terça-feira, 9 de agosto de 2016

A conversão de Saulo.

Enquanto a obra da evangelização prosseguia em Jerusalém, Judeia e Samaria, Lucas mostra que o Senhor ao mesmo está executando Seus projetos em outro plano.

Relata o evangelista que Saulo respirava ameaças de morte contra os discípulos do Senhor e, com autorização do sumo sacerdote, se dirige a Damasco a fim de prender homens ou mulheres que pertencessem ao Caminho. Porém, os planos do Senhor eram diferentes dos de Saulo. 

Enquanto se dirigia a Damasco para colocar em prática seus planos, ele é surpreendido pelo Senhor. No caminho perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu e, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues”? O Senhor evidentemente tinha a reposta, mas foi a maneira de se apresentar a Saulo e também mostrar a ele a Quem estava perseguindo. E, ouvindo aquela voz, tremendo e atônito, disse: “Quem és, Senhor”? É o servo ouvindo a voz do seu Senhor. Essa voz é inconfundível e irresistível; porque não se ouve apenas no ouvido físico, mas também no espiritual. 

Servos do passado a ouviram e a obedeceram, e também tiveram suas vidas mudadas. Saulo esteve por um espaço de tempo desligado do mundo físico, sem ver, sem comer, nem beber.

Enquanto isso o Senhor está dentro da cidade, agindo na vida de outro discípulo: Ananias era apenas um “certo discípulo” de Damasco e, até então, sem muita notoriedade, até que o Senhor o incumbe de uma grande missão – mostrar a Saulo os planos do Senhor dali para frente.

Enquanto Saulo está recolhido, o Senhor trabalha no mundo espiritual revelando projetos futuros da obra de evangelização da igreja. E é a este discípulo, sem muita expressão diante dos homens, mas grande diante de Deus, que o grande projeto de Deus na vida de Saulo é revelado. 

O Senhor mostra a Ananias o Seu projeto de uma forma tão clara que Ananias reconhece Saulo e teme. Porém, o Senhor o tranquiliza dizendo: “Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei o quanto deve padecer pelo meu nome”. 

Ananias vai até Saulo em obediência à voz do Senhor e diz a Saulo que o mesmo Senhor que lhe aparecera no caminho também lhe apareceu em Damasco e que o havia enviado a ele para que voltasse a ver e fosse cheio do Espírito Santo. E então caem dos olhos de Saulo como umas escamas e ele recobra a vista; contudo, já não é mais o mesmo Saulo. O vaso já está de acordo com o querer do oleiro e preparado para cumprir a missão – levar o nome do Senhor aos gentios.

Saulo, de posse da mensagem do Senhor, que nortearia dali em diante todo o seu ministério, alimentou-se e ficou confortado. 

Sobre esta mensagem falaria mais tarde em suas cartas, a qual fez com que obedecesse como servo ao seu Senhor e se considerasse, portanto, um preso do Senhor (At 26.19, 20). 

Todas as características do ministério de Saulo, tanto a respeito dos dons como das perseguições sofridas, não eram escolhas próprias, mas do Senhor da obra. 

A disposição, o ímpeto, a entrega era ainda mais forte, pois, imbuído da missão, se apresenta rapidamente para a obra e a entrega é total (Gl 1.15). 

Muitos o reconhecem como aquele perseguidor, mas Saulo se esforçava muito mais, e por isso confundia os judeus de Damasco, provando que aquEle que fora crucificado era o Cristo. Não demora muito para a palavra do Senhor começar a se cumprir (v. 16); os judeus tomam conselho entre si para o matar. 

Com a ajuda dos discípulos de Damasco, sendo a cidade vigiada de dia e de noite, descem-no por um cesto pelo muro. Saulo chega a Jerusalém e é apresentado por Barnabé aos apóstolos e conta como o Senhor lhe aparecera em Damasco, e como falara ousadamente no nome de Jesus. 

Segue-se que ele disputava com os gregos a respeito de Jesus e estes queriam matá-lo. Mas os irmãos o levam a Cesareia e depois a Tarso.

O propósito maior da conversão de Saulo não era trazer solução para as perseguições sobre a igreja. Não era a intenção do Senhor cessar as aflições, afinal a igreja está no mundo! 

Este já era um vaso escolhido desde o ventre de sua mãe, sua conversão é mais uma etapa dos planos de Deus. 



No entanto, uma conversão deste porte trouxe paz e edificação para a igreja. Ou seja, em todas as instâncias, o Senhor está com a igreja, desde que esta esteja obedecendo à ordem dada pelo Mestre, e assim haverá cooperação do Senhor, em cumprimento às Suas promessas (Mt 28.20; Mc 16.20).



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