sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Sepulcros caiados

O que a justiça de Jesus exige não é um esforço humano redobrado para cumprir mais regras do que os fariseus cumpriam, e sim, o resultado da regeneração — uma mudança de natureza. É certo que a justiça do cidadão do Reino provém "apenas" da união dele com Cristo, assim sendo, uma árvore boa produz, naturalmente, bons frutos (Mt 7.17). Assim sendo, para compreender o verdadeiro impacto do Sermão da Montanha, é fundamental analisar a forte tensão entre a liderança religiosa da época e o Messias. A obediência passa a ser motivada pelo amor filial a Deus, e não pelo medo da punição ou pelo desejo de estatuto social. Jesus choca os Seus ouvintes ao declarar explicitamente: "Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus" (Mt 5.20). Para a sociedade daquela altura, os fariseus eram o topo absoluto da pureza e da moralidade. Assim sendo, exceder a sua justiça parecia uma meta impossível. No entanto, Jesus estava a contrastar uma religiosidade de fachada com a verdadeira retidão do Reino. Em suma, a diferença reside no foco de cada justiça: os fariseus mediam a santidade pelas ações visíveis, enquanto Jesus a avalia pelas intenções ocultas do coração. Mais tarde no capítulo 23 de Mateus, Jesus faz uma das Suas críticas mais duras aos fariseus, usando metáforas visuais impressionantes para expor a fragilidade desta justiça humana. "Preocupavam-se em limpar o exterior do prato e do copo, mas o interior estava cheio de rapina e de intemperança" (Mt 23.25). "Sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia" (Mt 23.27).

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