A Bíblia pela Bíblia
Um Blog de estudos e comentários bíblicos. Apesar da muita disponibilidade e acesso no mundo virtual, este blogueiro entende que precisamos o mais rápido possível redescobrir a Palavra de Deus! esdrasneemiasdossantos@gmail.com Read it in english: http://thebiblebythebible.blogspot.com.br/
sábado, 17 de janeiro de 2026
O Juiz dos juízes
Há um Juiz que julga os juízes da terra (Gn 18.25; 2 Tm 4.8).
Deus se posiciona em julgamento contra os juízes terrenos que são desonestos e fazem a injustiça parecer justiça, condenando os inocentes (Sl 82).
No salmo 2 assim está escrito: "Deixai-vos instruir, juízes da terra..." (Sl 2.10).
Neste salmo os reis se "levantam" contra o Senhor e Seu ungido (o Messias) e Deus zomba da rebelião e proclama Seu Filho como Rei.
A instrução é para que sirvam ao Senhor com temor e alegrem-se com tremor, submetendo-se ao Filho para evitar a destruição iminente.
A parábola do juiz iníquo é uma estória contada por Jesus.
Nela Ele enfatiza a importância da persistência na oração e a confiança na justiça de Deus.
Pois havia um juiz que não temia a Deus nem se importava com as pessoas, e uma viúva que, por insistência, obteve justiça dele para não ser mais importunada.
O Mestre usa essa narrativa para ensinar que, se um juiz ímpio atendeu à viúva, quanto mais Deus, que é justo e amoroso, atenderá aos clamores dos seus escolhidos, que oram a Ele continuamente.
Enfim, Jesus ensina que, se até um juiz desonesto foi movido pela insistência, Deus, que é justo e misericordioso, fará justiça plena aos seus escolhidos que clamam a Ele de dia e de noite, sem falhar, mesmo que a resposta pareça demorada (Lc 18.1-8).
Meditando na Lei
Há duas referências muito conhecidas sobre "na sua lei medita de dia e de noite", tanto no Salmo quanto no livro de Josué (Sl 1.2-3; Js 1.8).
Nelas estão implicitas a bênção do justo que encontra prazer na Palavra de Deus.
Não é apenas uma leitura mecânica ("...já li cem vezes a Bíblia..."), mas o verdadeiro cristão está refletindo nela constantemente para viver de acordo com seus ensinamentos e viver os princípios bíblicos.
Segundo a Bíblia, essa excelente prática resultará em prosperidade e sucesso, como uma árvore frondosa à beira de águas, que tudo o que faz dá certo, árvore frutífera e próspera.
É certo que a pessoa justificada em Deus tem alegria e satisfação em obedecer à lei de Deus (a Bíblia, ou os ensinamentos divinos).
Não é bom separar vida espiritual da material, ela é uma totalidade e o caminho da obediência leva a uma vida abençoada e bem-sucedida, tanto espiritual quanto materialmente.
Do mesmo modo, o conselho de Deus para Josué é para que ele nunca se afaste da Lei, mas medite nela dia e noite, para agir conforme tudo o que está escrito, garantindo assim que seu caminho prospere e ele seja bem-sucedido, sendo instruído a ser forte e corajoso, pois Deus estaria com ele em todos os lugares.
"Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro. Se alguém tirar qualquer palavra deste livro de profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, coisas escritas neste livro" (Ap 22.18,19).
A ameaça de ser amaldiçoado ou ter a parte da vida eterna tirada mostra a seriedade com que Deus vê qualquer tentativa de corromper Sua mensagem.
Enfim, o próprio Mestre trata a Palavra de Deus é perfeita e imutável: "Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra"(Mt 5.18).
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Como a moinha que o vento espalha
A tese do primeiro Salmo da Bíblia é que os ímpios não têm raízes profundas; são como a palha que o vento leva para qualquer lado, sem direção ou segurança.
A frase "como a moinha que o vento espalha" é uma das frases que descreve essa máxima neste texto e a figura da “palha” ou “moinha” que o vento espalha representa a sua transitoriedade.
O vento tem valor simbólico de adversidade para os cristãos, representa as provações, tentações, falsas doutrinas ou as próprias circunstâncias da vida.
A “palha” ou “moinha” são as partes leves e inúteis do grão (trigo ou cereal) que são separadas na debulha; não têm peso nem valor substancial.
Ela descreve os ímpios ou pessoas sem Deus como instáveis, sem propósito duradouro e facilmente dispersas pelas circunstâncias, como a ação do vento que leva a moinha para longe, sem deixar vestígios ou base (Sl 1.4).
Como a base da poesia hebraica é o paralelismo ao invés da rima ou métrica ocidental, o salmista agora contrasta essa situação com as do justo.
