressa confiança total em Deus como refúgio e herança, destacando alegria e segurança na presença divina. Em suma, a fé bíblica no Deus provedor e guia convida ao descanso na Sua providência (confiar que Ele dá) e na Sua soberania (seguir para onde Ele leva).

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Faltam os homens benignos

A frase "Faltam os homens benignos" encontra-se no livro de Salmos. Nela, Davi clama a Deus devido à escassez de pessoas leais, fiéis e bondosas na sociedade, destacando a predominância da mentira e falsidade. O salmo lamenta a falta de piedade e a corrupção nas relações humanas, contrastando-as com a pureza das palavras de Deus (Sl 12.1). A descrição do salmista não é diferente dos dias de hoje onde sobeja a falsidade, a lisonja e o orgulho, ainda mais quando "...os mais são exaltados" ( Sl 12.8). No fim Deus promete se levantar para proteger os oprimidos e necessitados da corrupção ao seu redor. A época de Noé é descrita em Gênesis como um período de grande corrupção humana, violência e afastamento de Deus. Noé, considerado justo, construiu a arca durante cerca de 100 a 120 anos antes do dilúvio. A maldade humana era contínua, com corações voltados apenas para o mal, o que levou Deus a decidir destruir a vida terrestre. Jesus descreveu o tempo de Noé como dias normais de comer, beber e casar, indicando que as pessoas ignoravam os sinais da destruição iminente até que o dilúvio veio. A Bíblia usa os dias de Noé como um paralelo direto para o estado do mundo antes da segunda vinda de Jesus (Gn 6; Mt 24).

Poesia para a alma

Em tempos de muita pressa no qual estamos vivendo rodeados de um número grande de pessoas e ao mesmo tempo sozinhos não é comum termos tempo para apreciar com calma e atenção as poesias que não é uma comunicação comum, e, sim algo construído com muito esforço e/ou inspiração. A Bíblia oferece profunda poesia para a alma, focada em conforto, esperança e renovação espiritual através da presença de Deus. A poesia hebraica não tem métrica nem rima de sons (ou não se sabe exatamente, provavelmente houve perdas nas traduções do hebraico para outras línguas) mas consiste de sentidos comparativos, seja contrários ou similares com o desenvolvimento de uma ideia. Um exemplo disso são os Salmos, como: "Como a corça anseia por águas..." (Sl 42.1-2), "A minha alma descansa somente em Deus" (Sl 62.1-2), "A minha alma se derrete de tristeza; fortalece-me segundo a tua palavra"(Sl 119.28). No Salmo 51 há um forte pedido por renovação espiritual e alegria na salvação (Sl 51). Entre os inúmeros textos poéticos da Bíblia merece destaque o Cântico dos cânticos, coletânea de poemas que celebram o amor entre a Amada e o Amado, com expressivas aliterações, como o primeiro verso:"Beija-me com beijos de tua boca"ou no sétimo: "Diz-me tu, amado de minha alma, onde apascentas teu rebanho e onde o fazes repousar ao meio dia". Nas palavras de Jesus, especialmente nas parábolas que narrava ao povo, são muitas as expressões poéticas, como “olhai os lírios do campo, que não trabalham nem fiam e, no entanto, nem Salomão, com toda a sua glória, se vestiu como um deles” (Lc 12. 20-32 e Mt 6.24-33).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Vivendo de tradição

