domingo, 27 de setembro de 2026

Mercado e religião

Há pensadores que definem o sistema econômico não apenas como uma estrutura de mercado, mas como uma prática cultural com dinâmicas estritamente religiosas. Segundo eles o capitalismo funciona por meio de um culto contínuo, manifesto no trabalho e no consumo diário, operando sem uma teologia tradicional explícita, mas exigindo devoção prática. Com isso, o consumo e a acumulação de capital apropriam-se de anseios humanos por felicidade, realização e sentido de vida, atuando como falsas promessas de salvação ou plenitude terrena. O cerne desse argumento é que o capitalismo moderno ocidental não surgiu apenas de condições materiais (como o dinheiro ou a tecnologia), mas sim de uma profunda mudança na mentalidade e nos valores humanos, impulsionada pela Reforma Protestante. Essa ideia transforma o trabalho secular não era uma atividade menor ou inferior à vida monástica, mas uma vocação divina e uma forma de servir a Deus. Enfim, essa combinação única — trabalhar incansavelmente para gerar lucro, mas viver de forma modesta e reinvestir o excedente — gerou a acumulação contínua de riqueza que caracteriza a engrenagem do capitalismo moderno.

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