quinta-feira, 17 de maio de 2018

A sucessão dos reinos deste mundo.







Na lição passada, estudamos a visão das Setenta Semanas determinadas sobre o povo de Deus. Desta vez, examinaremos as visões dadas a Daniel nos capítulos 2 e 7, onde Deus revela os Seus desígnios quanto aos reinos ou impérios das nações que se sucederiam no mundo. Mais uma vez, a compreensão destas passagens é de grande importância para entendermos o momento em que nos encontramos no cumprimento dos acontecimentos determinados para o fim dos tempos.

A revelação divina feita a Daniel com respeito à sucessão dos reinos se deve a um sonho que teve Nabucodonosor, rei dos caldeus, e à sua persistência em querer saber exatamente como havia sido esse sonho e qual seria a sua interpretação. Para isso, mandou chamar todos os sábios e entendidos de Babilônia sobre o assunto, mas não recebeu nenhuma resposta satisfatória. Indignado com a incapacidade dos seus conselheiros, o rei determina que todos sejam mortos. Nesse momento Daniel entra na história, quando ele e seus companheiros são buscados para também serem mortos. Daniel pede que se lhe dê uma chance de atender ao pedido do rei e, após os jovens hebreus buscarem instantemente ao Senhor, finalmente são revelados a Daniel o sonho e sua interpretação.

Na verdade, o sonho era uma resposta de Deus a uma pergunta que Nabucodonosor havia feito quanto ao que seria após ele (v. 29). O sonho tratava, em linhas gerais, de uma estátua e uma pedra. A estátua, de grande altura e aspecto terrível, estava dividida em cinco partes, cada uma formada de um material diferente: a cabeça, de ouro; o peito e os braços, de prata; o ventre e as coxas, de cobre; as pernas, de ferro; e os pés, com os seus dedos, de ferro misturado com barro. Na segunda parte da visão, a pedra, cortada sem mão, feria a estátua nos pés de ferro e de barro, e os pulverizava. Ao mesmo tempo, eram pulverizadas todas as demais partes da estátua, e desapareciam levadas pelo vento. E então a pedra, que havia ferido a estátua, se fazia um grande monte, que enchia toda a terra.

Pela ordem do sonho, Daniel começa com a interpretação da estátua, em suas partes formadas de diferentes materiais. Primeiro, observamos, pelo uso das palavras “reis” e “reinos”, que cada parte da estátua simboliza um império deste mundo, um governo humano e terreno. Segundo, esses reinos se sucederiam ao longo da história, a começar com o império babilônico, durante o qual havia sido dada esta revelação. E notamos ainda que os diferentes materiais que formavam as diferentes partes da estátua indicam que a nobreza desses impérios seria cada vez menor, antes de serem completamente destruídos.

Embora a sucessão dos reinos seja descrita claramente na interpretação dada por Daniel, precisamos recorrer à história bíblica posterior e à história secular para identificarmos exatamente de que reinos a visão está tratando. O primeiro (a cabeça de ouro), é o próprio império dos caldeus (ou babilônico), tendo como seu maior e mais poderoso rei, Nabucodonosor (v. 37-38; cf. Jr 27.6-7). Como nos informa o próprio livro de Daniel, o povo seguinte a que passou o domínio (o peito e os braços de prata) foi o persa (ou medo-persa). Isto se deu na noite em que Belsazar profanou os vasos da casa de Deus (Dn 5.25-31). Os persas foram sucedidos pelos gregos (o ventre e coxas de cobre), comandados por Alexandre o macedônio (ou o Grande). Sua vitória sobre os persas, a rápida conquista e o domínio de toda a terra (v. 39), bem como sua morte prematura e a divisão do seu império entre seus generais, foram reveladas ao mesmo Daniel (cf. Dn 8.20-22). O quarto império (as pernas de ferro) foi o romano, notório pelo seu poderio militar e pela severidade com que reprimia toda rebelião contra suas leis (v. 40). Era o império que governava nos tempos de Cristo (cf. Lc 2.1).