Segundo ele, os justos que são firmes como árvores, mostrando que a vida dos ímpios perece, enquanto a dos justos é abençoada.
Diferente da árvore que produz frutos, a vida do ímpio é passageira e sem relevância duradoura.
No juízo final, os ímpios não permanecerão, pois seu caminho é incerto e perecerá, ao contrário do caminho dos justos que o Senhor conhece e abençoa.
Em suma, a frase simboliza a fragilidade e a falta de substância daqueles que não se firmam em Deus, sendo facilmente desmantelados pelas adversidades.
A diferença fundamental é que o justo vive em conformidade com a vontade de Deus, encontrando prazer na Sua lei e sendo guiado pelo Espírito Santo.
Já o ímpio vive segundo seus próprios desejos, rejeitando ou ignorando os preceitos divinos, mesmo que possa parecer próspero na vida terrena.
Enfim, o justo tem sua segurança e destino eternos em Deus, ao passo que o ímpio perecerá, pois seu caminho é conhecido por Deus como destruição (Ml 3.18).
Foi feito para estar sem pavor
Quando Deus fala com Jó, no final do seu processo de aprendizagem, trata com ele sobre coisas terrenas que não entendia e depois muda para as espirituais.
Dentre elas, está o leviatã, uma criatura incomparável, tendo outra característica ser feito " ... para estar sem pavor".
Ele é uma criatura marinha poderosa descrita no livro de Jó, mostrando sua invencibilidade e poder (Jó 41.33).
O salmista assim o descreve: "Assim é este mar grande e muito espaçoso, onde há seres sem número, animais pequenos e grandes.Ali andam os navios; e o leviatã que formaste para nele folgar" (Sl104.25,26).
Deus começa questionando Jó sobre sua capacidade de capturar o leviatã, uma criatura tão poderosa que a ideia de domesticá-la ou usá-la para entretenimento é ridicularizada.
Ao buscar entender os motivos de sua desenvoltura e em sua conversa com o Eterno em muitos momentos ele se justifica e o Altíssimo responde de forma didática falando deste grande animal marinho.
Já o aprendizado espiritual foi relacionado à soberania de Deus e propósito do sofrimento, ensinando que a verdadeira devoção resiste à dor e perda, sem exigir entendimento imediato das razões divinas, resultando em um conhecimento mais profundo de Deus (Jó 42.5).
Relaciona-se ainda à importância de adorar a Deus em todas as circunstâncias, aceitar a Sua vontade, e entender que o sofrimento pode ser um caminho para o amadurecimento e a revelação do caráter, não necessariamente um castigo por pecados pessoais, reforçando a confiança na fidelidade de Deus.
É certo que a fé de Jó não dependia de suas bênçãos; ele amava a Deus pelo que Ele É, não pelo que Ele dava, adorando-o mesmo na total desgraça.
Mas, ainda aprendeu que Deus está no controle, e Seus caminhos são mais altos que os nossos e que não há a necessidade de se entender tudo para confiar em Sua perfeição.
No pano de fundo, Deus permitiu que Satanás testasse Jó para revelar a profundidade de sua fé e caráter, produzindo perseverança e fortalecendo sua relação com Deus.
Enfim, a fé verdadeira resiste às maiores provações, sendo um exemplo de integridade e resiliência espiritual.
Amando os inimigos
Há na Bíblia exemplos de reversão, mudança de quadro ou conversão.
Um desses casos está descrito no livro de Jó, quando o Eterno julga a causa do servo orpimido: "Deus virou o cativeiro de Jó".
Significa que o Senhor reverteu completamente a sorte de Jó, restaurando sua saúde, bens e família em dobro.
Isso aconteceu após ele ter orado por seus amigos que o criticaram, mostrando que a intercessão e a fé em meio ao sofrimento levaram à sua restauração.
Mostra claramente uma virada de vida e prosperidade após a provação (Jó 42.10).
Após enfrentar perdas inimagináveis, Jó orou pelos seus amigos. Foi nesse ato de intercessão, e não de autocomiseração, que Deus mudou sua situação.
O Senhor não apenas restaurou, mas "acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía".
Ele ganhou mais posses, mais filhos (sete homens e três mulheres) e viveu mais 140 anos, vendo seus descendentes até a quarta geração.
O que aconteceu com Jó é um testemunho de que, mesmo nas maiores tribulações, a fé e a integridade podem levar à restauração.
A "virada" veio após Jó reconhecer sua limitação e a grandeza de Deus, e então interceder por aqueles que o julgaram.
Assim como Jó, quem está passando por dificuldades e se sente sem esperança pode ver sua situação transformada.
A intercessão pelos outros, mesmo por aqueles que nos fizeram mal, é um caminho para a própria bênção e libertação.
O próprio Mestre assim diz: "Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus"(Mt 5.44).
Assinar:
Comentários (Atom)




