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domingo, 11 de outubro de 2026
"Paz, paz", quando não há paz?
O profeta Jeremias viveu e profetizou por cerca de 40 anos (aproximadamente entre 627 a.C. e 586 a.C.) em um dos períodos mais trágicos e turbulentos da história de Israel: o declínio final e a queda do Reino de Judá, culminando na destruição de Jerusalém e no exílio babilónico.
Judá era uma pequena nação espremida entre superpotências que disputavam o domínio do Médio Oriente: o Império Assírio (antigo opressor) estava a desmoronar-se e sob o comando do rei Nabucodonosor, a Babilónia emergiu como a nova e implacável potência mundial (o Egito tentava travar o avanço babilónico, usando frequentemente Judá como um "escudo" ou aliado político).
Jeremias começou a profetizar no 13º ano do reinado de Josias. O rei promoveu uma grande reforma religiosa e espiritual em Judá, mas sua morte trágica em batalha contra os egípcios marcou o fim da estabilidade do país e depois foi sucedido por uma dinastia desastrada.
É certo que, embora o rei Josias tivesse feito reformas externas, o coração do povo não mudou: havia adoração a deuses pagãos (como Baal e a "Rainha dos Céus"), incluindo o sacrifício de crianças no Vale de Hinom.
Acrescenta-se ainda a notória exploração dos pobres, das viúvas, dos órfãos e dos estrangeiros pela elite governante.
Além disso tudo, o povo acreditava piamente que, por terem o Templo de Salomão em Jerusalém, Deus nunca permitiria que a cidade fosse destruída. Os falsos profetas alimentavam essa ilusão pregando "Paz, paz", quando não havia paz.
O profeta pregava que a melhor saída era a rendição aos babilónios para salvar vidas. Por causa disso, foi rotulado como traidor da pátria, espancado, colocado no tronco e lançado num poço de lama (cisterna). Entretanto, testemunhou pessoalmente o cumprimento de todas as suas dolorosas profecias quando as muralhas de Jerusalém foram derrubadas e o Templo foi incendiado em 586 a.C.
O capitão da guarda babilónica, tirou Jeremias das cadeias e deu-lhe uma escolha: ir para a Babilónia para ser bem tratado na corte ou ficar na sua terra natal.
O profeta preferiu ficar em Judá junto do remanescente de sobreviventes, que era composto maioritariamente pelos camponeses mais pobres.
Tempo de paz?
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