Chamamos a atenção para o império representado pelos pés com os dedos de ferro e de barro, que é o último na sucessão dos reinos deste mundo e, portanto, existirá até o fim. Sabe-se que, após a queda do Império Romano (no Ocidente, em 475 d.C. e, no Oriente, em 1453 d.C.), jamais se levantou outro império que dominasse o mundo conhecido de forma indisputada. Ao invés disso, diversos povos ou nações procuraram estabelecer o seu próprio domínio, de acordo com suas identidades étnicas e culturais, dando origem a uma multiplicidade de reinos, que atualmente denominamos de Estados-Nações. Existe algo de forte nesses pequenos reinos, porque ainda têm o poder das armas, da violência, da coerção, das leis. Mas, por outro lado, estão grandemente enfraquecidos por se basearem em acordos humanos que podem ser facilmente alterados pelas mais diversas circunstâncias políticas e históricas.

A pedra, por sua vez, também representa um reino, mas, em contraste com os reinos terrestres e humanos, esse reino jamais será destruído, e não passará a outro povo. Não entra na sucessão dos reinos representados pela estátua, mas se estabelece de forma independente “nos dias desses reis”, ou seja, no tempo em que estes governos estão se sucedendo na terra. A glória desse reino começa pequena e de forma simples como uma pedra, mas no fim se torna como um monte que enche toda a terra. É o reino de Deus que, embora presente entre os homens, não é deste mundo e nada tem de terreno (Mt 4.17; Jo 18.36). Nele só entram os que são trazidos por Deus (Cl 1.13; Ap 1.6, 9). Embora sem aparência exterior (Lc 17.20- 21), é um reino cuja grandeza e glória aumentarão mais e mais até a sua plena manifestação na vinda de Cristo e na destruição final dos reinos deste mundo (1 Co 15.24-28). A base deste reino é a pessoa do seu próprio Rei, Cristo Jesus, identificado como a pedra eleita por Deus (1 Pe 2.4-6).

Pode-se ver exatamente a mesma sequência de impérios, descrita no capítulo 2, aqui representada pelos quatro animais e os dez chifres do quarto animal (v. 17). Desta vez, o leão representa o império babilônico, o urso o medo-persa, o leopardo o grego, o animal terrível e espantoso o romano. Os dez chifres resumem o quinto reino, apontando para a multiplicidade de povos ou nações que dominariam ao mesmo tempo, até o fim (v. 24a).

Um aspecto novo nesta visão é o chifre pequeno que surge após os dez, abate três e se exalta terrivelmente contra os santos, e isso por um período de “tempo, tempos e metade de um tempo” (vv. 21-22, 25). Trata-se do mesmo reino representado pelos dez chifres – a multiplicidade de estados menores, soberanias e nações; mas agora coligadas em um sistema final de governo, sob a égide de uma pretensa “união”, com propósitos hostis e contrários ao reino dos céus e aos santos de Deus (vv. 21, 25). Estes reinos são os que compõem a besta mostrada a João, em Apocalipse (cf. 13.6-8; 17.12-14).

Neste ponto, a visão é ainda mais clara quanto ao estabelecimento do reino de Deus e sua vitória contra os reinos deste mundo. Primeiro, o tribunal de Deus estabelecido para julgar e condenar os reinos (vv. 9-12) – o que vem se realizando na medida em que um reino após o outro passa e nunca mais volta ao poder, ainda que algo daquilo que construíram permaneça como legado aos povos seguintes. Esse juízo se cumprirá totalmente na destruição final dos reinos deste mundo, coligados conforme a figura do “chifre pequeno” (v. 26). A visão ainda mostra o reino de Deus sendo entregue aos santos, na pessoa do Seu próprio Rei e cabeça, o Filho do homem – Cristo Jesus (vv. 13-14, 18, 27).

Oportunamente, estudaremos a destruição final da besta, aqui já apresentada na visão da estátua e dos animais. A certeza sempre confirmada é a da vitória de Cristo Jesus – o Rei dos reis.