Por que transgridem os teus discípulos não cumprem a tradição dos anciãos? Esse foi o questionamento dos escribas e fariseus de Jerusalém a Jesus de não lavar a mão quando comem (Mt 15.2). A pergunta foi feita por fariseus e escribas a Jesus em , questionando por que seus discípulos não lavavam as mãos ritualmente antes de comer, quebrando a tradição dos anciãos. Jesus respondeu chamando-os de hipócritas, afirmando que eles invalidavam o mandamento de Deus para seguir tradições humanas, isso sim era sério! Não era somente a Lei de Moisés, mas regras orais desenvolvidas ao longo do tempo que os fariseus consideravam obrigatórias. No contexto, não se tratava de higiene, mas de um ritual de purificação cerimonial específico exigido pelos líderes religiosos. Ele argumentou que a tradição deles (como "corbã" - oferta a Deus para evitar ajudar os pais) anulava mandamentos divinos cruciais, como honrar pai e mãe. Ensinou que a contaminação não vem do que entra na boca (comer sem lavar as mãos), mas do que sai do coração (maus pensamentos, blasfêmias). Jesus colocou o mandamento de Deus acima das tradições dos homens. De igual modo, respeitando os séculos passados, os costumes adquiridos, são norteadores da ações em sociedade. A tradição é demais persuasiva e repassa-se formas de viver e ideias sem mesmo questioná-las. A tradição é muito poderosa e devemos sempre discernir o Mandamento dentro dela, há necessidade de reflexão. Por outro lado, quando ela contrariar a doutrina bíblica que é nossa regra de fé, sim, aí devemos com cuidado zelar pelo mandamento e rejeitarmos as suas insinuações.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Quem vai morar no céu?

Davi no Salmo 15, descreve as características de quem pode habitar no "santo monte" do Senhor. Ali há sem dúvida uma combinação complexa de conduta moral, honestidade, justiça e integridade. "Aquele que fala verazmente segundo o seu coração" no verso 2, o crente que não difama com a língua, não faz o mal ao próximo e cumpre a sua palavra. Reflete a coerência entre o íntimo e o que é verbalizado, essencial para permanecer na presença de Deus. A "verdade no coração" indica que as palavras não são apenas corretas, mas sinceras, sinceras e desprovidas de falsidade, agindo com retidão no caráter, não apenas na fala. Além de falar a verdade, a pessoa descrita anda em sinceridade, pratica a justiça, não usa a língua para difamar e não aceita afrontas contra o próximo. Refere-se à integridade total, onde o interior (coração) e o exterior (fala e ação) estão alinhados. Essa reflexão mostra que o cristão deve cumprir acordos e compromissos, independentemente de sacrifício pessoal ou financeiro (vs. 4). No verso 5 o texto condena a usura — definida como a cobrança de juros abusivos ou exploração financeira de necessitados, focando na generosidade e não na ganância explorando o sofrimento alheio (Ex 22.25, Lv 25.37). e Enfim há diveros ensinamentos descrevendo uma pessoa íntegra que, em vez de exaltar o ímpio, despreza o comportamento perverso (réprobo), valorizando quem teme a Deus.

A opressão tira a lucidez

Davi ao apresentar a sua visão sobre os ímpios, entre outras características ele assim se expressou: "Disse o néscio no seu coração: Não há Deus" ( Sl 14.1; 53.1-2). É certo que o sofrimento extremo e a injustiça podem destruir a lucidez e o equilíbrio até mesmo das pessoas mais sábias e prudentes. A opressão distorce a perspectiva, transforma o sábio em tolo e corrompe o coração. A opressão é uma característica cruel que perturba a mente humana, enquanto o suborno corrompe o coração. Assim como a sabedoria serve como proteção ("sombra"), a opressão é tão nociva que pode superar a sabedoria e enlouquecer o sábio. A opressão é algo contráriro à natureza humana, que foi criada para a liberdade, e não para a submissão a injustiças (Ec 7.7). Como demonstrado bliblicamente que a opressão faz endoidecer até o sábio é certo também que a Bíblia não define o néscio apenas como alguém sem inteligência intelectual, mas como alguém moralmente cego, obstinado e "grosseiro" que escolhe ignorar a Deus. Enfim, aquele que não desfruta da existência divina é um tolo ou insensato que resultará em corrupção e iniquidade, pois a negação não é apenas intelectual, mas uma convicção interna que influencia o comportamento humano, tendo como consequência uma humanidade corrompida que se desviou do Criador.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O Senhor a tudo contempla

