terça-feira, 20 de outubro de 2026

A justificação pela fé

No Sermão do Monte, Jesus afirma que a nossa justiça deve exceder a dos escribas e fariseus. Como o homem não consegue fazer isso por si mesmo, essa justiça precisa vir de fora. Esta declaração de Jesus foi revolucionária e chocante para os ouvintes da época. Para o judeu comum, os escribas (especialistas na Lei) e os fariseus (guardiões zelosos da tradição) eram o padrão máximo de santidade e retidão. Se a justiça deles não bastava para entrar no Reino, a de quem bastaria? Na verdade, o Mestre ensinava que os líderes da nação israelita não tinham justiça nenhuma, uma vez que ao homem natural é impossível ser justo diante de Deus: "Não há nenhum justo, nem um sequer" (Rm 3.10). Suas obras são manchadas e inutilizadas pela parcialidade, motivações impróprias e pecaminosas, pela aparência e exterioridade vazia. Mesmo as boas obras são vistas como imperfeitas porque nascem de corações com motivações mistas, parcialidade ou pecado (Pv 21.2, 27). A religiosidade puramente externa (regras, rituais e aparências) funciona frequentemente como uma máscara, ao que a religiosidade apenas acrescenta o pretexto para se enganarem em sua justiça própria. Um exemplo claro disso é que Jesus condena exatamente o comportamento dos escribas e fariseus, que limpavam o exterior para parecerem santos diante dos homens, mas mantinham o coração longe de Deus (Mt 15.7-9; Lc 16.15). Por outro lado, a justiça do reino de Deus, que excede a dos escribas e fariseus, porque é a única justiça verdadeira e perfeita, só pode ser alcançada por obra da graça de Deus, e isto é chamado nas Escrituras de “justificação pela fé” (Rm 3.21-24).

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