Texto cedido por: EBD –  2º. Trimestre de 2018



ESCATOLOGIA 

ASSEMBLÉIA DE DEUS 
MINISTÉRIO GUARATINGUETÁ-SP

quinta-feira, 10 de maio de 2018

As setenta semanas.







A visão registrada por Daniel no texto em epígrafe é de grande importância para o estudo da escatologia bíblica. Nesta passagem encontramos uma revelação feita por Deus ao profeta sobre um tempo determinado para a realização de todos os Seus desígnios em relação ao Seu povo. Trata-se de uma palavra abrangente, que começa a se cumprir ainda antes de Cristo, estende-se por toda a era cristã e completa-se apenas na consumação deste mundo.

Tudo começa quando Daniel entende, lendo e refletindo sobre as Escrituras, que o tempo determinado por Deus para a duração do cativeiro do Seu povo na Babilônia seria de setenta anos (Jr 25.11-12; 29.10). Aquele era o primeiro ano de Dario, o medo. O império babilônico já havia passado, e estava para se cumprir o tempo determinado por Deus através de Jeremias. Isto levou o profeta Daniel a buscar ao Senhor “com oração, e rogos, e jejum, e pano de saco, e cinza” (v. 3), ou seja, apoiado nas misericórdias e na fidelidade do próprio Deus, para que Ele operasse, segundo a Sua palavra, a libertação e restauração do Seu povo.

Em resposta à oração do profeta, o anjo Gabriel é enviado para instruir Daniel sobre um novo período de tempo, nunca antes citado – não mais de setenta anos, mas setenta semanas. Literalmente, setenta vezes sete (uma semana equivalendo a sete dias). E assim como os setenta anos, já passados, foram suficientes para a realização do propósito de Deus quanto ao cativeiro de Israel na Babilônia (cf. 2 Cr 36.21), agora esse tempo de setenta semanas seria absolutamente perfeito e suficiente para a realização de propósitos divinos ainda mais elevados e abrangentes.

Vários objetivos são propostos para esse novo período de tempo determinado por Deus. Todos eles se relacionam com a redenção e felicidade eterna dos santos, de modo que, no cumprimento de todo o propósito das setenta semanas, o povo de Deus terá alcançado a plenitude de tudo quanto Deus havia prometido antes por boca de outros profetas. Portanto, esta visão abrange um período de tempo muito mais amplo do que a contagem literal de setenta semanas poderia sugerir, sendo um tempo do conhecimento exclusivo de Deus – a expressão “setenta semanas” apenas indicando simbolicamente sua perfeição e completude para o cumprimento dos desígnios divinos (cf. 2 Pe 3.8).

Embora se trate de um período cuja duração de tempo exata é do conhecimento exclusivo de Deus, o avanço das setenta semanas é assinalado por eventos que são claramente identificáveis nas Escrituras e na História. Podemos analisar esses eventos, revelados na própria visão, em dois períodos principais: o primeiro, nas primeiras “sessenta e nova semanas”, e o segundo, na última “semana”.

O marco inicial das setenta semanas, e do seu primeiro período, peculiarmente descrito como “sete semanas, e sessenta e duas semanas”, se dá no reinado de Ciro, o persa, por volta de 445 a.C., quando foi dada a “ordem para restaurar e reedificar Jerusalém” (2 Cr 36.22-23; Ed 1.1-3; cf. Is 44.24-28; 45.1, 13). No período pós-cativeiro, aconteceu a reconstrução do Templo e da cidade de Jerusalém, mas, como diz a profecia, em “dias angustiosos”. Conforme registrado nos livros de Esdras e Neemias, a obra de restauração esteve sob constante ameaça dos inimigos vizinhos, chegando até a ser interrompida por influência destes. E os próprios israelitas viram-se novamente sujeitos às fraquezas e infidelidades de seus antepassados, como nos revelam os profetas Ageu, Zacarias e Malaquias.