No início do Salmo 11, Davi aborda a confiança em Deus em meio a perigos e perseguições. O salmista questiona o conselho de fugir para as montanhas como um pássaro, reafirmando sua fé no Senhor como refúgio verdadeiro, mesmo quando os fundamentos da justiça parecem abalados. Diz ele: "No SENHOR confio; como dizeis, pois, à minha alma: Foge para a tua montanha como pássaro?". No contexto ele explica que os ímpios (perversos) preparam armadilhas (flechas no arco) contra os justos. Contudo o Senhor está no seu santo templo e seu trono está nos céus, observando tudo (Sl 11.4; 139.7). Apesar da pressão para fugir por medo, o salmista encontra segurança no Senhor, que prova o justo e julga os ímpios. O salmo é um convite para permanecer firme na fé em vez de buscar refúgios inseguros durante crises, confiando que Deus é justo e cuida dos seus. A afirmação de que "O Senhor a tudo contempla" reflete o atributo da onipresença e onisciência de Deus, que observa todos os habitantes da terra, tanto o bem quanto o mal, sem que nada passe despercebido (Pv 15.3). Os olhos do Senhor estão em todo lugar, formando o coração dos homens e observando todas as suas obras (Sl 33.13-15; Rm 2.6).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Tapando os ouvidos

Não é fácil viver em um mundo repleto de violência, marcado por diversos conflitos. Mas a Palavra ensina que quem tapa os ouvidos para a violência e fecha os olhos para o mal terá como recompensa a proteção divina, descrita como "habitar nas alturas". Isso não quer dizer que o crente deva ignorar o seu redor e sim focar em coisas que edificam, "fechando os olhos, para não ver o mal" como profetizou Isaías. A Bíblia orienta que o fiel não tema más notícias, mantendo o coração firme e confiante no Senhor (Sl 112.7). "Aquele que anda em justiça, e fala com retidão; aquele que rejeita o ganho da opressão; que sacode as mãos para não receber peitas; o que tapa os ouvidos para não ouvir falar do derramamento de sangue, e fecha os olhos para não ver o mal"(Is 33.15). Nela há a conduta de quem anda em retidão, rejeita a opressão e evita o pecado, mantendo-se íntegro, protege a mente e o coração, não permitindo que a maldade do mundo ofusque a luz interna (Lc 11.34). Essa atitude espiritual foca em preservar a pureza interior e refúgio em Deus, desviando o olhar das iniquidades. Segundo o profeta Jeremias, pensar no que traz esperança é um ato de confiança e espera, um exercício espiritual recomendado para manter a paz e a fé em momentos de crise (Lm 3.21). Enquanto os maus dão atenção a más notícias e mentiras, o crente é incentivado a nutrir-se da Palavra de Deus, que oferece boas notícias e esperança, superando o medo e a ansiedade do presente (Pv 17.4). Enfim o apóstolo Paulo reforça essa ideia, orientando a pensar em tudo que é verdadeiro, nobre, correto e agradável (Fl 4.8).

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Deus não é deus de confusão

Além de muito organizado e transparente, definitivamente Ele não é um deus confuso ou contraditório, apesar de algumas vezes mal interpretado ou não perfeitamente entendido. Uma frase que denota isso é: "Deus não é Deus de confusão, senão de paz" escrita por Paulo aos Coríntios. É certo que o apóstolo Paulo escreveu isso para ensinar que Deus é um Deus de ordem, harmonia e paz, e não de desordem ou tumulto, especialmente nas reuniões da igreja (1 Co 14.33). O contexto específico aqui são as reuniões e o uso correto dos dons espirituais, como profecia e línguas, enfatizando que tudo deve ser feito com decência e ordem. A confusão, brigas e a desordem são contrárias à natureza divina, que traz descanso à alma e organização ao coração. Assim sendo, onde ou aonde há o Espírito de Deus, há paz, não caos. A confusão muitas vezes é resultado de ambição egoísta ou desordem humana. Há uma grande diferença entre confusão e a dificuldade espiritual, pois elas surgem, porém Ele manda o refrigério, E ajuda a passar por elas. A cruz de Cristo veio para organizar a vida e não ao contrário, ela conclama a uma organização da vida espiritual, emocional e material de Seus seguidores. Em um mundo repleto de vozes, é vital discernir a mensagem de Deus. Ao silenciar as distrações e ao aproximar do Pai, encontra-se ordem, harmonia e paz.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Assim não haverá quem te salve

