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terça-feira, 20 de dezembro de 2022
A lei vem de Sião
ião (ou Monte Sião) é uma colina em Jerusalém que, na Bíblia, tornou-se sinônimo da presença de Deus, da Cidade de Davi e, por extensão espiritual, da habitação do povo de Deus.
É certo que a "lei" e a "palavra" que saem de Sião se referem ao Evangelho de Jesus Cristo.
Jesus viveu, ministrou, morreu e ressuscitou em Jerusalém. Foi a partir dali, no dia de Pentecostes, que a mensagem da Nova Aliança se espalhou para todas as nações da Terra através dos apóstolos.
No Novo Testamento, "Sião" passa a representar a Jerusalém celestial, a própria Igreja ou o Reino de Deus.
A "lei" já não é a lei mosaica de tábuas de pedra, mas a lei do amor e da graça, escrita nos corações dos fiéis de todas as etnias.
Quando Isaías escreve o capítulo 2, ele está a contrastar a realidade de uma Jerusalém corrupta, sob ameaça de exércitos estrangeiros, com uma visão gloriosa do futuro.
O grande debate político em Jerusalém era se o reino se devia aliar à Assíria para se proteger dos vizinhos, rebelar-se contra ela aliando-se ao Egito, ou confiar estritamente na proteção divina.
Isaías pregava veementemente que alianças políticas com impérios pagãos trariam a ruína, defendendo a fé em Deus.
O profeta descreve uma visão dos "últimos dias", em que todas as nações da Terra se reúnem e sobem ao monte do Senhor (Sião / Jerusalém) para buscar a instrução, a justiça e a verdade de Deus.
Em vez de Jerusalém ser atacada por impérios que impunham as suas leis pela força da espada (como a Assíria), o profeta antevê um dia em que as nações correrão voluntariamente para Jerusalém para aprender a Lei de Deus: ...“porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor” (Is 2.3).
A visão de paz ("transformar espadas em relhas de arado") é o oposto direto da corrida ao armamento e do medo da destruição que o povo de Judá vivia no século VIII a.C.
Segundo Isaías, a partir desse centro espiritual, a orientação divina trará paz universal, fazendo com que as nações transformem suas armas em instrumentos de cultivo e vivam em harmonia.
Enfim, mais uma vez reforçada a ideia que a verdadeira herança divina é a Palavra.
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