Esse período se estende até a chegada do Messias, o Príncipe – isto é, Jesus Cristo. Neste ponto da história, o tempo avançou sessenta e nove semanas no “relógio” divino, restando tão somente uma semana para a conclusão dos desígnios de Deus para o Seu povo na terra. Quer dizer que, desde a manifestação do Senhor Jesus em carne, há aproximadamente 2000 anos, até o fim, transcorre apenas uma semana na visão de Deus.

O período final é de apenas uma semana. Mas, atenção, pois aqui ocorre uma repartição na septuagésima e última semana em dois novos períodos de meia semana cada. Os versos em relevo destacam os eventos que devem suceder tanto na primeira como na segunda metade desta última semana.

Em primeiro lugar, é dito no verso 26 que o Messias “será tirado, e não será mais”. Isto se refere a Jesus sendo rejeitado e morto pelos judeus (Is 53.8; Jo 1.10) e, pela Sua ressurreição e ascensão, deixando este mundo e voltando para o Pai (Lc 9.22; Jo 14.19). O verso 27 afirma também, ainda em relação ao Messias, que Ele “firmará um concerto com muitos” – uma clara referência ao Concerto da salvação eterna (“por uma semana” – sete tempos), selada no Seu sangue para a remissão dos pecados de muitos – do Seu povo (Mt 1.21; 20.28; 26.26-28).

Voltando ao verso 26, ali é dito, na sequência da rejeição do Messias, que “o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário”. O povo aqui citado é o romano que, no ano 70 d.C., liderado pelo general Tito, cercou Jerusalém com seus exércitos e arrasou a cidade e o Templo, não deixando pedra sobre pedra (cf. Mt 24.2; Lc 21.20-24). O verso 27 volta a este acontecimento, pela citação de que, no meio da semana, o Messias faria “cessar o sacrifício e a oferta de manjares”. Isto se cumpre, primeiro, quando Cristo, pelo sacrifício único e perfeito de Si mesmo, tornava inúteis e obsoletos os sacrifícios e ofertas determinadas pela Lei (Hb 9.11-12; 10.1, 8-12). Mas, para que cessasse de fato toda religiosidade judaica, o Templo foi destruído, e nunca mais os judeus puderam realizar tais sacrifícios. A partir desse acontecimento, transcorre a segunda metade da última semana.

Com o fim de toda a ordem mosaica baseada no Templo e na missão de Israel como povo de Deus – fim esse assinalado pela destruição de Jerusalém e do Templo, entramos no período final das setenta semanas. No verso 26, lemos que “até ao fim haverá guerra; estão determinadas assolações” – que é uma referência aos acontecimentos catastróficos e aflitivos que se abateriam sobre as nações até o fim do mundo, como Jesus avisaria os Seus discípulos (Mt 24.6-7). Observemos ainda, pelo verso 27, que esse é o tempo em que o Assolador, isto é, o espírito do anticristo, se faz presente no mundo (Jo 14.30; 1 Jo 2.18; 4.3; 2 Ts 2.1-5), manifestando-se na multiplicação do engano e da iniquidade (Mt 24.9-12; 1 Tm 4.1-2; 2 Tm 3.1-4; 2 Ts 2.7, 9-12). Contudo, esse período também inclui o derramar da ira de Deus sobre todo o sistema e poder das trevas, com a destruição do próprio Assolador (cf. 2 Ts 2.7-8; Ap 20.10).

A visão das Setenta Semanas é um dos muitos argumentos da veracidade e inspiração divina das Escrituras Sagradas, pois descreve, com séculos de antecedência, acontecimentos que se realizaram na ordem e do modo exato como foram revelados. Sempre houve citações na Bíblia sobre tempos determinados para propósitos definidos por Deus, o que nos mostra Seu controle total e absoluto sobre o mundo, e que nenhum dos Seus desígnios poderá ser frustrado.




Texto cedido por: EBD –  2º. Trimestre de 2018


ESCATOLOGIA 

ASSEMBLÉIA DE DEUS 
MINISTÉRIO GUARATINGUETÁ-SP

quarta-feira, 2 de maio de 2018

A vinda de Jesus e o arrebatamento da igreja.