Na Bíblia, Deus nos orienta a evitar a astrologia e outras práticas ocultas, pois elas desviam nosso coração de confiar em Sua soberania. Astrologia é uma arte de adivinhação, ela ensina que as posições relativas do Sol, da Lua e dos planetas no céu têm uma influência nos indivíduos e nos afazeres humanos. Já a adivinhação é a arte de predizer os acontecimentos futuros, ou de revelar informação secreta, através de sinais ou outras atividades supernaturais. Deus proíbe o ato de adivinhação de maneira bem explícita: "... não usareis de encantamentos, nem de agouros..." (Lv 19.26, 31). Ainda no Pentateuco, em Deuteronômio, o cristão é orientado a não buscar respostas em adivinhações ou astrologia, pois isso é considerado abominação ao Senhor (Dt 18.10-12). Literalmente o profeta Isaías assim se pronunciou sobre a prática astrológica: "Cansaste-te na multidão dos teus conselhos; levantem-se pois agora e te salvem os astrólogos, que contemplam os astros, e os que nas luas novas prognosticam o que há de vir sobre ti. Eis que são como restolho; e logo os queimará, não poderão livrar-se do poder das chamas; pois não é um braseiro com que se aquentar, nem fogo para se sentar junto dele. Assim serão para contigo aqueles com quem te hás fatigado, os que tiveram negócios contigo desde a tua mocidade; andarão vagueando, cada um pelo seu caminho, não haverá quem te salve" (Is 47.13-15). Os astrólogos da Babilônia não foram capazes de ajudar o rei com o seu sonho perturbador. Todavia, Deus abençoou o seu profeta piedoso Daniel com os dons verdadeiros do Espírito Santo, e ele foi levado à presença do rei para interpretar o sonho (Dn 2.27-28). A descrição do fato foi assim: "Respondeu Daniel na presença do rei: o mistério que o rei exigiu, nem sábios, nem encantadores, nem magos, nem adivinhadores lhe podem revelar; mas há um Deus no céu, o qual revela os mistérios; ele, pois, fez saber ao rei Nabucodonossor o que há de suceder nos últimos dias. O teu sonho e as visões que tiveste na tua cama são estas". Enfim, Jesus mandou que Seus seguidores não estivessem ansiosos pelo amanhã, dizendo-lhes: “Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber, nem pelo vosso corpo pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes? ... Buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu reino e a Sua justiça...”(Mt 6.25,33).

Assim como a morte veio por um homem

Esta frase completa-se, segundo a Bíblia, com: "...também a ressurreição dos mortos veio por um homem". O versículo estabelece um paralelo teológico entre Adão (por quem entrou o pecado e com isso passou a morte espiritual a todos) e Jesus Cristo (por quem veio a ressurreição e a oportunidade de vida eterna). O oposto de vida não é pecado, pois pecado gera morte, e isso sim é o contrário de vida. O pecado entrou no mundo por um só homem, e pelo pecado a morte, espalhando-se a toda a humanidade. A desobediência de um gerou condenação, mas a obediência de Jesus Cristo trouxe justificação e vida. A passagem enfatiza a superabundância da graça sobre o pecado, oferecendo a vida eterna através de um único homem, Jesus, em contrapartida ao pecado introduzido pelo primeiro homem. É certo que não existe pecado original, como propagado pela teologia e sim um primeiro pecado que gerou morte como enraizado pela doutrina cristã. Essa morte espiritual é que passou para a humanidade, todos os demais nasceram afastados de Deus e pecaram. Se não existe pecado original, entretanto, há uma vida final ofertada na cruz por Jesus.