No passado, os profetas anunciaram a vinda de um libertador, um ungido que operaria a salvação e a glória do Israel de Deus – era o Cristo, ou Messias. Esses testemunhos se cumpriram quando Deus enviou ao mundo seu Filho Jesus. Contudo, estando ainda entre nós, o próprio Cristo não apenas ensinou que era necessário que Ele voltasse para o Pai – o que se cumpriu na Sua morte e ressurreição – mas que Ele viria ainda uma última vez, com o objetivo de levar os Seus discípulos para estarem com Ele na eternidade – é o arrebatamento da Igreja. Assim, como a vinda de Jesus e o arrebatamento da Igreja geralmente aparecem relacionados na Bíblia, trataremos de ambos os assuntos nesta lição.

É evidente que as Escrituras falam da vinda de Cristo não apenas em relação à Sua manifestação em carne “para tirar os pecados de muitos”, mas também de uma segunda vinda, “sem pecado, aos que o esperam para salvação” (Hb 9.28). O objetivo desta última manifestação do Senhor é o de pôr um fim neste mundo mau e inaugurar o estado eterno de felicidade e descanso para os santos nos céus (1 Co 15.24-28; 2 Ts 1.6-10).

A primeira vinda de Cristo já manifesta o caráter final e eterno do reino de Deus, na pregação do evangelho. Mas, estando ainda entre os Seus discípulos, o Senhor Jesus apontava para um tempo futuro, chamado “aquele dia” (Mt 7.22), em que o Filho do homem viria (Lc 18.8), ou se manifestaria em Sua glória (Mt 25.31). Ilustrou o aspecto futuro deste evento através de parábolas (Mt 25.1-13, 14-30 e 31-46). Falou disto abertamente, seja para consolar Seus discípulos (Jo 14.1-3) ou exortá-los à vigilância (Mt 24.44).

Os discípulos de Jesus não só conservaram para si mesmos a esperança da vinda de Cristo (2 Tm 4.7-8; Ap 22.20), mas também ensinaram a igreja a aguardar ansiosamente e a se preparar em santificação para este único e último dia (Tt 2.11-13; Tg 5.7-8; 2 Pe 3.3-9; 1 Jo 2.28; 3.2; Jd 14-15).

Arrebatamento relaciona-se com “tomar”, “raptar”, “levar embora”. Será o cumprimento da promessa de Cristo, de que Ele voltaria e levaria o Seu povo para estar com Ele. Consideremos os participantes desse glorioso evento: 1. O próprio SENHOR JESUS. Diz a Escritura que “o mesmo Senhor descerá do céu” (1 Ts 4.16a). É o mesmo Jesus que deixou Seus discípulos e foi recebido encima no céu (At 1.9-11; Mc 16.19), onde também espera por esse dia (Hb 10.12-13). Cf. At 3.19-21; 1 Tm 6.14-16.

Diz a Palavra de Deus que o Senhor Jesus virá acompanhado pelos Seus santos anjos, os quais enviará para recolher os Seus fiéis de todos os cantos da terra (Mt 13.39, 49; 24.31).

Naquele dia, os mortos em Cristo serão os primeiros a responder à voz do chamamento da trombeta de Deus e, num abrir e fechar de olhos, os santos ressuscitarão incorruptíveis. O mesmo poder transformador atuará nos crentes que estiverem vivos naquele dia. “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados”, “e nós seremos transformados” (1 Ts 4.15-17; 1 Co 15.51-52). Quase simultaneamente à ressurreição dos mortos em Cristo, também os vivos ouvirão a voz do arcanjo e, num tempo incontável, serão transformados e arrebatados, juntamente com os mortos ressuscitados, ao encontro do Senhor nos ares. Será o poder do Espírito atuando sobre a matéria, vencendo a morte e corrupção nos corpos abatidos dos fiéis (1 Co 15.53-54; Fp 3.20-21; 2 Co 5.1-5).

As Escrituras destacam o elemento surpresa. Jesus disse que viria sobre o mundo como um “laço”, a uma hora inesperada, como ladrão; e que por isso deveríamos estar preparados para não sermos surpreendidos por ele (Lc 21.34-36; 1 Ts 5.1-4; Mt 24.42-44; 25.13). Este dia e hora é desconhecido pelo homem; “nem os anjos” o sabem (Mt 24.36-37). Sabemos que será o último acontecimento da história, pois será no “último dia”, no “fim do mundo” (Jo 6.40; 11.24; cf. 1 Co 15.23-24). O momento preciso é citado por Paulo nas expressões: “ante a última trombeta”, “à voz do arcanjo” (1 Co 15.52; 1 Ts 4.16; cf. Ap 14.14-15).

A vinda de Jesus e o arrebatamento da Igreja não será um evento local, secreto, que poucos perceberão. Antes, será simultâneo em todos os pontos da Terra, como o relâmpago que se mostra do oriente ao ocidente (Mt 24.26-27). Todos O verão (Mt 24.30; Ap 1.7), e onde estiver um servo do Senhor, ali ele será recolhido (Mt 13.36-39, 48-50; Mt 24.28, 31).

Diferentemente da Sua primeira vinda, quando se manifestou em carne com grande simplicidade, padecendo desprezos e graves humilhações, Sua próxima vinda será poderosa e gloriosa, com grande estrondo e abalo sobre o mundo (Mt 26.63-64; 2 Pe 3.10-13; Ap 6.15-17). Precisamos estar atentos para o fato de que não haverá segunda oportunidade (Mt 25.11); será como nos dias de Noé e de Ló – quem estava na condição de ser salvo o foi, mas os demais pereceram (Mt 24.37-39; Lc 17.28-30). Para o justo, será a entrada no gozo da vida eterna no reino de Deus; para o ímpio, haverá eterna perdição (Mt 25.46).

Em vista do que as Escrituras nos revelam, consideremos que a nossa prioridade deve ser viver na expectativa de tão grandioso evento – a volta de Jesus. Procuremos viver – e morrer – de tal forma que, nesse dia, ouçamos do Senhor as palavras: “Vinde, benditos”, ou “servo bom e fiel”; e não: “Apartai-vos de mim, malditos”, ou “mau e negligente servo”.






Texto cedido por: EBD –  2º. Trimestre de 2018


ESCATOLOGIA 

ASSEMBLÉIA DE DEUS 
MINISTÉRIO GUARATINGUETÁ-SP

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Jacó: um homem em busca da bênção do Altíssimo.







A sua história é descrita no livro do Gênesis e seu nome significa suplantador (vencedor, aquele que vai ser superior ou dominador), muitas vezes mal interpretado por muitos estudiosos, e, depois, seu nome foi mudado por Deus para Israel.

Em seu nascimento. Jacó foi antecipado pelo seu irmão, Esaú, contudo o Senhor disse antes a Rebeca, sua mãe, que duas nações estavam em seu ventre, mas o maior serviria ao menor, com um desígnio divino já revelado desde o ventre, antes de nascer.

Seu irmão Esaú despreza e vende a primogenitura, como profetizado, que era a bênção destinada ao primogênito, para Jacó que espertamente fez a aquisição dela.

Em outra parte bíblica, já no Novo Tetamento, o Altíssimo disse que Esaú realmente foi profano, não dando valor às coisas divinas, mostrando que não estava interessado nas coisas espirituais, como revelado à sua mãe.

Orientado por Rebeca, Jacó recebe o benefício da primogenitura, obedecendo-a e mesmo tempo, enganando a seu pai Isaque, que já estava velho e não via mais perfeitamente.

Após a bênção, Jacó vira alvo da ira de seu irmão, e aconselhado por Rebeca, foge para a terra de seus parentes, com o objetivo também de conseguir uma esposa como seu pai tinha feito tempos atrás, pois suas cunhadas eram desgosto para sua mãe.


Isaque então abençoa novamente a Jacó, agora não enganado mais e com promessas ainda mais espirituais como tinha sido predito pelo Eterno para Rebeca, uma mãe que sempre esteve atenta ao auxiliar seu marido e não deixá-lo errar quanto ao recebimento da bênção divina, mesmo o caçula não querendo enganar o seu pai!

* Este texto é apenas um recorte, mas há uma primeira parte do estudo sobre a vida de Jacó explanada no vídeo abaixo, de forma mais completa. Acompanhe!





quinta-feira, 26 de abril de 2018

Sinais da vinda de Cristo.







Falando publicamente aos judeus, ou aos discípulos em particular, Jesus ensinou e advertiu várias vezes sobre uma futura e última vinda, em poder, glória e majestade. Mas é por ocasião do presente discurso que o Mestre dá maiores detalhes sobre este acontecimento. Tudo começa quando os discípulos, querendo impressionar Jesus, chamam a Sua atenção para a estrutura magnífica do Templo, que era o orgulho de todo o israelita. Cristo então declara que tudo aquilo seria arrasado, e que não ficaria “pedra sobre pedra, que não fosse derribada” (v. 2). Diante desta predição, os discípulos fazem a pergunta chave que originou o grande discurso profético: “Dize-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” (v. 3).

Os judeus eram ansiosos por sinais para que pudessem crer (Mt 16.1; 1 Co 1.22). Os povos pagãos, por sua vez, se assustavam com qualquer sinal do céu (Jr 10.2). Por isso, em resposta à pergunta feita pelos discípulos: “Que sinal haverá”, Jesus trata primeiro daquilo que não deveriam considerar como sinais da Sua vinda.

Nesta predição, o Senhor admoesta os discípulos a estarem atentos contra a operação do engano, pela qual muitos creriam que Cristo já teria voltado, mediante falsos mensageiros e falsos sinais ou prodígios (vv. 11, 24). Ao contrário de uma manifestação particular, o sinal da vinda de Cristo será evidente e inequívoco perante o mundo todo (vv. 25-28; cf. 2 Ts 2.1-2; Ap 1.7).

Pequenas e grandes guerras têm manchado o planeta com sangue e destruição. A todo momento surgem novas ameaças de conflitos, desestabilizando qualquer tentativa de paz duradoura entre as nações. Mas até ao fim haverá guerras e, portanto, não podem servir como sinais da vinda do Senhor. Assim também outras mazelas da sociedade humana, como fomes, doenças e catástrofes naturais, assim como eventos no céu (Lc 21.11), ocorrem a todo o tempo, não podendo ser apontadas de modo particular como sinais. São antes juízos de Deus sobre as nações, por rejeitarem o senhorio de seu Filho Jesus, e por adorarem à criatura ao invés do Criador (Sl 2.1-5).

Jesus refere-se metaforicamente às dores de parto de uma mulher, que anunciam a hora de dar à luz uma criança. Os acontecimentos descritos até aqui, embora não sejam propriamente sinais da vinda de Cristo, demonstram a perplexidade e o desespero da criatura diante dos males que se evidenciam na terra (Lc 21.25-26; Dn 12.4); é o pressentimento da chegada do fim dessa agonia (Rm 8.20-22). Ante o caos dos acontecimentos em que o mundo se precipita, o crente não deve se assustar, mas considerar que tais coisas apenas prenunciam um juízo ainda mais terrível sobre o mundo, e vigiar para não se deixar entorpecer pelas distrações desta vida (Lc 21.34-36; 1 Ts 5.1-5).

Nestes versículos, Jesus previu acontecimentos que afetariam os Seus discípulos em particular, mas em todo o tempo – desde os apóstolos até a consumação dos séculos.
Às dores que atingem as nações em comum, acrescenta-se a prova da fé a que os cristãos deveriam se submeter, em aflições e perseguições por amor ao Evangelho (At 14.22; 1 Pe 4.12-14) – até a própria morte (Jo 16.1-4). O mundo aborrece a Cristo; logo, aborrecerá também a todos os que quiserem segui-lO (v. 29; Jo 15.18-20; 2 Tm 3.12).

Jesus aponta os problemas que ocorreriam internamente na igreja. Muitos haveriam de se escandalizar, abandonando a fé, por causa das perseguições (Mc 4.17; Lc 7.23). Outros ainda fomentariam contendas, divisões e heresias (1 Jo 2.18-20; Lc 17.1; Rm 16.17,18; 1 Co 11.18-19). Falsas doutrinas seriam sorrateiramente introduzidas (1 Tm 4.1-3; 2 Pe 2.1-3; 2 Ts 2.3-4), pelas quais muitos seriam engodados (2 Tm 4.1-4). O aumento da iniquidade, ou seja, da violação dos princípios divinos, acabaria solapando o amor a Cristo e ao próximo, e isto traria a ruína de muitos crentes e igrejas (Ap 2.4-5). Porém, contra esta situação geral de abatimento e indiferença, haveria aqueles que “perseverariam até ao fim”, ou que “na paciência possuiriam as suas almas” (Lc 21.18,19).

Apesar das dificuldades externas e internas, é certo que a igreja subsistiria em todo o tempo, até o fim, pois a ela fora confiada a obra de pregação do evangelho (Mt 28.18-20; Ap 6.11; 7.3). E, mesmo quando sob as circunstâncias mais aflitivas, os cristãos ainda poderiam glorificar a Deus pelo seu testemunho (Lc 21.12-15).

Em resposta à pergunta dos discípulos, Jesus também fala sobre “quando serão essas coisas” – no caso, a destruição do Templo e da cidade de Jerusalém. Isto já havia sido predito por Daniel (Dn 9.26), e em outras ocasiões pelo próprio Senhor (Mt 23.33-36; Lc 13.33-35). Em complemento à palavra falada a princípio (vv. 1-2), Jesus orienta Seus discípulos para que, quando a destruição do Templo pusesse fim a todo o sistema de adoração mosaico, eles não se escandalizassem, como os demais judeus (cf. At 6.13-14).

O sinal claro de que a destruição da cidade havia chegado seria a aproximação das legiões romanas (Lc 21.20-22); ao invés de mandalos ficar e resistir obstinadamente ao inimigo – como muitos judeus fizeram – Jesus aconselha os discípulos a abandonarem Jerusalém, e a região da Judéia, o mais rápido possível. Observamos que os particulares destacados por Cristo representam as circunstâncias e características da época, como a estrutura das casas, o trabalho no campo, a dificuldade de viajar no inverno e as limitações do dia do sábado.

Os dias do cerco e da destruição de Jerusalém seriam dias de terrível e incomparável aflição para o povo judeu. Além da assolação da cidade e do Templo, do morticínio de milhares e da humilhação dos sobreviventes, toda essa destruição seria o juízo de Deus sobre o povo de Israel (Lc 21.22-24), por terem rejeitado o Filho de Deus e por perseguirem os Seus enviados (Mt 21.42-44; 1 Ts 2.14-16).

Tanto os acontecimentos particulares que se deram no ano 70 d.C., como também os acontecimentos gerais e os falsos alardes sobre a vinda de Cristo, preditos como acontecimentos atuais, na verdade foram todos presenciados por aquela geração, como os próprios apóstolos testificam em suas epístolas. Jesus queria que tanto eles como nós estivéssemos igualmente preparados e alertas para a Sua vinda iminente (v. 42), porque o fim vem para todas as gerações – seja por guerras, fomes, pestes, terremotos, perseguições ou assolações como a que os discípulos presenciaram na destruição de Jerusalém.


Diante dos acontecimentos previstos por Cristo, e que presenciamos se cumprirem em nosso próprio tempo, estejamos certos de que o dia da Sua vinda está muito perto de nós – na verdade, está às portas da nossa geração. Não sabemos exatamente quando Ele virá, por isso a exortação será sempre atual: “Vigiai”.



Texto cedido por: EBD –  2º. Trimestre de 2018


ESCATOLOGIA 

ASSEMBLÉIA DE DEUS 
MINISTÉRIO GUARATINGUETÁ-SP